Plantar uma arvore

Risquei em Março da minha to do list um item particularmente especial: plantar uma árvore. Foi uma prenda de aniversário do meu homem (falei disso aqui) e uma actividade que fizemos em família, entre o cavar a terra, plantar, regar e cuidar dela a partir daí todos os dias. Devo dizer que a mais empenhada é a C., que rega todos os dias e diz entusiasmada que a nossa árvore vai dar maças pequeninas (é uma macieira bebé).

Tinha grande fé que crescesse em alguma coisa mas as minhas expectativas foram largamente ultrapassadas: em apenas um mês, a nossa árvore está a coisa mais maravilhosa que a natureza já viu! Cheia de flores e folhinhas, tão, tão bonita que me emociono sempre que a vejo - e ainda por cima está no jardim da entrada pelo que nos cruzamos diversas vezes ao longo do dia. Nem quero imaginar como estará daqui a alguns meses.

Não tenho infelizmente foto do antes, mas era simplesmente um pauzinho de madeira enterrado na relva (já assim, fofinho). Agora, transformou-se num cisne:


Arrume a sua casa. Arrume a sua vida

Há algum tempo que tinha curiosidade em ler este livro. 
Não ache que seja desarrumada por aí além mas reconheço que há coisas em que queria melhorar. Nunca tinha surgido a oportunidade até que aqui há dias um colega que promove um sistema de empréstimo de livros dentro da empresa, mo emprestou. Andou ainda algum tempo em cima da mesa da cozinha (desarrumado!) até que me decidi a pegar nele na última viagem de comboio Porto - Lisboa - Porto (e em seis horas, li-o todo).

O que reter?

Bom, primeiro não sinto total identificação com o livro; para ser sincera aliás, só a primeira parte me fez pensar um pouco na minha própria situação; 
Depois, é sempre necessário ler com algum grão de sal este tipo de publicações e admitir visões diferentes.

Posto isto, notas que me fizeram sentido:

- O processo de arrumar a casa como ela o vê, deverá demorar no máximo 6 meses.
- Devemos arrumar por categoria e não por divisão (isto é, roupa e não quarto ou livros e não sala);
- O primeiro momento do processo é: decidir o que deitar fora;
- Decidir o que deitar fora faz-se desta forma: todos os itens da categoria a arrumar são postos num mesmo sítio e para cada um deles de forma individual devemos perguntar "dás-me alegria?". Tudo aquilo em que a resposta seja - honestamente - sim, fica; tudo o que não, vai (ela fala várias vezes em deitar ao lixo, mas acho que podemos fazer a nossa interpretação e doar por exemplo);
-Terminada esta tarefa, entra a parte da arrumação propriamente dita, onde também dá algumas dicas com que não me identifico muito, salvo talvez a de arrumar as coisas da mesma categoria no mesmo sítio (exemplo: não ter livros espalhados por toda a casa mas concentrá-los todos no mesmo sítio) e da forma de organizar roupa.

De resto, tem algumas passagens que de facto não me disseram nada, como deitar livros fora, como de esvaziar todos os dias o conteúdo da carteira ou mesmo como agradecer a todas as coisas diariamente (obrigada carteira, obrigada sapatos, obrigada casaco).

A parte boa de ter lido este livro?
Estou com uma fúria de arrumar a roupa!
Já decidi o dia: será no feriado.E vou fazer uma coisa que nunca fiz antes: pegar em todas as peças de roupa que tenho em casa (de todos os armários, gavetas, sacos de arrumação, verão e inverno) e em todos os sapatos,botas, etc e pôr tudo no chão. Para cada uma destas peças terei de decidir se quero manter ou dar - talvez não exclusivamente com base no critério da alegria, mas numa óptica qualquer de que hei-de me lembrar. Espero reduzir drasticamente a quantidade de tralha.

Logo no início do livro pergunta-se qual o motivo de querermos arrumar. E eu estive a reflectir e acho que quero arrumar para ter mais coisas que usar. Parece um contra senso? Não é.
A verdade é que com os armários e gavetas todos apertados, acabo por usar sempre as mesma peças porque não vejo as outras. Variar está na forma como temos a organização e a que eu tenho actualmente (e nos últimos anos) não me permite ver a globalidade das coisas que tenho. Esvaziar os armários daquilo que não uso, vai dar-me espaço para ver o que gosto de usar. 

Talvez possa existir um outro motivo, que tem a ver com o arrumar a vida depois de arrumar a casa, mas a isso só poderei chegar depois de arrumar efectivamente - portanto falamos mais tarde sobre isto. Até lá, wish me luck!


Post Modern Jukebox

Dia 12 de Abril. Coliseu do Porto. Nove e meia.

Saímos de casa ao final da tarde para um copo no Base, essa esplanada aos pés dos Clérigos, cheia de gente na relva a aproveitar o fim do dia - e que dia esteve! 

Jantar - se é para a desgraça é para a desgraça - uma francesinha cheia de quilos que vão directos para as ancas e barriga mas que estava maravilhosa. E perdoe-se o mal que faz pelo bem que sabe.

Entramos no Coliseu precisamente às 21:30 h. e dez minutos depois temos o PMJ ao vivo e a cores, fabulosos como sempre!

Um concerto espetacular, curiosamente o último da tour. Ovação em pé de uma casa praticamente cheia (o que não deixa de ser engraçado porque de todas as pessoas a quem disse que ia ver PMJ, recebi uma cara de ponto de interrogação). Muito, muito bom.

Destaque em especial para a Halo (exibição perfeita!) e para o momento a solo do pianista, que tocou Rui Veloso - fica sempre bem.

E obrigada ao meu homem pela prenda de aniversário de efeito retardado (e por ter descoberto esta banda).

Decisions, decisions...!

Andamos às voltas com o quarto da C.
Queria passá-la para uma cama "normal" (isto é, tirá-la da cama de grades) e com isso aproveitar para fazer um remake ao quarto. Mas tenho as ideias a pairar na minha cabeça, sem chegar a conclusão nenhuma.

Posto isto, numa espécie de organização, tenho o seguinte:


Cores:

Adoro o verde água mas não vou fugir aos brancos, rosas e beiges. Talvez possa ter um ou outro apontamento com cores pastel - e espero com isto não transformar o quarto da míuda numa mixórdia cromática.


Cama:

Não fechamos totalmente a decisão mas temos a cama quase escolhida. Será branca, básica, para não cansar. Embora adore aquelas camas-casinha em madeira, baixas, tenho algumas reticências quanto à proximidade ao chão, facilidade de a fazer e fartar-me dela ao fim de um ano ou dois.


Tamanho:

Tirei as medidas todas para aproveitar o espaço ao máximo, sem contudo o encher demasiado. Para nós, o quarto é o espaço de dormir e tem de ser calmo e confortável. Uma cama, um cadeirão e uma cómoda são os móveis base, acompanhados depois por alguns:


Detalhes:

Os detalhes fazem toda a diferença em qualquer espaço e quero que no quarto da C. também. Poderá ser um cantinho mais especial, algumas peças de decoração, um tapete, não sei ainda. Pormenores que fazem a diferença.


Originalidade:

Aqui reside o meu maior problema. Adoro os quartos do pinterest mas acho-os absolutamente todos iguais. Vejo as mesmas peças centenas e centenas de vezes e gostava que o quarto da minha filha fosse mais original. Sei que também aqui são os detalhes que fazem a diferença mas queria algo único.


Alguma inspiração (disto tudo e de nada disto)










Já agora, outra coisa boa do bom tempo

Bicicletar !

No fim-de-semana passado voltamos aos nossos passeios de bicicleta. Sinal claro de que voltou o bom tempo (vamos ver..!)

Com isto, lembro-me de que podia muito bem adoptar este meio de transporte diariamente no percurso casa-trabalho-casa e deixar de ser preguiçosa. Pena que o caminho é a subir...!

Outra coisa de que me lembro é que em ano de eleições, todos os presidentes de Câmara teriam a ganhar se melhor servissem as suas cidades de infraestruturas para quem anda de bicicleta. Nomeadamente, vias próprias para o efeito. Deixo a dica e prometo um voto!

Lisbon, baby

Malas e bagagens para três durante dois dias: Lisboa, aqui vamos nós outra vez.

Motivos:
- Aniversário de uma amiga;
- Visitar bebé que nasceu de outra amiga;
- Visitar outro bebé que nasceu de uns amigos

Só em orçamento para prendas (bebés mais irmãos mais velhos dos bebés) e deslocação vai uma renda de casa. Mas quem corre por gosto não cansa, por isso, siga!


Sábado, 09.00 h.

Estive a pensar e decidi que a hora perfeita para acordar ao sábado é às 09:00 horas.

Porquê 09:00 horas?

- São mais duas horas do que à semana e duas horas a mais é espetacular!;
- Já não é madrugada;
- Depois de tomar banho, vestir, tomar pequeno-almoço, etc. são perto das 10:00 que é perfeito para sair de casa,
- A manhã rende imenso e
- Tenho a sensação de que consigo aproveitar mais o dia.

Na realidade, o que acaba por acontecer é que acordamos às oito e tal (no último sábado, 08:30) mas  a sensação de que ainda é cedo faz com que nos andemos a arrastar e só estejamos prontos para fazer alguma coisa da vida já depois das onze e meia. Shame on us. Mas se alguém perguntar, acordamos às 09:00.



Confesso que a Páscoa não é a minha festividade preferida na história das festividades, mas há amêndoas de chocolate (Pai, estás a ouvir?*) e por isso nem tudo é mau.

Posto isto, uma boa Páscoa! Haja saúde e paz.


* Mentira, que o meu Pai não lê o blog - mas prometeu-me uma caixinha das melhores amêndoas de chocolate do mundo e eu conto fazer cumprir a promessa!

Mas com sol tudo melhora

Sabem aquela altura do ano em que já não temos paciência para nada?  Em que a cada e-mail recebido no escritório temos vontade de atirar com o computador contra a parede? É sinal de que estamos mesmo a precisar de férias; pelo menos por aqui é assim. Se começo a ouvir o homem falar em sair da empresa dele, está na hora de marcar uns dias de descanso, para aguentar até às férias grandes.

Por estes dias que tem estado um tempo maravilhoso (que pagaremos com juros em Agosto, não tenham dúvidas), tudo parece no entanto mais fácil. Temos imenso trabalho, montes de coisas para fazer, queremos mandar na mesma o computador contra alguma coisa mas.. está sol, céu azul, os pássaros cantam, os dias são enormes. Tudo se aguenta melhor com bom tempo. Viva a vitamina D!

O próximo passa será trocar as roupas de inverno pelas de verão - adeus botas, casacões, cachecóis, gostei imenso de vocês este ano mas agora só em outubro volto a ter saudades vossas. Venham os amarelos, os rosas, os turquesas, os verdes água e sobretudo o branco. Venha muito branco à nossa vida para ficar tudo mais leve e fresco. Juro que se fechar os olhos um bocadinho já ouço o barulho do mar e do gelo a bater no copo de Somersby! Querido tempo, aguenta-te! Não há nada que chegue ao verão.

Estou honestamente preocupada com isto

No dia do Pai fomos almoçar a um sítio espectacular - já falei disso.
O tempo estava óptimo, um verdadeiro dia de Verão e imensas famílias tiveram a mesma ideia que nós. Todas as mesas, dentro e fora, estavam cheias de mães, pais, tios e filhos. Crianças pequenas, bebés de colo, outros maiores. Não os contei mas eram bastantes.

A meio do almoço fiz este exercício (que faço quase sempre): contei quantas crianças não estavam agarradas a um telemóvel ou tablet e o número a que cheguei foi 1 - a minha.

Cresci numa casa onde à hora das refeições não havia televisão ligada e onde, mais tarde, os telemóveis e telefones sempre foram proibidos. 
Não vou dizer que isto é a educação modelo para todas as pessoas mas foi a que escolhemos quando criamos a nossa família. A televisão está sempre desligada às refeições (a todas) e nenhum de nós leva o telemóvel para a mesa.
Como consequência, a minha filha não mexe em telemóveis ou tablets às refeições (e praticamente também não o faz fora delas, mas não era sobre isso que ia falar).
Claro que ela ainda é pequena e embora tentemos promover a conversa, perguntar-lhe como foi o dia, o que fez, onde foi etc (ela fala muito bem já), muitas vezes temos brinquedos e livros em cima da mesa para ela ir brincando. A grande diferença entre isto e os objectos de tecnologia, é que com os brinquedos estamos todos envolvidos. Ou estou a contar uma história, ou estamos a fazer brincadeiras com os bonecos. Se há uma televisão à mistura, é certo que ela desliga do mundo e liga na televisão.

Este modelo de educação não é o melhor nem o pior, é simplesmente o que para nós faz mais sentido.

Posto isto, é com uma preocupação enorme no futuro da humanidade que vejo crianças desde os três meses até aos 16 anos agarradas a telemóveis à mesa, sem falar, sem conversar, sem fazer parte do mundo. Totalmente alheados. Faz-me sobretudo muita confusão que os pais alinhem nisto e promovam até que os seus filhos bebés comecem desde cedo com isto.

Obviamente que eu não sou inocente ao ponto de não perceber porque é que isto acontece.
Ter filhos dé trabalho. Criar filhos também. Se o ipad ou o iphone fizer isso por nós, perfeito, menos trabalho.

Infelizmente vejo cada vez mais mais crianças educadas à lei dos tabelts, sobretudo à hora das refeições. Talvez os pais queiram uma refeição descansada e sem trabalho. O meu conselho é: deixem os filhos em casa. Se os filhos não podem ficar em casa, prestem-se ao esforço de interagir com eles - vão ver que vale a pena. Porque uma ida a um restaurante para uma criança também pode ser um momento especial, como para os pais. Uma coisa diferente. Irrita-me, honestamente (se calhar não devia).

Por outro lado, aplaudo de pé iniciativas como a deste café que oferece um desconto a quem deixar os telefones no cestinho. Devíamos ter cá ideias como esta. Ainda há dias uma tia minha se levantou da mesa do café onde estava com o marido e os dois filhos (12 e 17 anos) porque estavam sentados os quatro à meia hora e eles ainda não tinham levantado a cabeça dos respectivos telefones - e consequentemente ela estava ali a sentir-se ridícula. 

Quando tiver um café / restaurante / espaço público, prometo que adopto esta iniciativa. Palminhas!



As coisas mais simples

Por esta altura da vida, já percebi que comprar (brinquedos, coisas, etc) não significa de maneira nenhuma fazer uma criança mais feliz. As coisas mais simples são de longe as melhores - e perdoem-me o cliché.

Fizemos em família uma actividade que consistia em recriar uma cena de um filme da Disney. Sem grande produção ou adereços. Uma coisa bastante amadora, na verdade.

Foi todo um processo de ir mostrando cenas do filme original à C., para se habituar às personagens e de lhe explicar o que íamos fazer. Ela tinha duas falas e um papel na cena toda - que adiante-se, desempenhou na perfeição (estou tão orgulhosa!) Todos os dias dizia que queria gravar o vídeo. Andamos quatro dias com isto e foi mesmo muito giro, uma actividade em família que ainda por cima deixa uma memória física.

Notas sobre isto:
Continuo maravilhada com a memória e capacidade de decorar coisas da minha filha, que tem dois anos e é um bebé. É impressionante!
Um projecto ou actividade em que estamos os três é sempre melhor do que um projecto ou actividade em que só está um ou dois. Somos um pack e adoro.
Já terminamos as gravações mas a C. continua a falar disso e foi realmente uma coisa de que gostou. As fotografias que fomos tirando mostram uma criança super feliz.
Continuo convencida de que os filhos são a melhor coisa que temos e estou totalmente apaixonada pela nossa família. 

O mês em que escrevi duas histórias


Não acredito muito na máxima "não interessa ganhar, o que interessa é participar" mas neste caso concreto acho que tem alguma aplicação.

Tenho seguido o concurso literário com alguma atenção nos últimos dois anos e o ano passado tinha pensado concorrer. Foram várias as vezes em que abri o word e fiquei a olhar para uma folha em branco, vazia, sem fazer a mínima ideia por onde começar (nem sempre adoro o "era uma vez" como princípio de história, confesso). Não fui capaz de escrever se quer uma vírgula porque não sabia por onde começar, o que dizer, para onde ir. Era um muro e eu não podia passar.

Este ano quando o concurso foi lançado, decidi novamente que queria participar mas tinha uma história alinhavada na cabeça. Surgiu de uma coisa que o meu marido disse um dia à C. quando lhe estava a vestir o pijama.
Escrevi a história toda e tive dois problemas. Primeiro, achei-a demasiado infantil para o público alvo (6 a 12 anos); segundo, o fim não tinha grande nexo com o meio. Decidi adaptá-a para que ficasse simplesmente uma história de dormir e conto-a à minha filha praticamente todos os dias. Está em papel, guardada, quem sabe um dia não faço qualquer coisa mais com ela.

Depois disto, precisei de uma segunda história, se queria concorrer. E a ideia veio uma vez mais de uma coisa que disse à C. quando ela me fez uma daquelas perguntas que os miúdos fazem e nós não sabemos bem responder. Inventei uma resposta e isso foi a base para a minha segunda história. 

Que não haja dúvida que os nossos filhos são a nossa maior fonte de inspiração.

(Num destes últimos fins-de-semana perguntou-me outra coisa sobre as moscas e tenho um rascunho de um terceiro conto para escrever.)

Na verdade, não interessa muito se participarei ou não no concurso, porque isso já não é importante. Consegui escrever duas histórias e fazer de uma delas um original para a minha filha (que talvez possa ilustrar com a ajuda de uma amiga e imprimir para a posteridade). Quando penso na folha em branco do ano passado e nas várias folhas que consegui escrever este ano, percebo que o mais importante foi feito. Porque já não me lembrava que produzir é maravilhoso.

um sítio para ser feliz no Porto

Já fez um ano que nos mudamos para o Porto - como assim um ano?! (curiosamente foi exactamente na véspera da Páscoa).

Não posso dizer que tenhamos conhecido muito da cidade neste ano mas pelo menos já sabemos onde é a Rua das Flores, Miguel Bombarda, Baixa (pronto, a Baixa já sabíamos). Fomos literalmente a meia dúzia de restaurantes e temos a sensação de que ainda há tudo para conhecer. Sendo sincera, o que mais vimos foram casas (42 em 2016) mas o lado positivo é que há mesmo muito para conhecer. Nunca tinha vivido no Porto, conhecia de cá vir praticamente todas as semanas há dez anos atrás. Está tudo mudado, mais bonito, mais arranjado. A Baixa é linda de morrer, a Ribeira e, claro, a minha querida Foz do coração (que continua a ser a minha zona de eleição).

Ao fazer um ano, o meu reconhecimento vai contudo para um dos sítios mais bonitos da cidade: the one and only, Palácio de Cristal.

Foi dos primeiros parques que aproveitamos, é o jardim onde mais vamos ao fim-de-semana. Tem o tamanho certo, tem relva, tem um lago, tem pavões e gaivotas e tem um parque infantil. Tem também um café, uma biblioteca, uma feira do livro em certa altura do ano, aulas de ioga e semelhantes gratuitas ao sábado de manhã e uma vista deslumbrante. Agora que o bom tempo voltou, voltará a fazer parte das rotinas porque é perfeito! Para quem não conhece, shame on you !


Depois desta sossego, juro!

Ando a falar insistentemente em férias, sopas e descanso mas há uma razão. Considerando que a semana de férias do Natal foi exclusivamente para mudanças (mudamos de casa dia 23 Dezembro), não temos dias de descanso desde Agosto do ano passado! Uma ponte aqui ou um feriado ali, não contam. Queremos férias à séria!

Este ano, pela primeira vez desde que saí da faculdade e trabalho, marquei três semanas seguidas! Só me resta torcer para que não seja necessário desmarcar - bate na madeira!

Isto tudo para dizer que faltam, contas redondas, três meses para as férias! Três meses e meio, pronto. Mas menos de meio ano e estaremos alegremente de biquíni a apanhar sol sem fazer absolutamente nada (que é para o que trabalhamos o ano inteiro!) Viva!!

Yeah!

Tenho normalmente por hábito marcar hotéis ou estadias através de contacto directo. Uso em regra o Booking para ver opções com mais facilidade mas depois acabo sempre a enviar e-mail directamente ao Hotel para reservar.

Esta semana escolhemos finalmente um sítio para fazermos um fim-de-semana prolongado (Deus sabe como precisamos de férias!) e entrei em contacto para agendar.

O que aconteceu foi maravilhoso.

Primeiro a pessoa foi simpátiquíssima e super prestável.
Depois,pedi preço para regime pequeno-almoço e regime meia pensão para três pessoas e recebi o preço acompanhado de:

"Ofereci a estadia, o pequeno almoço e a refeição da criança e fiz uma atenção dado o número de noites e o contacto direto"

Conclusão: ficou mais barato cerca de 90 euros. 

Adoro pessoas!!

O patinho feio

Estive a reflectir sobre a história do Patinho Feio, na versão que a minha filha tem (que não sei se é a oficial, isto dos clássicos tem muito que se lhe diga) e cheguei à conclusão de que é possivelmente o maior atentado à luta contra a discriminação - já para não falar na maldade indescritível de chamar feio a uma criatura que acabou de nascer.

No livro que a minha filha tem, a moral da história é que os patos aprenderam com o irmão "patinho feio" que ser diferente não é mau de todo.

Citando:

Este pato nosso irmão
Serviu para nós aprendermos
Que ser diferente é bom
Sem às vezes o sabermos.

Mas no fundo a história é esta:

Nasceram cinco patos, lindos e maravilhosos.
Nasceu o sexto filho da pata, que era feio.
Toda a gente o insultava, ela nem podia andar na rua.
Até que ele decidiu fugir e foi viver para a floresta
E um dia descobriu que era cisne e foi acolhido pela família de cisnes
Ficou feliz por encontrar bichos iguais a ele
Nunca mais viu os irmãos
Fim

Portanto, que raio de mundo é este em que patos só podem viver com patos e cisnes com cisnes? E o princípio da não discriminação? É mesmo isto que queremos ensinar aos nossos filhos?

Este livro faz parte de uma colecção de livros pela qual a C. está totalmente apaixonada. São 52 e ela decorou o título de todos só de olhar para a capa (tem dois anos e meio e uma mãe assustada!) 
Cada livro traz um cd (com a história e umas músicas) e os18 cd's que ela já tem estão divididos entre o carro da mãe e o do pai e vão tocando à vez nas viagens. 

Ora, como já deve ter dado para perceber, no meu carro anda a tocar há muitos dias o patinho feio, daí o nível da minha revolta. Cada vez que ouço aquilo a minha vontade é atirar com ele pela janela e a seguir reclamar ao provedor do Leitor (existe?). 

O pior disto tudo é que a minha filha teve o azar de ter nascido com a mesma característica que eu e decora todas as músicas e palavras das histórias à segunda vez que as lê / ouve. De maneira que tenho uma criança que durante todo o dia canta e re-canta esta coisa bonita de discriminar cisnes só porque não são patos. E ela até canta bem. Só que a mim chateia-me a questão de fundo.



Soundwich

Partilho hoje mais uma maravilhosa descoberta no Porto - o Soundwich




Fica mesmo, mesmo ao ladinho do Parque da Cidade, tendo aliás ligação um ao outro através da jardim. Para quem conhece o Parque, vai dar ao lago.

O sítio é perfeito - mesmo!
Fomos experimentar o Brunch, precisamente no dis do pai, e entrou directo para um dos nossos preferidos.
Fazem na hora a pedido alguns pratos quentes, como ovos mexidos, carbonara e panquecas. Também têm sopa para quem quiser (a C. não adorou mas ela é a esquisitinha das sopas fora de casa. Adorou no entanto a massa). Além disso, funciona em regime buffet, com várias opções doces e salgadas. Champagne, sumos, limonada, café, vários chás. Tinha batatinhas com legumes, muito boas. Enchidos. Empadinhas. Rissois, criquetes. Tostas, saladas frias. Bem como pães, croissants, scones, etc. 
A sala onde está o brunch é pequenina mas muito simpática e o espaço tem uma segunda sala com mesas e uma esplanada grande. Muito campo, clean, acolhedor. Recomendo vivamente! 

O preço por pessoa é 19 € e a C. pagou 5 € mas é justo porque ela come como gente grande. Cuidado com os croquetes, que foram quase todos para ela. Sem dúvida a repetir.









Quando escreves "fim" mas afinal voltas ao princípio

Ando há umas três semanas de volta do meu conto infantil. Não escrevo todos os dias mas acho que terei uma média diária de uma ou duas horas. É pouco, manifestamente. Mas serviu para fazer um primeiro draft . Aquilo que foi mais difícil de pôr cá fora foi o fim. Fui andando, andando mas cheguei a certo ponto e bloqueei. Um muro feito de uma página em branco. Dei alguns dias e quando retomei, fui directa ao final, para concluir.
Como o nosso subconsciente funciona de forma gira, a ideia que sempre tive em pano de fundo para o que queria que isto fosse, revelou-se integralmente no fim mas - e isto é a parte não gira - sem qualquer conexão ao texto. Vamos dizer que eu sub conscientemente sempre quis falar de vacas e quando fui fazer o fim foi de vacas que falei mas ao reler todo o texto verifico que tenho toda uma história sobre abelhas e um final de vacas. Ora, não bate a bota com a perdigota e por isso depois de fazer um fim, vou na verdade voltar ao início e escrever do zero.

A parte boa é que já sei onde quero ir.
A parte má é que não faço ideia de como lá vou chegar.
De que é que não me posso esquecer? De que não importa o destino mas sim a viagem!

Os maridos das outras

A música que o Miguel Araújo fez sobre os maridos das outras é absolutamente genial. A letra está tão bem escrita, sem ser literalmente evidente, que lhe gabo sinceramente o dom.

Não obstante, não me revejo em nada nesta música. Reconheço no entanto que por exemplo em uma ou outra amiga que tenho, encaixe bastante bem,

O meu marido está fora de casa há uma semana e a sensação que eu tenho é que os astros estão desalinhados. Estou com uma sensação de desconforto, como se a camisola me estivesse a picar no pescoço. As viagens dele têm sido frequentes mas não há maneira de me habituar a isto. É tudo tão infinitamente melhor quando ele está. E mais calmo. Mesmo quando as coisas correm mal, ele tem esta capacidade incrível de fazer com que pareça tudo bem e esta semana confesso que não foi das melhores (o meu trabalho está-me a levar à loucura aos poucos).

Lado positivo?
Volta amanhã! E põe graças a Deus nisso!


Teletrabalho

A primeira vez que disse às minhas amigas que estava um dia por semana em teletrabalho, elas perguntaram logo se eu não aproveitava para ir às compras. Respondi-lhes o que agora cito: quando estou a trabalhar em casa sinto que o meu chefe está sempre a olhar para mim.

A coisa mais importante a saber sobre o teletrabalho não é que devemos acordar à mesma hora de um dia no escritório ou que é preferível vestir roupa "normal" em vez de estar de pijama, porque na verdade se o fato de treino funcionar, perfeito. Para mim, a coisa mais importante sobre esta modalidade de trabalho é o sentimento de responsabilidade.

No meu caso, acordo à mesma hora dos dias em que não estou em casa, visto-me e arranjo-me como se fosse sair e tenho um espaço próprio, com o computador, bloco de apontamentos, canetas, etc., que podia classificar como posto de trabalho. Mas nada disto tem realmente muita importância. 

O que importa realmente é eu ter-me convencido de que por estar a trabalhar neste regime tenho uma responsabilidade a dobrar e que se alguma coisa correr mal, a conclusão que será tirada é que aconteceu porque eu estava em casa (quando nem acredito isto, erros acontecem em todo o lado). 

Por isso, se num dia de trabalho na empresa, me sento a trabalhar por volta das 09:30, em casa às 08:45 já estou sentada no computador. Se na empresa faço uma pausa às 11:00 para café, e nem importa se junto à máquina estão os Colegas e ficamos lá vinte minutos a falar, em casa levanto-me por volta das 11:00 para ir tirar um café e às 11:05 já estou sentada outra vez, com o café à frente. Se quando estou na empresa, saio por volta das 13:00 para almoçar em casa e regresso às vezes depois das duas, quando já estou em casa a hora de almoço dura no máximo quarenta e cinco minutos (e isto já inclui arrumar a cozinha). Se num dia normal, às 17:00 começo a estar preocupada com a hora de ir embora (crianças, banhos, jantares), em casa nunca desligo antes das 19:00, muitas vezes depois de jantar ainda passo os olhos no e-mail porque afinal de contas o portátil está mesmo ali à minha frente. Em tempo de deslocação e pausas que poupo, ao fim de um mês ganhei várias horas de trabalho.

Nem todas as empresas percebem exactamente as vantagens do teletrabalho, mesmo a minha acho que também não. Aconteceu dar-me esta possibilidade mas nunca avaliamos bem os pontos fortes e fracos. Claro que isto se pode ficar a dever ao facto de muita gente desaproveitar esta oportunidade e aproveitar o tempo para ir às compras. Eu, da minha parte, sou absolutamente incapaz se quer de ir dar uma volta ao jardim ou tomar café à rua (mesmo que isso até me levasse o mesmo tempo que leva descer ao quinto piso ). É mesmo como se o chefe tivesse todos os olhos em mim.

Se funciona?
Eu gosto de acreditar que represento um caso em que corre bem. A minha empresa pode não acreditar em mim mas trabalho mais em casa do que no escritório. Em parte porque estou no meu ambiente, que é mais confortável, em parte porque não estive meia hora no trânsito a entrar em stress (ok, geralmente são só dez minutos mas dá para perceber), em parte porque não sinto que perca tempo com deslocações e idas para frente e para trás casa-trabalho-casa-trabalho-casa. Portanto,haja disciplina e responsabilidade para se manter este modelo e vivermos mais felizes.

Pequeno de situação

Descobri que escrever em condições é um exercício muito mais difícil e exigente do que pensava.
O que me leva a uma questão (a duas, na verdade):

Primeira: o que é que eu ando aqui a fazer?
Segunda: o que é que eu ando aqui a fazer há cinco anos?

Ora, isso mesmo!
Baby blog faz cinco anos de vida e é um exemplo paradigmático de um pequeno passo para a humanidade mas de um passo gigante para o homem (sim, eu sei que é ao contrário). 
Quero com isto dizer que me lembro perfeitamente do dia em que me registei no blogger (comecei com uma frase e depois uma imagem, para teste) só para ver como isto era. Tinha zero expectativas em relação ao que podia ser e não tinha se quer qualquer sonho de que viesse a ser alguma coisa. Embora não tenha qualquer importância pública (daí o pequeno passo para a humanidade) tornou-se muito importante para mim (grande passo do homem) e sinto algum orgulho de o manter até hoje. Ainda que sem linha editorial, sem grandes conteúdos, com imensos disparates, muito mais erros do que gostaria. E acima de tudo, ainda privado, que me assegura toda a liberdade criativa possível. Gosto de ti bloguinho. E enquanto gostar, siga para bingo!

P.S. Para quem tem a simpatia e amabilidade de cá passar de vez em quando, também gosto de vocês!

 

Tempo para

Ando a tentar escrever um conto infantil e falta-me alguma organização para escrever aqui também, o que me frustra, confesso, porque acredito realmente que temos tempo para tudo aquilo que quisermos mas nem sempre consigo por esta crença em prática.

Isto é válido aliás para tudo na vida e por isso tenho de ter tempo ou organização ou motivação (ou força?) para me dedicar a uma coisa realmente importante, que é encontrar um caminho mais feliz no lado profissional. 

Não sei bem quem me ensinou a ser assim, tão receosa e medricas, com um perfil de risco igual a zero. Mas - e com isto me vou - é urgente mudar.

E sítios giros para irmos?

Estou há três semana a tentar marcar uma escapadinha para aproveitar o feriado de Abril, sem sucesso. Ou está tudo completamente cheio ou é tudo absolutamente caro. Não há meios termos, do Minho ao Algarve. Fico chateada. Crise, crise e afinal vai-se a ver e anda tudo rico.

No meio das minhas pesquisas dei de frente com um hotel que é o sonho. Partilho, para interessado (e deve valer mesmo a pena), com a nota de que o ano não acaba sem irmos lá!

Entretanto, dicas de sítios serão sempre bem vindas!

Santa Cruz






E bom fim-de-semana!





Dois despertadores e muito sono

Numa publicação do Instagram há uns tempos vi uma frase que dizia qualquer coisa como

Ser adulto é um eterno acordar cansado e ir dormir exausto.

A nossa casa é um bom testemunho disso. Deitamo-nos cada vez mais tarde e acordamos cheios de sono. Por isso, adoptamos a tática dos dois despertadores. Um despertador toca às x horas e o segundo às x mais dois minutos. Só para ter a certeza de que não desligamos e continuamos alegremente a dormir. Sinal claro de sono a menos por estes lados.

Ora, de quem vem a ser a culpa disto?
Obviamente de This is us.
Temos a C. despachada na cama geralmente por volta das 22.00 h. e abre-se a janela para consumo desenfreado da série. Acabamos a dormir depois da uma, para as sete e pico estar de pé. Seis horas / seis horas e meia de sono claramente não são suficientes para nós - e é neste momento que eu queria ser o Presidente e aguentar-me com quatro horinhas.

Curas de sono e ir dormir às dez?
São opções, sim.
Mas se uma pessoa já acha que o dia é pequeno, sem este espaço ficaria ainda mais reduzido. Honestamente, a solução que vejo é ir de férias já hoje.

This is us

Já tinha ouvido falar desta série e no dia em que vi o trailer, decidi ver o episódio piloto.
Houve um problema.
Parte do primeiro episódio acompanha o nascimento de trigémeos e eu sabia, da apresentação, que só iam nascer dois bebés. Foi o suficiente para querer parar de ver, ainda nem o episódio ia a meio, eu já cheia de baba e ranho, coitadinho do bebé e dos pais. Desisti - desde que sou mãe que tudo o que mexe com sofrimento de crianças é de díficil digest\ao(e já basta a vida, não queremos também ficção).

Mas passaram os dias e as amigas a dizerem que estavam viciadas na série, que era tão bonita, tão simples, tão real. Que afinal andamos a procurar efeitos especiais, quando é na simplicidade que está a maior beleza, e que eu ia adorar, de certezinha, tinha de ver. Contestei com o argumento do nascimento de três que afinal era só de dois, elas a dizerem que tinha de ver o resto, e vê, e vê e anda lá - ate que me fazem um spoiler alert e dizem que o terceiro bebé não sobreviveu, é um facto, mas os pais adoptaram uma criança e foi uma adopção muito bonita.

Decidi dar uma segunda oportunidade. Tantas amigas assim não podiam estar erradas. 
Estou agora absolutamente viciada, a uma média de 3 episódios por noite (e a temer o dia em que a primeira season acabe). À hora em que escrevo estou já desejosa que sejam dez para mais uma dose. Sei que disse que quero escrever um livro mas esta série vai tirar-me todo o tempo livre e disponível (e eu já nem aí porque é linda!). No fundo isto é sobre segundas oportunidades e julgamentos de livros pelas capas. Não o façam. Vejam a série.  



Uma árvore é um bem / Que devemos preservar / Vamos todos, tu e eu / Uma árvore plantar

Não sei explicar por que razão plantar uma árvore era importante para mim. Talvez tenha a ver com a tripla missão humana "Ter um filho / escrever um livro / plantar uma árvore". Ou talvez se explique pela minha personalidade, que estende raízes e gosta de ficar onde está. Ou afinal seja só pelo privilégio de ver crescer vida. Há muito tempo que plantar uma árvore fazia parte dos meus planos. Tanto assim que estava na lista (agora em versão actualizada).

Escrever um livro
Voltar a Nova Iorque
Comprar uma casa
Plantar uma árvore
Ir ao Rio de Janeiro
Voltar a correr
Passar um sábado em Paris
Trabalhar em turismo
Colaborar com uma revista
Voltar à Eurodisney
Visitar a livraria Lello
Fazer voluntariado



No sábado a seguir aos meus anos o P. chegou a casa com ela. É uma macieira bebé, que irá dar de certeza as maças mais doces da história do pomar e plantamo-la a três numa sexta-feira de calor. Eu e o P. fizemos o buraco na terra, pusemos a árvore (que esteve num vaso até aqui) e voltamos a por terra por cima. A C. chegou com o seu mini regador, para regar ao som da música que ela própria começou a cantar (e que está no título). Panda, sempre a inspirar a minha filha. 

Espero poder actualizar esta informação anualmente, mas tenho a certeza que esta árvore crescerá cheia de saúde e de frutos para alegrar o nosso jardim e a nossa vida. E agora, só falta escrever um livro.


Volta sempre a onde foste feliz!

Acho que já usei este título por aqui (não fui confirmar), possivelmente para falar deste assunto mas ainda assim volto a ele.

Demos um saltinho a Lisboa com a desculpa de uma festa de anos, mas fomos na verdade fazer o que já queríamos ter feito há mais tempo: matar saudades. Ficamos instalados em casa de um amigo, mesmo ali ao lado do Frutalmeidas, para um sumo natural (desta vez foi só o sumo, greve aos pastéis e tartes do demo!) e um olhinho à Av. de Roma. 
No domingo de manhã fomos tomar o pequeno-almoço ao Parque das Nações. Voltar à pracinha e ao parque é maravilhoso (apesar do vento gelado que estava). Fotografias com moldura de Vasco da Gama, um ano depois. É giro. Não há lugar no mundo igual a este, somos mesmo fãs deste bocadinho. Claro que depois vemos a montra da imobiliária que diz que um T4 custa 690 mil euros e um T2 350 e pensamos duas vezes nos nossos gostos mas ainda assim, é bom voltar a um sítio onde fomos felizes.

No domingo ao almoço éramos uma mesa de catorze, em que seis são crianças e há ainda um bebé no carrinho (metade de nós é canalha!), de onde saímos para conhecer a casa nova de uns amigos. Deixamos Lisboa às quatro e meia da tarde. Ao fim de dois Km. a C. estava a dormir o sono dos justos e acordou praticamente em casa. Prova de fim-de-semana cheio (e a repetir)

Porque uma surpresa nunca vem só e o meu homem é afinal a maior surpresa de todas

Conheço o meu homem há anos suficientes para saber que ele não ia deixar passar os meus trinta assim sem mais. 

Organizamos um jantar para a família no dia mas eu sabia que ele não ia deixar a coisa só por aí. A dada altura do processo, uma noite num jantar de primos, disse que ainda íamos viajar antes do Verão e acendeu-se uma campainha na minha cabeça. Uma viagem pelos anos? Dias mais tarde fiz algumas perguntas, para saber se a existir seria a dois ou a três (não queria deixar de passar os anos com a C.) mas recebi de resposta a indicação de que não havia nenhuma viagem para os anos. Fui fazendo algumas perguntas ao longo do tempo mas acabei por desistir. Achei no entanto que no sábado a seguir ao dia de anos, ele devia ter alguma coisa preparada. Esta suspeita foi sendo alimentada por pequenas pistas que encontrei, sem querer, no carro: num dia uma cartolina azul; noutro, post-its de várias cores. Claro que lhe perguntei o que era aquilo mas coincidiu com uma viagem dele portanto todas as explicações foram breves e do género "não tenho nada a ver com isso, tu é que és a rainha da papelaria lá de casa." Ok. Não insisti (mas secretamente achei que me ia encher o carro de papéis a dizer "parabéns").

Na sexta-feira ao final do dia, a C. chega a correr à minha beira a dizer: "mamã! mamã! Vamos andar de barco e é uma surpresa!", seguida de um pai a contestar "C., o pai disse que era sur-pre-sa! E não é barco!; é carro!". 
Passou. A minha filha tem dois anos e podia de facto ter confundido barco com carro (pouco provável mas podia acontecer).
Nesse dia à noite, o P. diz-me que no sábado vamos fazer um lanche a um sítio novo e que temos de sair de casa às quatro da tarde. 

Sábado há alguma movimentação em casa. O P. diz que tem de sair de manhã sem mim, há alguns telefonemas. Regressa à hora de almoço e quando abro a porta tem na mão a minha prenda: uma árvore (num vaso) para plantarmos no jardim, com um cartão que diz: Plantar uma árvore? Check! (Lembram-se da "lista"?) - falamos disto outro dia, fica prometido.

Às quatro da tarde o P. vai acordar a C. porque temos de sair - ele diz que a pressa se justifica porque "as portas fecham" e quando chego ao quarto dela, tenho uma miúda aos saltos na cama a dizer "surpresa! surpresa! surpresa!". Sei que vai acontecer alguma coisa. Saímos de casa, de carro, eu a tentar adivinhar onde vamos, setas que indicam marina do Freixo, de repente a ideia do barco a fazer sentido (eu sabia que ela não se ia enganar!) até que estacionamos o carro. 

- Queria marcar os teus trinta anos com uma coisa que só podíamos fazer no Porto. Vamos fazer o cruzeiro das seis pontes.

Um cruzeiro no Douro é uma coisa de que falamos desde o Verão mas que fomos adiando. Graças a Deus não chove e há até um restinho de sol. Vamos fazer um cruzeiro!

Chegámos ao cais e antes do barco estão exactamente - nem mais! - todos os nossos amigos com um balão gigante e confetis. De Lisboa, de Aveiro, do Alentejo, da Guarda, do país todo, todos! Desato num pranto, há confetis por todo o lado, o meu homem não existe!

Temos à nossa espera um barco que nos leva só a nós, e a um lanche maravilhoso, pelas pontes do Porto. Fazemos uma sessão de fotos na parte de fora, nunca chove, os pequeninos vão todos contentes, abraço toda a gente que vamos vendo ao longo do ano, mas que não está toda no mesmo espaço desde o último casamento. Nunca na vida pensei que estivessem a planear a festa desde Janeiro, nem acredito que em vinte e cinco pessoas ninguém se descaiu este tempo todo - e falamos todos, todos os dias (viva o whatsap!)

O passeio dura umas horas, brindamos, o ambiente é perfeito. Duas amigas dizem-me que vão ficar lá em casa a dormir, outra fica também para o dia seguinte. 

O barco pára, voltamos ao cais. Trago um balão enorme preso na minha mochila que não espelha nem metade da minha felicidade. Aqui e ali as pessoas vão dizendo que vão embora. Há quem tenha miúdos pequenos, há quem regresse de avião, outros aproveitam e vão ver a família, que também é de longe. Acredito genuinamente em todos e juro pela minha saúde que não espero absolutamente mais nada daquele dia. Tenho o coração cheio. Despedimo-nos com abraços apertados.

Organizamo-nos para regressar para casa com os três casais que ficam, entramos nos carros, voltamos com cuidado para nenhum se perder.

Quando estacionamos digo ao P. que nos esquecemos da luz da cozinha acesa. Entro em casa e tenho uma vela a iluminar um 30 gigante feito de fotografias da última década colado na parede, lindo, com todas as pessoas que fizeram desta tarde uma tarde feliz! 

Nos dez segundos a seguir ainda estou a processar que o P. tenha preparado aquilo para nós e os amigos que cá ficam e começam a sair do corredor, sala e portas toda a gente outra vez! Na sala há uma mesa de sushi gigante e tudo posto para um jantar maravilhoso (alto patrocínio dos meus pais em conluio com o meu homem!) Não caibo em mim. Os parabéns são todos para o P., que pensou e organizou todos os detalhes e pôs de pé uma festa de que me vou lembrar para sempre. Se não estivesse já casada com ele, levava-o à igreja no domingo de manhã e só saímos de lá casados. Nunca, jamais, em tempo algum suspeitei de alguma coisa deste género. Na parede de ardósia preta da cozinha está a cartolina azul e os post-its para as mensagens de parabéns! O Z. deseja que as rugas que os trinta podem trazer sejam só de expressão e eu tenho a certeza que fiz umas quantas neste dia mas não podia estar mais feliz e grata. Pelo P., que não tem explicação, e por todos os amigos que a vida nos deu e a quem queremos tanto e tão bem. OBRIGADA!

           

Ainda sobre os Óscares

Creio que já se teceram comentários suficientes sobre os Óscares este ano - não que tenha lido muita coisa a respeito, mas deduzo - e por isso queria só partilhar uma ideia, que sendo honesta nem é original.
Em conversa com o meu pai, perguntava-lhe se tinha visto a barracada, ao que ele me responde (no seu tom sarcástico),

- Então mas aquilo não foi de propósito?

De facto isto faz-me muito mais sentido do que um erro.
Há um grupo de pessoas que se não está exclusivamente dedicado a isto, pouco deve faltar. Alegadamente, há dois envelopes iguais. Faz algum sentido terem-se enganado?
Claro que errar é humano e toda a gente se engana e blá blá blá mas não estamos a falar de rocket science; é literalmente escrever uma palavra numa folha e metê-la no envelope. Por isso estou mais inclinada a acreditar na teoria da conspiração do meu pai, do que no erro simples.

De resto, dizer apenas que tive três minutos de felicidade porque gostei imenso do La La Land - confeso que não vi o Moonlight - mas o final da cerimónia está exactamente de acordo com o fim do filme. Primeiro fazem uma pessoa acreditar no viveram felizes para sempre e depois, tau! um balde de água geladinha, só para não ficares confortável. Está certo.


Até parece que sou funcionária da Jerónimo Martins (para não haver dúvidas, não sou)





Pequeno alerta de um prémio de que gosto particularmente - e a que este ano espero concorrer (mas prometo isso todos os anos).
Está aberto mais um concurso literário do Pingo Doce, o prémio mais alto do género a nível nacional, que premeia escrita e ilustração com cinquenta mil euros. Candidaturas até Abril e vencedor a anunciar até ao dia mundial da criança, o que é bonito porque a literatura aqui é infantil. Mais informações no site: http://premiodeliteraturainfantil.pt/premio-de-literatura-infantil/

Quem está quase a nascer?

Amanhã é o dia em que passo aos trinta.
Pronto, era só isto.
Agora vou ali chorar.

Vamos a Lisboa!

Quando saímos de Lisboa - está a fazer um ano! - vinhamos com a promessa de que em breve voltaríamos para um fim-de-semana. Passaram onze meses e nunca aconteceu.
Finalmente, um convite de aniversário fez-nos marcar uma escapadinha pelo que é a sul que andaremos três dias em meados de Março.
Temos tantas coisas para fazer, e sobretudo tantas pessoas para ver, que nem sei bem como se encaixa tudo em tão pouco tempo.
Para já os planos incluem um jantar pseudo aniversário atrasado na sexta. Um brunch no sábado. Uma visita à casa de uns amigos e possível jantar no sábado. Um lanche domingo. Um passeio no Parque das Nações no domingo. E voltar a casa. Havemos de nos arranjar!

Ratinhos sapateiros

O Pingo Doce tem uma colecção de livros infantis que a C. adora e da qual tem seis títulos. Um deles, que é o mais giro até agora, é sobre dois ratinhos que faziam sapatos durante a noite para ajudar o sapateiro. Uma coisa bonita sobre a amizade.

Bonito também era ter um marido que fosse ele próprio um sapateiro exclusivamente dedicado ao comércio nacional.

Isto porque nos saiu de casa a meio de Fevereiro e anda a dar a volta ao mundo. Para já foi Dubai, Austrália e Estados Unidos, mas sabe Deus mais a quantos sítios irá antes de voltar. Nós continuamos à espera mas dava mais jeito se Portugal fosse o único destino das viagens deste homem.

A avaliar pelo que vejo

Fiz uma breve análise ao mundo que me rodeia, mas só num raio de meia dúzia de quilómetros e estou convencida de que somos os únicos que não mascaram a filha no Carnaval. Espero que isto não dê lugar a trauma no futuro. Não consigo achar piada a esta festividade - e isto é um mal geral desta casa - por isso passa totalmente ao lado. Acho que a C. nem sabe o que isso é, embora outro dia alguém lhe tenha perguntado do que se queria mascarar e ela respondeu "pai Natal" (tão fixe a minha filha! já a saber que festas são importantes).
Posto isto, todo o fim-de-semana há zero carnaval na nossa vida e o mesmo se diga de terça-feira, o próprio do dia. O que dificulta um bocado os planos - e eu até estou de semi-férias - porque só há propostas ligadas com o tema. Para o ano penso melhor nisto, está decidido!


Férias. Pode ser?

Começamos finalmente a pensar nas férias. Falta uma eternidade de tempo mas tem estado um sol que não pede outra coisa que não praia e pé na água. Até a pequenina já anda a pensar nas férias (e damos graças a Deus pela ideia de ter comprado uma casa com espaço atrás para andarmos sempre na rua!).

Ora, planos?

O ano passado tivemos umas férias maravilhosas no sul de Espanha e este ano se tudo correr bem, vamos repetir a dose. I can't wait !
A parte menos simpática é que faltam mais de cinco meses. E eu que gosto de contar semanas, até tenho medo desta contagem que nunca mais acaba. Ainda há Carnaval, Páscoa, feriados, dias santos, um calendário que não tem fim e eu a precisar tanto de sol!
Será que se desejarmos todos com muita força as férias, elas chegam mais depressa? Vá lá, todos, um, dois, três..!




Só nós é que sabemos

No ano de mestrado tivemos uma cadeira que foi determinante. Depois de anos a sermos alunos, ali sentiamo-nos como pares. A alegria destas aulas devia-se essencialmente ao professor que tínhamos, que era brilhante, que desenvolveu em nós um espírito crítico a que não estávamos habituados. Passávamos as aulas a discutir, a debater, exactamente como o direito deve ser. Havia muita liberdade e éramos ouvidos, a contrastar um pouco com o que trazíamos da licenciatura. Um dia, na última aula, o professor de quem tanto gostávamos despediu-me até sempre com uma expressão de que lembro muitas vezes:

Só nós é que sabemos o que aqui se passou.

Há coisas que efectivamente não foram feitas para ser explicadas. Só vivenciadas. Talvez autores de excelência consigam explicar todas as coisas difíceis, consigam traduzir todos os sentimentos, todas as impressões, tudo o que se sente e se vive. Eu não consigo. Há uma grandeza e riqueza tão grande em algumas coisas e experiências, que só por quem elas passa consegue saber como foram.

Às vezes dizemos da nossa filha que "as pessoas nem fazem ideia como ela é", a querer dizer exactamente isso, que só quem vive com ela se consegue aperceber. É muito mais completa do que qualquer descrição e dizer-se que é bem disposta, sociável, que fala imenso e tem raciocínios fabulosos são apenas descrições vagas cheias de nada. 

Nunca me pus a imaginar que género de pais seriamos quando tivéssemos um filho ou que família seria a nossa mas se tivesse desejado alguma coisa seria de certeza assim. Formamos um pack de três e isto é uma coisa que só nós sabemos.