Ainda as velas

Ando numa fase, que acho que acontece quase todos os Outonos / Invernos, de acender velas a meio da tarde. Temos pelo menos três na sala e nesta altura do ano adoro vê-las queimar e a espalhar magia pela casa.
Posto isto já anunciei que o meu pedido ao Pai Natal este ano é exactamente velas de cheirinho. Preferência é baunilha mas qualquer uma é bem vinda.  Obrigada!






Uma vela com história

Corria o belo ano de 2013, vivíamos nós em Lisboa, e um grande amigo juntou-se a nós na condição de habitante da capital. A dada altura desse ano, esse amigo (solteiro, a viver sozinho) fez 30 anos e fizemos-lhe uma festa em nossa casa. Para esse evento comprei duas velas, um 3 e um 0, daquelas com o formato do número, brancas e amarelas às pintas.

Cantamos os parabéns aos trinta anos do Z. em Agosto de 2013.

Cerca de um mês mais tarde, o meu homem fez também ele 30 anos e organizei na altura uma festa surpresa num dos nossos restaurantes preferidos de Lisboa, que fechamos só para nós. O bolo com que cantamos os parabéns levou em cima as mesmas velas que tinham servido os anos do Z. um mês antes.

Três anos depois mudamo-nos de Lisboa para o Porto, primeiro para uma casa, oito meses depois para outra. De ambas fizemos grandes mudanças (toda uma casa atrás). 

No ano seguinte eu fiz 30 anos e as velas que pusemos em cima do bolo eram as mesmas do Z. e do P. Amarelas e brancas às bolinhas, com as cores já gastas de história.

Nesse mesmo ano (que por acaso é o presente) a minha filha fez 3 anos e a vela que apagou no bolo que levamos para a escola era o 3 dos anos do pai, da mãe e do “tio”. Vela essa que guardamos, quem sabe se não para os três anos (ou meses!) da MI.  


Outra vez as papas de aveia

Houve uma altura da minha vida em que achei que aderir às papas de aveia era uma boa ideia, como opção mais saudável no modo de vida. Cheguei a pedir informações sobre workshops que se iam realizar (na altura ainda em Lisboa) e quando comentei isto com o meu homem, fui altamente gozada. Desisti dos workshops.

Como o universo é uma coisa maravilhosa e a justiça tarda mas não falha, foi o meu querido marido quem começou a dada altura a consumir papas como um menino crescido. Um dia lá experimentou e ficou fã – e eu sei por conhecimento que ele mal disse o dia em que se riu da minha intenção de workshop frustrada, que lhe teria valido umas receitas bem boas.

Ora, enquanto ele se foi mantendo consumidor fiel da iguaria, eu encostei as botas (pronto, se calhar ele conhece-me melhor que eu e sabia que a coisa não ia durar muito). Quando comia papas sentia-me mal disposta e enfartada e honestamente enjoei das combinações muito rapidamente. Por causa disso, acho que talvez há um ano que não me dedicava à causa.

Até há umas semanas atrás.
Num final de tarde mais frio de repente apeteceu-me imenso voltar às papas de aveia (que têm mesmo aquele clima de “confort food” sem serem altamente calóricas).
Experimentei uma receita básica, de aveia com leite, mel, cocô ralado (tudo cozinhado) e polvilhei com pedacinhos de granola, noz e canela. E alegria, alegria! A combinação resultou na perfeição e toda a tigela ter-me-ia sabido às mil maravilhas não fosse a minha filha ter aparecido para apreciar o prato, ir buscar uma colher para ela e rapar o tacho.

Depois desse dia tenho feito várias vezes como lanche (curiosamente sabe-me melhor ao final do dia do que de manhã e tolero bem a digestão) e acho que as papas de aveia vieram mesmo para ficar.

A receita que tenho para uma destas próximas tardes foi inspirada numa imagem que vi no Instagram, de uma taça linda e super apetitosa de papas de aveia com banana caramelizada e nozes, que juro que cheira a Natal. 

Basta cozinhar a aveia com leite e fazer à parte a banana caramelizada: banana às rodelas salteada com uma colher de açúcar amarelo (vou testar de cocô) e umas gotinhas de baunilha; depois juntar tudo, polvilhar com noz (ou outro fruto seco) e canela e ser feliz! Bom apetite! (E ainda é cedo para dizer “Feliz Natal”, certo?)

A minha alma está parva!

Lembram-se que tinha contado que o meu querido homem me fez um ultimato familiar: registar todas as despesas que faço, sem falhas?

Pois bem!
Como uma menina bonita comecei de facto a registar (ainda em Outubro) e pasmei em absoluto com o resultado deste registo. COMO É QUE SE GASTA TANTO DINHEIRO? Como??

Extrair relatórios da aplicação é mais ou menos a mesma coisa que receber chibatadas nas costas. Só vejo euros voadores para fora da minha carteira e eu juro que achava que tinha a coisa controlada.

O mais grave é pensar que não compro nada de especial mas que mesmo assim o dinheiro se vai. Dez aqui, quinze ali.. e de repente gastamos centenas de euros sem saber ler nem escrever.

Outra conclusão a que cheguei é que há sempre alguma despesa "anormal", isto é, que não se repete todos os meses mas que causa grande mossa. Um aniversário por exemplo. O problema está em que há sempre destas a aparecer - e nem quero pensar em Novembro e Dezembro, com todos os gastos de Natal. Notar que este ano às prendas acresce (a muito provável) realização do Natal cá em casa (ainda não decidido totalmente, dado o estado de gravidez profundo em que me encontrarei a 24 de Dezembro - 38 semanas) o que triplicará despesas. A este respeito devo dizer no entanto que o dinheiro gasto no Natal não me pesa na consciência porque adoro oferecer. Mas que será um rombo, será sim.

O que me pesa na verdade são as dez idas ao supermercado, as despesas em geral, uma ou outra peça de roupa e tudo o mais que me fez apanhar um grande susto deste que comecei este registo. Sem dúvida nenhuma que é um ponto a trabalhar MUITO no próximo ano com vista à poupança!

Anjinhos de Natal

Só para recordar que já está no ar mais uma vez a campanha ANJINHOS DE NATAL

Falo disto todos os anos e sinceramente não me canso de repetir, mas acho uma iniciativa mesmo bonita e mágica para esta altura tão especial do ano. Se puderem, adoptem um anjinho e façam alguma diferença na vida de uma criança e dos pais. Obrigada

O meu conto infantil

Sonhei que havia um sítio exclusivamente dedicado a publicar contos infantis de quem os quisesse publicar. Sonhei que o conto infantil que escrevi era publicado. Que o enviava para esse sítio mágico e ele virava um livro de verdade, com ilustrações queridas, com vida, com alma. Sonhei de forma tão real que acordei convencida de que não tinha sido um sonho e existia mesmo mas que, infelizmente, eu me tinha esquecido de como se chamava e não podia lá voltar.

Escrevi um conto infantil este ano e ficou no meu computador guardado. Um dia com uma amiga, prometi-lhe que contactaria uma editora para que fosse publicado e cheguei a fazê-lo. Não enviei o conto mas perguntei se recebiam histórias de autores desconhecidos (como algumas editoras fazem). Era uma editora de que gosto particularmente porque publica livros que lemos muito cá por casa mas nunca me chegou a responder. Não contactei mais nenhuma. 

O P. diz-me que publicar um livro é um jogo de números e que temos de tentar dez, vinte, cinquenta vezes, ouvir muitos nãos até alguém acreditar em nós. Mas eu sonhei, eu tinha esse sonho, de que o meu conto ia ser especial. Ainda não foi. 


Um espaço perfeito!

Descobri recentemente, embora já tivesse ouvido falar bastantes vezes, um espaço maravilhoso para crianças. Fica no Porto e chama-se Salta Folhinhas

A descrição informa que é uma livraria infantil mas eu acrescento que é um oficina e um lugar feliz. Vende livros, claro. Mas é um espaço confortável e adorável, com várias actividades para miúdos, incluindo oficinas de música, dança, artes plásticas. Há lugares mágicos e este é um deles.

Ao primeiro domingo do mês (para além de outras iniciativas periódicas) organizam o "Tocar tocando", uma oficina de música para crianças que fomos conhecer e de que ficamos fãs mas a qualquer dias que por lá passem, encontrarão de certeza bons motivos para ficar só mais um bocadinho. Por exemplo, para dedicar um tempinho à escolha de presentes de Natal!

Escrever hoje para não esquecer! (Fingers crossed!)

Como tinha escrito o mês passado, o processo de adaptação à escola não correspondia ao que achávamos que deveria acontecer (não por ser o “normal” mas por ser aquilo que desejávamos). Estava a causar-nos, aos três, ansiedade e algum sofrimento, mais irritabilidade, mais cansaço. Havia menos tranquilidade e paz.

Percebemos que forçar a situação não estava a trazer frutos e como tal decidimos mudar de estratégia. Se numa primeira fase achamos que, volvido um determinado tempo acabaríamos por desistir da escola, percebemos que poderia ainda haver um caminho a fazer antes de chegar a esse ponto e foi isso que tentamos.

Começou por perceber que o problema não era a escola em si, no geral, mas algum factor em particular. Em conversa com um profissional, foi-nos sugerido que o factor desestabilizador fosse a hora de almoço mas, porque ninguém conhece os filhos tão bem como os pais, percebemos que na verdade esse elemento estava relacionado com a sesta.

Desde o dia em que a C. nasceu e até ter interiorizado perfeitamente a diferença entre o dia e a noite, dormia as sestas na sala, com luz, e as noites no quarto às escuras. Mais tarde, por volta dos sete meses, distinguindo perfeitamente as sestas dos sonos, passou a dormir no quarto quer à tarde, quer à noite, em ambos os casos em silêncio e sem luz. Vamos dizer que leva quase três anos de sono sossegado, sem barulho, sem luz, sem interrupções.

Isto fez com que ela dormisse sempre bem, mas faz também com que não durma em qualquer lado ou de qualquer forma. Tem os requisitos e necessidades dela, que nós respeitamos e por isso não é fácil vê-la a dormir na praia, na beira da piscina ou em plena rua, como se vê a algumas crianças. A nós isto não nos traz qualquer limitação logística, na verdade nunca foi um problema.

Percebemos no entanto que estava a ser um problema para ela na escola fazer a sesta como eles fazem. Uma sala cheia de meninos, em que uns choram, outros falam, há barulhos, eventualmente alguma luz. Conseguimos perceber que a hora da sesta estava a comprometer também a hora do almoço, porque associava uma coisa à outra e sabia que, imediatamente apos comer, seguiam para a sala de dormir. Por este motivo, mal almoçava. Sabíamos também que, terminada a sesta, as tardes corriam muito melhor do que o resto do dia. Várias vezes a professora nos disse que ela “parecia outra” de tarde.

Chegamos por isso ao ponto em que identificamos como elemento problemático no processo escola a hora da sesta e que por isso uma alteração a esse nível se impôs.

Começou no dia em que regressou à escola após duas semanas em casa com gastroenterite. Como sempre faz, perguntou quando acordou de manhã se ia à escola. Dissemos que sim. Em lágrimas perguntou se ia dormir na escola e formalizamos naquele momento a nossa decisão: não, se não quiseres não dormes na escola. Esta resposta teve o efeito de a fazer parar de chorar imediatamente, como que por magia.

Desde esse dia nunca mais chorou por saber que ia à escola, nunca mais chorou ao ficar na escola, nunca mais fugiu ou se recusou a ir.

Na verdade, pergunta se vai e se dorme e se sabe que não dorme mostra até vontade em ir, desde já ter entrado na escola a correr, como a fazer corridas a ver quem chega primeiro para tocar na campainha, como até ter cantado “eu vou para a minha escolinha” numa dessas manhãs.

Talvez ainda seja cedo para conclusões (é certamente, passou apenas uma semana) mas a verdade é que notamos todos os dias a diferença entre o antes e o agora e estamos todos muito mais descansados. Pessoalmente sinto que já posso respirar.


Naturalmente que esta solução só é possível porque temos flexibilidade de horários, porque o pai pode assegurar uma hora da sesta e eu outra, porque a escola fica a 1 minuto de casa e 10 do trabalho e sobretudo porque, a manter-se mais tempo, eu estarei de licença até ao final do ano lectivo o que facilita. Em todo o caso, não temos prazos nem metas e só queremos que ela esteja bem por isso será sempre um dia de cada vez. Para já, estamos bem.

Sítios giros só porque sou amiga: food edition: Il Fornaio 178

Querem um restaurante italiano bom e fofinho?
Encontrei um!


Fica ali perto do estádio do Bessa, tem um ambiente super simpático e a comida é maravilhosa!

Para começar, trazem de entrada uma base de pizza cortada aos pedacinhos para molhar em azeite. Depois, as pizzas são óptimas! Experimentem a calzone de legumes salteados e depois venham falar comigo.
A sangria, que só provei, ficou na minha lista de espera para quando não estiver grávida nem a amamentar. Perfeita!

O preço das pizzas ronda os catorze euros e preço final por pessoa, com entrada, bebida e sobremesa, não chega a vinte. Não sendo propriamente barato, é uma excelente aposta. 

Bom apetite!


Ainda a questão do infectário

A propósito da reflexão sobre os miúdos estarem sempre doentes quando andam na escola, dei comigo incrédula,

Como é que achamos "normal" que os nossos filhos estejam sempre doentes?

Toda a gente que tem filhos (ou primos, sobrinhos, amigos, netos) na escola já disse (ou irá dizer) a dada altura "ah o meu também estava sempre doente, isso é normal."

Parece que o mundo aceita com passividade a circunstância de as crianças estarem doentes, como se fosse normal estar uma semana na escola para adoecer e uma em casa para melhorar e na semana seguinte vira o disco e toca outra vez.

Normal?
Normal é que uma criança seja feliz e saudável. Que não esteja doente, salvo excepções. Que ande bem disposta e alegre na vidinha dela, que é o que é suposto quando se é pequeno. Que não tenha preocupações nem chatices e que não se incomode. Normal não é estar doente. 

Estar doente pode ser frequente, acontecer muitas vezes, ser vulgar. Agora normal?
Anormais estamos todos por lidar com isto com tanta frieza e descontração (mas não aquela boa). De repente, os nossos filhos estão sempre doentes e nós estamos todos bem com isso porque faz parte. 

Recuso-me a aceitar isto, recuso. Bem sei que não tenho experiência em filhos em escolas mas dane-se a experiência! Não acredito que seja socialmente aceitável uma coisa que a mim me parece quase imoral. Eles vão à escola ficar doentes e voltam para casa para se porem bons e quando ficam bons vão de novo para a escola para adoecerem novamente. E andamos nisto.

Pergunta: mas afinal para que serve a escola? 

Marcas pelas quais estou apaixonada

Não vou falar de nenhum bem essencial ou de primeira necessidade. Nem se quer de marcas de roupa fofinha pelas quais nos podemos perder de amor. Vou a um nível ainda mais baixo na escala das nossas prioridades básicas mas são coisas – todas elas – pelas quais me apaixonei perdidamente! Não ajuda ter um bebé a caminho, confesso!


A primeira marca é um habitual cá em casa. Temos comprado algumas coisinhas, nomeadamente para oferecer. Mas faz também parte da decoração do quarto da C. e certamente a terei em conta quando estiver a rever os apontamentos para as duas (vão partilhar quarto, se tudo correr bem). Além disso, tem óptimas ideias para o Natal (os duendes de pendurar na árvores com os nomes, este ano não escapam!), algumas até boas sugestões para as educadoras.

Ora espreitem a Dream Pillows percam-se!






A segunda marca que faz as minhas delícias é mais virada para bebés pequeninos mas adoro todos os detalhes. Tenho namorado os ninhos, as fraldas, as bolsinhas e é tudo um amor. Tons claros e confortáveis, materiais de óptima qualidade e bebés certamente mais felizes.

Derretam com a Gloop!






Por último, mas não menos especial, uma marca que me delicia com as almofadinhas de vários temas, em especial os anjinhos. Acho um presente perfeito para um recém-nascido e uma peça mesmo especial. Há também estrelas, coroas e outros bonecos e agora uns ratinhos porta chupetas que são perfeitos. 

Deixem-se encantar também pela Let it Sweet.






O lado negro da escola

Reconheço que pelo meu último post sobre a escola a conclusão lógica a tirar é de que não existe nenhum lado que não seja negro e, nessa medida, o título não é o mais apropriado.

Ainda assim, vou manter, na convicção de que a escola terá um lado maravilhoso um dia, mas que há sempre um outro menos maravilhoso (ou para usar uma expressão mais realista, um francamente mau).

Estou a falar, obviamente, da condição de “infectário” que afecta todos os infantários. A propagação de bichos e a velocidade com que os miúdos ficam contaminados com porcarias várias. Ainda não me habituei a isto, duvido que alguma vez habitue e estou aliás bastante surpreendida pela negativa com esta pendência.

Se não, vejamos:

Ao fim de quatro dias na escola, tinha uma filha constipada.
Ao fim de duas semanas, tinha uma filha com gastroenterite, que ficou uma semana em casa a vomitar dia sim, dia não.
Após o regresso, ao fim de uma semana estava constipada outra vez.
Quatro semanas depois, um dia com febre e nova gastroenterite com mais dias em casa.

E ainda só estamos em Novembro por isso eu temo a onde isto vai parar.

Aquando da segunda vaga de gastros na escola, foi enviada uma informação aos pais pedindo, reforçando na verdade, que não deixem os meninos na escola quando estão com febres, diarreias ou afins por que isso determina contágios vários aos demais. 

Olha que caraças!
Assim naturalmente que não vamos a lado nenhum.

Eu estou solidária com os pais que não têm alternativas e, vendo a coisa pelo lado do bem, nem imagino o que deve custar deixar deliberadamente um filho doente na escola.

Mas, por outro lado, e a saúde dos outros?
Não há alguém que tome conta?
Não se falta ao trabalho?
Recordo que a segurança social paga as faltas para assistência a filho e que os pais com filhos pequenos têm direitos.

Posto isto, vamos todos ter mais um bocadinho de cuidado, pode ser?
A saúde agradece.

Aquele sonho de mudar de vida

Quando estive de licença de maternidade da minha primeira filha, houve um período em que me convenci que ia mudar de vida. No meu plano deixaria o meu trabalho e ia dedicar-me a uma actividade profissional totalmente diferente. Entusiasmei-me com esta ideia, fiz planos e tive sonhos. Quis aprender um ofício novo, acompanhar outra realidade. Mas no fim de contas não deu em nada e eu voltei ao meu trabalhinho no fim da licença.

A ideia de termos um longo período de tempo “livre” à frente (sendo certo que de verdadeiramente livre tem muito pouco) dá-me esta sensação de que posso ser tudo, posso mudar tudo, posso fazer diferente. 

O meu perfil de risco impede-me muitas vezes (quase sempre) que avance seja em que sentido for que não o garantido e isto é uma entropia gigante no processo. Uma rocha na engrenagem. Porque os meus sonhos só serão realidade no dia em que eu puder tirar deles alguma certeza e se há algo nos sonhos, é exactamente que podem não se realizar.

Ainda assim, a esta distância, continuo a acreditar que é possível, que poderei mudar de rumo, começar de novo, arriscar, fazer melhor. Escrever como modelo de vida. Organizar eventos. Guiar turistas. Vender material de papelaria. Abrir o nosso espaço oficina. Tantos sonhos…!

A três é infinitamente melhor

Outubro foi um mês em que o meu marido teve de viajar algumas vezes, por alguns dias. Esteve sensivelmente duas semanas fora (ainda que não seguidas) e a nossa casa muito mais vazia.

Finalmente regressou (até à próxima, bem sei) e nós somos tão mais felizes a três! Há todo um equilíbrio e energia que flui mais positivamente.

Note-se que isto nadatem a ver com divisão de tarefas ou trabalhos em casa, a minha questão não é essa. Claro que se puder ser o P. a dar banho enquanto eu faço o jantar, melhor!, mas eu desenrasco-me sozinha. Eu consigo viver sem ele, na perspectiva de que as coisas se fazem, mas sou infinitamente mais feliz quando ele está.

Produtos de grávida

Vou recuperar um post antigo (do tempo em que tinha dois blogs e muito tempo livre) mas que se mantém actual para falar de produtos que uso na gravidez. Verifico, três anos depois, que vira o disco e toca o mesmo: uso exactamente as mesmas coisas (apenas com um novo elemento - já lá vamos).

Eis o que escrevi em Agosto de 2014:



Musts - Produtos de grávida

Comprei o Anti estrias Velastisa da Isdin e acho-o realmente muito bom. Bastante caro quando comparado com outros - em especial linha de supermercado - mas francamente bom.


Quando acabou não voltei a comprar.
Não porque não tivesse gostado mas porque quis mesmo experimentar outra coisa.

Tinha conhecido entretanto a linha nove meses da Mustela. O creme das pernas é a oitava maravilha do mundo - já lá vamos - e a marca tem também creme e óleo para estrias.

Apostei então no creme, que trazia de oferta o óleo e fiquei a conhecer os dois.

Quanto ao creme anti estrias dupla acção Mustela 9 meses
Não é tão bom como o da Isdin, embora cheire muito bem e seja também mais amigo da carteira.
Tem um inconveniente para mim que é o ser difícil de espalhar. Faz uma pasta branca fina que demora bastante a absorver. Conclusão, a pessoa fica ali cinco minutos até ver o creme desaparecer. Talvez isto tenha algum benefício na absorção mas a mim não me agradou particularmente. Fora isso, é um bom creme.


Em relação ao óleo de cuidado estrias Mustela 9 meses
Eu sou fã assumida de óleos hidratantes. O do Boticário faz de mim uma pessoa mais feliz e já perdi a conta aos que já comprei. Desde que entravidei deixei no entanto de usar já que ao que parece é pouco aconselhável. Este da Mustela, para os meus padrões elevados em óleos, não é um anjo na terra mas não é mau. Uso essencialmente à noite e de manhã o cheiro ainda se sente. Na pele e no pijama. É a beleza dos óleos, de resto.


Ainda assim, e considerando que os produtos são para o que servem, a utilização diária dos três até este momento tem-me poupado às estrias por isso cumprem a sua missão. Usei o Velastisa uma vez por dia até acabar e quando comecei com o Mustela usei o creme de manhã e o óleo à noite. Ultimamente, e porque deixei o óleo em casa, ponho o creme de manhã e à noite. Não experimentei outros produtos mas estou satisfeita com qualquer um deles.

Satisfeita também mas para lá de contentinha, deixou-me o creme bem estar instantâneo pernas, também da Mustela 9 meses. Foi simplemente o melhor produto que me aconteceu na gravidez e já vou na segunda embalagem. É fresco e fofo e dá um alívio imediato a pernas entorpecidas. Muito, muito bom. Vai cem por cento recomendado.




Adicionalmente (voltamos a 2017), tenho um amigo novo.


É assim maravilhoso (como de resto todo o Boticário) e faz um efeito enorme nas pernas cansadas. Uso todos os dias, intercalado com o da Mustela e estou fã.

A pergunta é: como é que eu vivi sem isto 30 anos?

Este ano implementamos uma melhoria considerável (algumas, na verdade - também já falei do planeamento de refeições) cá por casa. 

Uma delas foi adoptar um organizador semanal, que é a minha bíblia. 
Honestamente não sei bem como me organizava antes disto mas veio sem dúvida nenhuma ajudar imensamente a minha rotina. Deviam dar isto a todas as pessoas e promover a sua divulgação!



De forma resumida utilizamos este amigo para anotar todas as coisas de que não nos podemos esquecer (festas de anos, jantares, eventos) mas também para todas as refeições e lanches da C., viagens, consultas, listas de compras. Basicamente, para tudo!

Algures ao fim-de-semana sento-me à mesa com ele para planear as refeições, fazer a lista de compras e tomar nota do que não me posso mesmo esquecer! Durante a semana é só ir olhando para lá (está num porta livro de receitas na cozinha). Uma coisa tão simples mas que facilita tanto, tanto, tanto a rotina! Experimentem!

Madalenas

Eis algo que nunca aqui ponho: receitas.
Mas esta vale mesmo a pena, porque é fácil, rápida e óptima!
Vem a ser: Madalenas!

Bom, vou começar pelo disclaimer: não é uma receita saudável. Tem açúcar e manteiga, o que eu gostaria de evitar mas sem perder o sabor (impossível, eu sei). Em todo o caso, fiz algumas adaptações à receita original (encontrada na net), reduzindo quantidades dos ingredientes menos amigos e acreditem que resultou mesmo muito bem.

Espero que gostem!

Madalenas


Ingredientes:

3 ovos
100 gr. de açúcar
100 gr. de farinha
1 colher de chá fermento
90 gr. de manteiga
Raspa de uma laranja


Preparação:

Pré-aquecer o forno a 170º
Bater muito bem os 3 ovos com o açúcar.
Juntar aos poucos a farinha misturada com o fermento e mexer muito bem.
Juntar a manteiga, previamente amolecida.
Por fim, juntar a raspa da laranja.
Mexer a massa até formar bolhas de ar (ou doer o braço!)
Colocar em forminhas de papel e levar ao forno (170º) por cerca de 15 minutos (testar antes com o palito).
Rendeu 12 unidades.

Resultado final: uma família feliz!


Adeus gel!

Se se recordam, este ano em Janeiro converti-me ao maravilhoso mundo do gel. Até então estive resistente mas admito que as minhas unhas nunca andaram tão bonitas como desde essa altura.
As características das minhas unhas permitiam que o gel aguentasse perfeitamente entre quatro a seis semanas e eu vivi contentinha todos estes meses.
Até ao Verão.

Antes de ir de férias fui como habitualmente fazer manutenção e algo em mim fez com que tivesse decidido que aquela seria a última vez. Foi, de facto. Desde Agosto que não aplico gel (o que redunda numas unhas tipo Halloween) e tenho mãos mais feias.

Na decisão pesou sobretudo aquela desconfiança que sinto em relação ao processo em si, e que na verdade foi aquilo que me fez nunca querer aplicar gel em todos estes anos. Agravado agora pelo facto de estar grávida e achar que algum maleficio pode existir para mim mas também para o bebé. Naturalmente que isto nada tem de cientifico, é só a minha convicção pessoal.


Talvez possa rever esta posição depois de ela nascer mas até lá vou manter-me sem gel e luzes nas mãos porque me parece uma opção mais saudável (ainda que infinitamente menos estética) por isso adeus gel, gostei muito deste bocadinho!


Sessão de fotos

Não fizemos sessão de fotos no nosso casamento. Nem de solteiros, trash the dress ou lua de mel.
Não fizemos sessão de fotos quando estava grávida, nem de recém-nascido, três, seis ou nove meses.
Nunca fizemos uma sessão de fotos de Natal em família. Nem de Verão ou Páscoa.

Adoro, absolutamente, fotografia, mas "sessões de fotografia" têm uma carga não natural com a qual não me identifico.

Esta semana comecei no entanto a pensar que era giro ter umas fotografias da gravidez e da C.
Quando estava grávida da primeira vez ia tirando algumas fotos da barriga e fazendo esse registo. Desta vez, nem uma única, salvo aquelas que às vezes as amigas me pedem para enviar para irem acompanhando a "sobrinha."

Achei no entanto que uma ida ao parque nos tons de Outono, mãe e filha vestidas de tons parecidos, podia resultar uma coisa querida e meti uma cunha ao meu marido.

É assim que hoje espero acabar este fim-de-semana tão bom: nós os três com relva, folhas e árvores e a nossa máquina na mão do pai, para recordar um momento especial.



Bom domingo!

Registo de despesas

O meu querido homem fez-me um ultimato, com início a 1 de Novembro.
Vem a ser: tenho de passar a registar todas as despesas que faço. Pronto.

Ora, isto é um problema porque pese embora eu saiba (de cabeça) onde gasto (mais ou menos) o dinheiro, a verdade é que não tenho o hábito de registar. O que significa que terei certamente desagradáveis surpresas ao verificar que gasto mais do que imagino. Mesmo comprando apenas o necessário, mesmo não cedendo a (muitas) tentações, mesmo não gastando mal gasto. Mas faz parte (digo eu). Um miminho, uma prendinha, alguma peça de roupa (e note-se que deixei de comprar para mim, mas tenho uma filha e outra a caminho e as coisas de criança são demasiado giras).

Isto posto, adquiri uma app para registo de despesas e vou treinar durante Outubro para em Novembro estar apta a executar em condições a tarefa que senhor meu marido me deu: registo completo de cada cêntimo que saia desta carteira.

O meu objectivo a curto prazo é reduzir custos e saber com rigor para onde vai o dinheiro, potenciando eventualmente as poupanças. A boa notícia é que (dizem) o ser humano só precisa de vinte e um dias para adquirir um novo hábito, pelo que ainda há esperança para esta alma que tem zero prática de organização de gastos. No final de Novembro falamos! 



Eu era essa pessoa

Lembro-me de ter passado grande parte da minha vida a meter-com uma tia por jantarem antes das oito. Na verdade o que eles faziam é que, ainda antes de começar o telejornal, já tinham jantado e arrumado a cozinha. Eu achava aquilo coisa de terceira idade. Parecia-me até que confundiam lanche com jantar.

Ontem jantamos às sete e meia!
Sete e meia!

Não me reconheço bem neste horário, embora admita as suas vantagens, mas confirmo mais uma vez que não podemos cuspir para o ar porque nos cai definitivamente em cima.

Em regra, nas nossas rotinas o jantar acontece pelas oito (oito menos cinco, oito, oito e cinco, por aí) mas porque havia uma criança em casa a cair de sono com a falta da sesta, acabamos a jantar mais cedo, para ela ir dormir também mais cedo.

Jantar às sete e meia; ou melhor, jantar às oito tem inúmeras vantagens. Desde logo estamos despachados cedo para brincar um bocadinho antes de ir para a cama e conseguimos deitar a C. antes das nove e meia. Tem-lhe rendido onze horas, às vezes onze horas e meia de sono por noite, o que me parece óptimo. Quanto a nós, dá tempo para sentar no sofá, conversar, tratar de coisas da casa quando é preciso, adiantar para o dia seguinte e dormir um número simpático de horas também.

Acho que se impõe um pedido de desculpas formal à minha tia com quem gozei tantos anos porque de facto ela sabia mais do que eu. Viva os jantares das oito horas!



P.S Naturalmente que as regras só valem a pena pelas excepções e os fins-de-semana são as alturas para excepcionar. Prova disso é que um destes últimos sábados fomos jantar à Foz às dez da noite, miúda incluída!

Então e a gravidez?

Ora então que por aqui andamos, grandes e pesadas, com uma bola a fazer de barriga e um bebé a crescer.

Entrei oficialmente no terceiro trimestre e curiosamente já começo a sentir os seus efeitos mas o segundo foi tranquilo e maravilhoso. Sem dúvida, o meu preferido. Zero enjoos, zero sono extra, zero cansaço. Energia para dar e vender (e falamos um bocadinho sobre isso aqui)

Nas últimas semanas a barriga deu um salto significativo e começo a entrar naquela fase em que tenho de ser criativa para ter posição para dormir e em que sinto efectivamente que me canso mais.

Dizer isto, eu que acho que sou super mulher e posso fazer tudo, é admitir uma fraqueza que gostava que ficasse reservada mais para as trinta e oito semanas. Mas a verdade é que há dias em que sinto mesmo bastante cansaço e em que juro que vou abrandar o ritmo.

Até abrandar efectivamente, continuo a fazer tudo, incluindo colos e banhos da C. mas sinto que para já ainda consigo. Acho que o importante é saber ouvir o nosso corpo e parar quando ele manda parar.

Quanto à bebé, mexe imenso, curiosamente bastante à noite o que só pode querer dizer que está a aproveitar ao máximo as noitadas que ainda lhe restam já que a partir do nascimento será um sossego (certo filha?) e já conseguimos ver uns saltinhos na barriga.

Contamos entretanto à C. que vem aí uma irmã e tem sido giro ver algumas reacções dela, como o pai fazer uma festinha e ela dizer preocupada "cuidado com a minha irmãzinha!" ou eu sair de casa e ela ficar e vir dar-me um beijinho a mim e outra à barriga. Um doce! 

Na parte logística, não tratei do quarto nem das malas mas como será um processo fácil, qualquer destes dias poderei fazê-lo. Vamos montar o berço que era da C. (e já foi meu!) no nosso quarto e criar se possível um espaço para muda fraldas. De resto, há algumas comprinhas a fazer, como os produtos de higiene e fraldas, mas ainda não é uma urgência. Roupas, mantas, lençóis estamos devidamente abastecidos e a loucura que queria fazer já a fiz: comprei um marsúpio apto desde o nascimento (o nosso é a partir dos 6 meses) e imagino a minha vida vestida com a pequenina a ir buscar a mais crescida.


Em termos de tempo, o fim da gravidez está tão próximo como o final do ano (sensivelmente) o que significa que será tudo a voar (como de resto até aqui) por isso haja saúde!

Licença para ser mãe

Já aqui contei a experiência laboral da minha primeira gravidez. Não correu bem, não foi maravilhosa. Na verdade, e em resumo, a minha chefe à data mandou-me esconder o máximo de tempo possível e embora sinta que não tenha ficado com nenhum trauma profundo desse tempo, é uma coisa que não esqueci. O peso na consciência que me fizeram sentir por ter engravidado, fez com que me tivesse disponibilizado para trabalhar ao fim de três meses e que não tenha se quer equacionado a possibilidade de alargar a licença.

Com esta segunda gravidez decidi desde o primeiro dia que ninguém no mundo me faria sentir culpada por ter engravidado. Contei ao meu chefe e a toda a gente sem medo e sem culpa. Ninguém tem o direito de nos fazer acreditar que não deve ser assim. Continuei e espero continuar a trabalhar até muito próximo do parto (da C. foi até ás 23:00 h. da véspera – em minha defesa, eu não sabia que ela ia nascer naquele dia) mas tenho planos diferentes para a licença.

Digo isto em voz alta para me mentalizar: vou fazer nove meses de licença de maternidade.
(pronto, já disse!).

Vamos por partes.

Primeiro:
Em rigor cientifico, não são nove meses de licença; são oito. Na prática, em correndo conforme o planeado, estarei fora nove meses, porque entre o fim do quinto e o início do sétimo mês, terei um período de férias (sexto mês, que coincide com a licença do pai). Quer isto dizer, contas redondas e – reforço – em correndo como o planeado, que entre Janeiro e Outubro do próximo ano vou estar dedicada à coisa que considero mais importante do mundo: um filho (filha, neste caso).

Segundo:
Se tenho isto totalmente decidido na minha cabeça? Não tenho mas quero muito.

Ando a repeti-lo vezes sem conta numa tentativa de auto convencimento mas reconheço todos os contras, em especial um: Nove meses afastada de uma empresa são nove meses afastada de uma empresa e só faz falta quem está - ou outras pérolas de conhecimento.

Reconheço que dar a notícia a um chefe (coisa que ainda não fiz) de que estarei fora nove meses não será fácil de digerir e nem vale a pena tentar convencer-me de que ele terá de resolver esse problema porque eu percebo a fragilidade do meu argumento. Tem impacto. Faz diferença.

Claro que quem tem gravidez de risco e vai para casa aos dois ou três meses, acaba por estar afastada tanto ou mais tempo e ninguém “pensa menos” dessas pessoas. A grande diferença está no entanto na opção de escolha: eu posso escolher tirar três, cinco ou nove meses e se eu escolher nove (eu vou escolher nove!), sou eu que deliberadamente me quero afastar esse tempo todo.

Não conheço casos de pessoas próximas que, em instituições privadas, tenham feito licenças prolongadas. Apenas uma ou outra pessoa a quem ouvi comentar mas sem conhecer o processo. Portanto sinto-me totalmente nova nisto, sem grande apoio na verdade, sem exemplos a quem recorrer para defender o meu argumento (o outro lado diz: mas qual argumento? Não tens de defender nada! És mãe, queres fazer nove meses, fazes, end of story)

Isto posto, dá para perceber a dicotomia, certo?
Mãe que quer muito estar nove meses a lamber a cria versus profissional que reconhece as implicações de estar nove meses longe do trabalho.


Quero muito estar em paz com esta decisão porque a minha prioridade é a minha família mas no fundo sinto que ainda correrá alguma água debaixo desta ponte. 

O lado bom de passar a ferro

Há coisas das lides de casa que não me importo de fazer, outras de que até gosto. E depois há passar a ferro, que é simplesmente a pior tarefa da história das tarefas domésticas. Uma hora a pé em frente a uma tábua e montanhas de roupa é coisa que não me alegra nem um bocadinho. Mas como o que tem de ser tem muita força, lá vou tendo encontros marcados com tábua e ferro, duas a três vezes por semana e a vida é mesmo assim.

Ora, nas várias investidas que tenho tido nesta arte, apercebi-me de que há afinal um lado positivo de passar a ferro. Sendo nosso dever ver o copo meio cheio de todas as coisas, eis o meu: passar a ferro dá-me tempo para pensar.

Não sei que tipo de esforço faz o nosso corpo na execução desta tarefa, mas a verdade é que dou por mim uma hora ou uma hora e meia super concentrada em algum tema, como não acontece com nenhuma outra actividade de casa. Suspeito que tenha a ver com o facto de a) ser prolongado no tempo; b) não implicar deslocações pela casa; c) ser constante e sem interrupções; d) ser repetitivo.

A combinação destes factores, e de outros possivelmente, resulta para mim num período de grande concentração e foco em pensamentos, que de outro modo não teria. Encontrei por isso uma coisa boa em passar a ferro. Cheira-me até que sempre que precisar de concentração ou relaxamento cerebral, me agarro à tábua e não se fala mais nisso.

Foi precisamente numa destas noites que durante o tempo em que estive a passar, revi mentalmente a história de como o P. e eu chegamos ao sítio em que estamos. Como nos conhecemos, quando, onde, em que circunstâncias, o que aconteceu depois e a seguir, em que momentos, com quem. Foi tão real e detalhado que quase lamentei o fim do cesto da roupa e o desligar do ferro.

É precisamente essa história que quero contar, agora que recordei com tanto detalhe e o que me proponho a fazer nos próximos tempos. Uma história de amor como as histórias de amor devem ser: feliz para sempre.


(Aguardem) 

30 ou a versão 3.0

Tenho a sensação de ter passado uma parte dos 20’s com receio dos 30 mas ter feito 30 não foi uma experiência traumática (antes pelo contrário! Basta recordar a festa surpresa que o meu marido me fez!)

Além dos meus 30, este ano as minhas três amigas mais próximas fizeram também elas 30 anos, tendo sido a última esta semana. Somos oficialmente todas trintonas o que deu mote a uma conversa sobre sermos agora a nossa melhor versão – a versão 3.0.

Começa por termos agora aos trinta, coisas que não tínhamos aos vintes, como os filhos. Mas também por termos mais calma, mais paciência, mais experiência, maior tolerância, mais foco no que é importante e mais abstracção ao que não importa. Aceitamos melhor e criticamos menos. E sobretudo, fazemos muito mais.

Na segunda-feira de manhã estávamos exactamente a partilhar o começo do dia e concluí, com algum orgulho confesso, que

Aos trinta, acordei às 7:30 h. da manhã, tomei banho, vesti-me, maquilhei-me, arrumei o quarto, arrumei a roupa que tinha passado a ferro na véspera, vesti a C., dei-lhe o pequeno almoço, preparei a lancheira com o lanche dela e a minha com o meu almoço, lavei a loiça do pequeno-almoço, levei-a à escola, fiz um bolo que deixei no forno e saí para trabalhar antes das 09:30 h. Se tivesse 20, ao meio dia ainda estaria a dormir.


Crescer melhorou-me a capacidade de multi-tasking e se não fosse por mais nada, os trinta já teriam valido a pena. Não acho que esteja mais velha nem pior. Estou em versão 3.0 e gosto da minha vida!


Comprei o livro mais querido

Chama-se “Um amor de irmã” e é de Astrid Desbordes e Pauline Martine.

Começa assim,

“Um dia, os meus pais disseram-me que eu ia ter uma irmã pequenina.
Não me lembro de a ter pedido.
Ainda assim, fiquei contente.”


Todo o livro gira à volta desta ideia: o irmão mais velho teve uma irmã mais nova e há toda uma evolução à volta disso. Mas tão carinhosa, tão doce. Um amor, mesmo. 
Vamos começar a lê-lo à C. a preparar terreno para a I., porque toda a ajuda não será de mais!




Finalmente, a escola

Post escrito em 11-10-2017

O processo de escolha da escola da nossa filha não foi difícil. Não porque não fosse importante (era extremamente importante!), mas porque adoramos a que acabamos por escolher. Visitamos quatro, falamos com amigos sobre várias e escolhemos a primeira.

A escola da minha filha fica a 200 metros de nossa casa, no mesmo passeio. Vamos e vimos a pé. É prático, cómodo, fácil – embora este não tenha sido o argumento principal a pesar na decisão.

A escola da minha filha fica numa casa linda, com jardim, relva, árvores, brinquedos de exterior. A sala dela fica virada para o jardim com uma parede toda em vidro e uma porta também em vidro com um degrau pequenino de acesso.

Na sala dela há diversos espaços, de leitura, de brincadeira, de “trabalho”. Há desenhos feitos pelos meninos e paredes decoradas com fotografias deles.

Na escola da minha filha há música clássica sempre a tocar baixinho.

Na escola da minha filha todas as pessoas que lá trabalham são imensamente simpáticas, queridas, disponíveis. Tratam-nos por “papás” e nós tratamo-las pelo nome. Tratam todas as crianças pelo nome, independentemente da sala e conhecem-nas.

A escola da minha filha é familiar e pequenina. Tem um ambiente de casa, calmo, tranquilo. Há sol e tranquilidade. O ambiente é de paz.

Na escola da minha filha falam em inglês e em português (e ela já conta até “ten”). Têm um dia do conto, um dia da música, um dia da ginástica, um das experiências. Há variedade nas actividades e muito tempo livre de brincadeira.

Na escola da minha filha há comidas saudáveis e bolinho de iogurte se alguém faz anos.

Na escola da minha filha há a educadora dela, que é um amor. Que a trata com carinho e a recebe ao colo. Que durante o dia nos manda às vezes um e-mail com uma fotografia a dizer que a C. está bem.


Nós sabemos no entanto que a C. não está bem.

A minha filha acorda de manhã e a primeira coisa que pergunta é se vai para a escola. Se a resposta for sim, começa a chorar. Às vezes ainda não sabe a resposta e já chora.

A minha filha está em casa entre trinta minutos a uma hora antes de sair, entre vestir, tomar o pequeno-almoço e arranjar e chora o tempo todo. Pode distrair-se às vezes por meio minuto, com os nossos esforços sobre-humanos de mudar o foco, mas volta ao mesmo.

A minha filha fala na perfeição e diz, cinquenta, cem, duzentas vezes que não quer ir para a escola.

A minha filha chora em casa, chora no caminho, chora à porta, chora quando entra, chora na sala e fica a chorar.

(Eu também choro. Choro quando fecho a porta da escola e no caminho e até ao trabalho).

A minha filha chora em escala e quanto mais perto da escola está mais chora.

A minha filha chora à segunda-feira, mas a todos os outros dias da semana também.

A minha filha foge-nos em casa e esconde-se atrás dos móveis enquanto chora e diz que não quer ir.

A minha filha recusa-se a entrar na escola e tenta fugir.

A minha filha tem de ser levada ao colo para que entre e é em choro que passa para o colo da professora.


Passou um mês e meio (com uma semana de interrupção por motivo de doença) e continua tudo exactamente igual ao dia em que se apercebeu que a escola era para todos os dias.

Levamos a C. à escola todos os dias e todos os dias eu me sinto um bocadinho pior.

Todos os dias me sinto má mãe.

Todos os dias sinto que estou a fazer mal à minha filha.

Todos os dias desejo com todas as minhas forças que seja sábado.

Todos os dias me faço de forte à frente dela para rebentar em lágrimas mal a deixo.

Todos os dias da minha vida me irei lembrar dos olhos dela quando está a chorar desesperada no colo da professora e eu viro costas e fecho a porta

(porque alegadamente os pais não devem prolongar o processo de os deixar, que só piora o sofrimento)

Todos os dias me sinto culpada.

Todos os dias sou uma péssima mãe.

Todos os dias passo o dia em angústia à espera do momento em que posso sair para a ir buscar (e Deus sabe que o tenho feito sempre uma hora antes do que devia).

Todos os dias são difíceis.

Todos os dias desejo que seja diferente.


E sim, há problemas muito mais graves e fossem estes todos os males do mundo porque isto se irá resolver (plano B ou solução natural) mas dói e custa e eu não estou a saber lidar com isto. Não a conseguir ajudar corroí-me todos os dias um bocadinho e sinto que estamos a chegar a um ponto em que outras soluções terão de ser adoptadas.

E não me digam que as crianças têm de aprender, que sofrer faz parte, que a vida não é fácil porque ela tem três anos e a vida toda para aprender.

Não me digam que estes níveis de ansiedade e stress podem contribuir positivamente para o desenvolvimento de uma criança porque eu acredito exactamente no oposto.

Não me digam que a escola faz bem porque claramente neste momento está a fazer-lhe mal.

Vou esperar até ao limite do que definimos como razoável. E se nada melhorar (e nós estamos a tentar tudo) então só haverá uma coisa a fazer

Pequeno resumo do que foi e aí vem em Outubro

7 de Outubro: anos da C.
15 de Outubro: jantar de inauguração da casa da N. e S.
16 de Outubro: anos da minha cunhada
22 de Outubro: anos do meu sogro
28 de Outubro: anos da F. em Lisboa
29 de Outubro: anos da minha mãe

Ao que acresce:

2 a 4 de Outubro: P. em Londres
10 a 13 de Outubro: P. nos Estados Unidos

Bem como:

11 de Outubro: consulta da C.
16 de Outubro: consulta no centro de saúde
17 de Outubro: consulta médica
18 de Outubro: consulta dentista
23 de Outubro: consulta pediatra
30 de Outubro: consulta médica

Valha-nos um super calendário semanal no meio da cozinha!



Cisca – Serviços matrimoniais, Lda.

Casei dois amigos!

Quer dizer, não foi bem, bem casar porque por cá ainda não temos o famoso “by the powers vested in me by the State of ... i now pronounce you husband and wife” mas anda lá muito perto!

Julgo ter dito algures por aqui que tinha apresentado dois meus amigos de longuíssima data que não se conheciam entre si (como é possível?) e que ele tinha voado para Inglaterra para a visitar.

Ora eis se não quando estes dois bons e antigos amigos se apaixonam perdidamente um pelo outro e temos amor no ar que é lindo de se ver.

Sim, só passaram meia dúzia de meses; sim, tem margem para não ser um conto de fadas mas, caramba!, o amor é lindo! Andam os dois tontinhos, tontinhos, quais adolescentes irreverentes no primeiro amor. E eu feliz da vida, não só porque os juntei, mas porque os vejo mesmo bem – perfeitos um para o outro! São aliás um desses exemplos de perfect match – iguais no café com gelo, nas claras de ovos, nas omoletes, no abacate e na proteína.

Como é que em décadas de amizade comum nunca nos tínhamos lembrado que poderiam ser almas gémeas? Ora isso, é favor perguntar ao meu homem, já que foi ele que se lembrou que os dois “tinham tudo a ver.” Aliás, isto foi um caso sério de trabalho de equipa, em que o P. pensou e eu executei e em que por isso seremos – com orgulho imenso – os padrinhos (quando / se casarem, naturalmente e eu a pôr o carro à frente dos bois!).


Pronto, estou feliz por eles, no fundo é isso e acredito no amor por isso sei que isto só pode correr bem e – se este blog lá chegar – ainda cá voltarei para contar que vou ser tia! Palminhas!