Se é para ser, então bora!

Quando a pandemia ainda não tinha começado em Portugal, eu já estava francamente em pânico! Em Fevereiro já me queria fechar em casa e não falar com pessoas por isso quando se avançou para o primeiro confinamento, eu respirei de alívio, mas sofri muito, ainda assim, com o receio do que podia acontecer - mesmo os quatro fechados e isolados em casa. 

No segundo confinamento, as escolas ainda não tinham fechado e eu já pedia a todos os santos que fechassem porque tinha, novamente, imenso receio. Foi um alívio fechar tudo e isolarmo-nos outra vez - sendo que entre a primeira e a segunda vaga, nunca deixamos de trabalhar a 100% em casa.

Passamos por isso um ano muito fechados em nós, com alguma actividade social no verão de praia casa e casa praia (às tantas já nem ao parque íamos) mas fomos uma única vez jantar fora (e a uma esplanada) e a única loucura foi o fim-de-semana dos anos do P. em Setembro - sendo que nos da C. em Outubro marcamos, fizemos as malas e depois não fomos e desfiz tudo à hora de sair de casa.

Entretanto as coisas começam a melhorar e decidimos que, a aproveitar, deve ser agora - antes que tudo piore outra vez! Dizemos isto mas é tudo com juízo e o mais na rua possível. Mas ainda assim, passamos o fim-de-semana fora! Foi, literalmente, a loucura total! Pareceu um mês de férias num resort de luxo com tudo incluído! Sendo que na verdade foram dois dias a 150 km. de casa. Mas tinha quarto de hotel, tinha pequeno-almoço de hotel, tinha piscina de hotel e tinha passeio! E foi TÃO bom! As miúdas deliraram com a piscina e nós aproveitamos imenso também - sem dúvida a repetir!! E com fé que isto tudo passe!

Abrir o peito e aceitar

No final de Abril organizei, com duas colegas, um evento de duas tardes para três equipas. Éramos trinta e poucas pessoas, deu (ainda assim) imenso trabalho, mas foi (verdadeiramente) um gosto! Do evento faziam parte dois worskhops, de onde saíram algumas ideias e palavras-chave - que usamos depois para estampar numa recordação que enviamos a todos os participantes. A imagem que estampamos fomos nós que criamos, desde a folha em branco até ao resultado final; como tal, olhamos para ela dezenas de vezes, vimos, revimos, refizemos, tornamos a ver; depois disso circulamos entre algumas pessoas e enviamos a versão final para todos os trinta e tal participantes. Depois disso, enviamos ao fornecedor dos presentes, que estampou a imagem, imprimiu e entregou em casa das pessoas.

Tudo normal!

O detalhe desta história é que numa das palavras da imagem, havia um erro. Numa palavra de cinco sílabas, repetimos uma. Resultou uma palavra estranha e mesmo uma coisa muito ridícula! Sentimo-nos cobertas em vergonha; especialmente porque não fomos nós a reparar, mas sim um dos participantes que nos chamou a atenção. Rastejando na vergonha!

Reunimos de emergência com o fornecedor para perceber alternativas, negociamos o melhor preço possível para uma eventual reposição, contactamos outro fornecedor de autocolantes, como terceira alternativa e passamos uma manhã em stress com a asneira que fizemos. Até que reunimos com quem de direito para expor o caso, assumir responsabilidades (e o custo, obviamente!) e a reação dele foi surpreendente. Não só se riu imenso, achando imensa piada à história; como nos proibiu em absoluto de avançar com qualquer substituição ou arranjo. Qual era o mal? É só uma palavra! Deviam brincar com isso.

Na manhã seguinte estava com o e-mail aberto para escrever uma chamada de atenção / pedido de desculpas a todas as trinta pessoas; saiu-me algo como sermos tão espetaculares que as palavras normais já não chegam e temos de inventar novas; e o que se passou a seguir foi um abraço digital.

Toda a gente apreciou a criatividade da assunção do erro; mas mais do que isso, toda a gente deu os parabéns pela humildade de o assumirmos. Abrir o peito e dizer: fizemos asneiras, não é grave, vamo-nos rir e seguimos em frente. Foi uma onda de aceitação e apoio, mesmo bonito. E que me pôs a pensar que, na verdade, se calhar às vezes estamos tão focados a resolver eventuais erros que fazemos, que não vemos que podia ser melhor simplesmente admitir e avançar. Às vezes, não há mal nenhum e não há julgamento. No nosso caso só houve mesmo suporte e uma nova palavra inventada! 

Olha que coisa mais linda!

 



Se não é o caderno mais bonito que já viram em toda a vida, olhem melhor! Este fofo, lindo, coisa boa, foi a minha prenda do dia da mãe e estou apaixonada! Tão apaixonada, que ainda nem consegui escrever nele, para não estragar! - é um problema que tenho com cadernos bonitos.

Andava a namorá-lo há séculos na Note, mas o meu santo marido mandou vir da origem, em cadernointeligente.pt  onde há mil e uma coisas e fiquei perdida já mil vezes. Quero tudo! Depois não digam que não sou amiga!

Tenho um assignment para esta semana

No início da semana, porque as segundas são particularmente difíceis, o homem deu-me esta missão de responder a uma pergunta tão simples e singela:

- (se não tivesses de pensar na parte financeira) o que queres mesmo fazer?

Não é bonito? E incrivelmente complicado, já agora?

Podia ser técnica das finanças, mulher do lixo, vendedora de hambúrgueres, presidente da república, voltar a estudar... o céu é o limite! O que é que eu queria mesmo fazer?

A triste resposta desta questão é que não tenho bem a certeza. E é triste em si mesmo, por não saber exactamente, mas triste sobretudo porque podemos ser tudo e simplesmente não somos, ou por falta de imaginação ou de coragem. Acho que isto faz de mim uma pessoa mais vazia e menos interessante, o que é sempre chato. 

Na verdade, se eu pudesse ser tudo, gostava de fazer festas e organizar eventos, gostava de ter uma papelaria and stuff cheia de luz, com eventos, espaços de festas e memórias maravilhosas.  

Mas também queria ser mãe a tempo inteiro, ir levar e buscar da escola a horas em que pudéssemos brincar na rua, participar nas actividades, ajudar com os trabalhos, levar a casa dos amigos, receber amigos em casa, levar e trazer de actividades extra curriculares, como a dança, a natação, o ballet e ter tempo para eles. Não precisar de dizer nunca "agora não posso, estou numa reunião" porque podia sempre e o tempo era meu. 

E gostava ainda de escrever e viver da escrita. Fazer formação aprofundada na área, colaborar com alguma publicação, escrever textos para aqui e para ali e, em última linha, escrever um livro, um conto infantil, uma história com capa, contracapa e em venda em livrarias. 

Se são ideias que pagam as contas? De certeza que não, mas a premissa era não pensar em dinheiro. 

Se teria coragem de avançar? Ora aí está!

Seria impossível mudar radicalmente de vida sem pensar em todos os contras, no fundo porque não gosto muito de riscos. Era toda uma criação, concepção, desenvolvimento, implementação, lançamento e vida onde eu, com a minha espetacular habilidade de ver o lado negro, encontraria mil falhas e não avançava. 

O assignment desta semana tem por isso uma resposta tão difícil: na verdade, para ser tudo o que eu quisesse, primeiro tinha de deixar de ser parcialmente quem sou.

Hello Shark Tank? Cisca's talking!

Pois é, sou uma empreendedora (cof, cof!) e uma mulher de negócios (cof, cof, cof!) porque me estreei, nada mais nada menos, do que no mundo encantado do OLX! Ah pois é bebé!

Quantos milhares de euros fiz até agora?

Ora bem, diz que isso não é importante; importante é contribuir para o mercado de bens em segunda mão, que é sustentável, amigo do ambiente e fofo em geral. Por isso os milhares (quiçá milhões!) que realizei até à data não relevam para esta equação (mas tinham valor quase zero, se querem mesmo saber!)

Tudo começou quando numa bela tarde de sábado, fotografei dois móveis e criei dois anúncios. Fiquei tão orgulhosa! Senti-me mesmo um vendedor à séria!

Uns dias mais tarde recebi dois contactos por causa de um dos móveis e no final dessa semana, um estava vendido! Claro que eu senti imenso receio de que o alegado comprador fosse na realidade um raptor de rins e temi, juro que temi, pela minha vida e integridade física; mas no final do dia era mesmo uma senhora amorosa que veio buscar o móvel! Que espetacular! (eu sou mesmo fácil de contentar, caramba!). Entretanto, no espaço que o móvel vendido deixou livre, decidi precisamente dar ocupação ao outro móvel também em venda e troquei-o de sítio! E não é que ficou amoroso? Cancelei portanto o segundo anúncio, mas não fosse o cancelamento era mais uma história a juntar ao meu longo role de vendas privadas online (not!).

Semanas mais tarde, nova saga de mercadoria posta a venda, a bom preço, venha ver freguesa!

O quê, perguntam vocês? Uma cama, pois claro, que quem vende cómodas, vende camas e somos todos amigo do mobiliário.

História da segunda venda: não tão fascinante e surpreendente como a primeira, mas com aquela esperança sempre em alta. Duas pessoas manifestaram interesse mas abandonaram-me à porta da igreja, ou seja, mesmo ali no momento em que já eu dizia sim - e não aconteceu! Mas não desanimem amigos!; melhores dias virão e depois da cama haverá uma mesa de cabeceira, um candeeiro e tudo o mais em que os meus olhos baterem, que agora que lhe tomei o gosto, não há quem me pare! Olé!