Carta aberta. À minha filha que faz 4 anos

 I.,


Em primeiro lugar, chamar-te I. fica um bocadinho ao lado do que habitualmente te chamamos. És a nossa Nekis, e tu própria te reconheces nesse nome. E ainda há pouco perguntavas o que rimava com happy e descobrimos que Neki não fica muito longe e tem tudo a ver. Estás sempre feliz, sempre bem-disposta, és um raio de sol, que brilha porque és querida, amorosa, meiguinha, muito fofa, e que brilha também porque fazes imensas asneiras mas com uma grande dose de criatividade e originalidade. Nem sequer conseguimos ralhar de todas as vezes, frequentemente porque estamos a tentar não rir.

Adoras tivisião e jogar consola, é mais ou menos uma droga, adoras mousse de manga e um ou outro chocolate. Mas tirando isso és da fruta e das cenouras, e quando as pessoas pedem pipocas para ver um filme, tu pedes uma cenourinha. Comes sopa com legumes com mais gosto do que a passada e massa é a tua comida preferida. Mas é uma magricelinha, que petisca e pouco come.

Continuas a gostar muito da escola e da "tua" A., como chamas à tua professora. Ainda estamos num caos que faz com que ela tenha de estar de máscara mas não é algo com que te importes, se calhar porque nunca foi de outra maneira desde o dia em que entraste na escola. Também por isso este ano não há um festão imenso mas vamos ter bolo de unicórnio e um ou dois amiguinhos a brincar cá em casa nestes dias, além dos parabéns com a família no dia de Natal, esse dia em que dizemos parabéns-feliz-natal tudo na mesma frase mas que a ti também não chateia nada.

Já conheces e identificas todos os números, jogas ao peixinho e ao Uno como gente grande, e ganhas a maior parte das vezes, aprendes-te a escrever o teu nome e inicial do apelido e se vês I. escrito, dizes que falta o B. Não adoras por aí além pintar e fazer desenhos mas gostas muito da actividades e exercícios e ficas concentrada a fazer. 

Falas perfeitamente bem mas há três ou quatro palavras que dizes de maneira engraçada e ninguém te corrige porque é maravilhoso, a tivisião, o quistóio (escritório), o fifufifo (frigorífico). São as últimas réstias do meu bebé, que está tão grande, como é possivel?

Adoras as aulas de ballet e cantas e danças muito em casa. Mas és tímida em grupos grandes e muito envergonhada - o que até custa a crer porque em casa és um furacão! Como também em casa não estás sentada à mesa mais de cinco minutos e nem fazes sesta de tarde, e na escola estás direitinha toda a refeição e dormes todos os dias. São aquelas coisas!

Tu e a mana são super amigas e companheiras, dormem no mesmo quarto porque não se querem separar e são como as cerejas, andam aos pares. Por isso muitas vezes brincas a coisas e vês desenhos que são mais da idade dela do que da tua mas se calhar também foi parte do que te fez tão desenrascada e despachada do alto desses quatro anos. Minha bebé Nekis.

Podia enrolar-te numa bolinha e voltava a pôr-te na minha barriga mas a verdade é que ver-te crescer é ver tudo com outros olhos e ter mundo sempre pintado de todas as cores. Meu arco-iris de unicórnios e purpurinas. Gosto de ti mais do que te consigo explicar. Parabéns a nós!

Querido, mudei a sala

 A nossa casa tem uma segunda sala no andar de baixo, que cada vez mais me convenço que é evolutiva.

Quando viemos para cá morar, com uma filha de dois anos, a sala era um depósito de móveis, sem qualquer fim; Mais tarde veio a acumular brinquedos de grande porte, como a casa da patrulha pata, triciclos, mais tarde a casa da Barbie; mais tarde ainda, já com duas filhas, fizemos um extreme make over e dividimos o espaço entre sala de brinquedos e sala de televisão, com uma estante a meio como linha divisória. E desde que regressamos a casa em Setembro, no pós obras, queria muito voltar a olhar para a sala, para nova remodelação, mas andávamos a adiar porque ficou pendente da obra a pintura do espaço, entre outros detalhes.

Porém, todavia, contudo, no feriado de dia oito, que foi dia de separar brinquedos para dar, depois de passarmos a manhã inteira a encher seis sacos de 200 litros de capacidade com todos os brinquedos que vamos dar, deu-me a fúria da arrumação. Os sete metros de armários do tecto ao chão da sala de baixo foram esvaziados, limpos e destralhados; e, já agora, damos só aqui um jeitinho (a expensas do homem, coitado!).

A nossa nova sala continua a ter espaço de brinquedos e de televisão mas juntamos-lhe uma mesa enorme, onde há canetas, marcadores, lápis e onde há uma estante grande com todo o material de desenho, pintura e, porque não, aulas on-line. E como a mesa é tão grande, passei o meu posto de trabalho para a mesa e libertei, finalmente, ao fim de quase dois anos de teletrabalho, a sala da mesa de jantar. Yeah us!

Sinto mesmo que a sala cresce connosco e que será muitas coisas ao longo da vida; por exemplo, sítio para dormir com as amigas em pijama parties, mini discoteca e tudo e tudo e tudo! Família a crescer, sala a crescer!