amote

Conhecemo-nos em 2000 mas ainda estamos convencidos que vivemos a passagem do milénio juntos. Eu digo que foi aí em Março, ele jura que já era verão. Havia telemóveis mas os sms tinham limite de caracteres e eram pagos e os modems faziam um barulho imenso para nos ligar à net, o que só acontecia depois das 21.00 h., se ninguém estivesse ao telefone em casa, porque era mais barato. Estávamos longe de imaginar os smartphones e mundos na mão e como o tempo da altura o nosso encontro foi calmo, simples, descomplicado, inesperado. Eu procurava uma coisa qualquer e encontrei afinal aquilo que sempre tinha procurado. Era uma romântica a sonhar com finais felizes, marido e filhos. Não havia muito tempo tinha sido entrevistada para um jornal local sobre "como me imaginava aos trinta" e já aí imaginava essa vida tranquila e boa, com a família como a coisa mais importante. Desde que nos conhecemos, e já lá vão vinte anos, nunca mais nos largamos, mesmo que com um intervalo pelo meio. Hoje sei que as coisas aconteceram exactamente como tinham de acontecer e "não acreditando no destino, acredito que nada acontece por acaso." Foi uma sorte o que nos aconteceu, uma coincidência feliz que não pode ter sido coincidência mas que a ciência não explica. A probabilidade de duas pessoas pessoas se encontrarem nas circunstâncias em que nos encontramos é tão infinitamente reduzida que só podia dar certo.
O P. sou eu do outro lado. A outra metade. Não existo já eu sem ele. É o meu equilíbrio, o meu meio, razão e coração. O resto da frase, o fim do pensamento. Os meus pés na terra e todos os sonhos. Falto se ele me falta, não sou tão eu. E se ele não está, não está ninguém. Dizem-me, é normal, estás há muitos anos com o teu marido, e eu fico tão cheia de orgulho, tão vaidosa, tão feliz por lhe chamar o meu marido. Somos os mesmos dois miúdos de há vinte anos atrás mas agora ele é o meu marido e isto ainda me faz sorrir (oito anos depois), meia adolescente que ainda não cresceu e sonha um dia com esta sorte. Somos os mesmos dois miúdos mas montamos uma fortaleza, um reino encantado de música, risos e amor a que chamamos Família. Criamos a coisa mais importante do mundo, produzimos o bem mais precioso, a nossa maior riqueza, sem dúvida o melhor de nós. Éramos uma pessoa e agora somos uma pessoa maior, mais completa, mais feliz. Multiplicamo-nos em diamantes. Somos um abraço de gente, onde não se sabe onde começo eu e acaba ele, porque somos nós; nós somos a razão porque amote se devia escrever sem hífen porque não há mais espaço quando tudo é amor.

Aquele mete nojo básico!!

Não gosto particularmente que o meu marido viaje em trabalho mas desta vez estou muito agradecida! E porquê? Porque me colei à viagem! Nem mais! 

Corria esse belo ano de 2014 e houve uma sexta-feira em que o homem, ser mais fofo, me foi buscar ao trabalho ao final do dia e atravessamos a ponte para ficar nada mais nada menos do que em Tróia (não achem estranho, nessa altura vivíamos em Lisboa, daí o atravessamento da ponte não ter dado Gaia e ter dado Tróia!) - o hotel era soberbo (palavra de booking) mas nunca mais lá voltámos. Até que eis se não quando ele me diz que tem um evento de dois dias em Tróia e eu - fofa! - me lembrei logo deste belo spot, que me ficava tão bem durante 48 horas em modo sozinha, sem barulho, sem pessoas, só com livros e piscina. A ideia é entrar às escondidas para ninguém saber que lá estou e não me convidar se quer para um café acompanhada. Sozinho em casa versão sozinha em hotel soberbo mas em bom! Lucky me!


A experiência de 2014, aqui.

Então e o Carnaval?

Já não me lembrava de um Carnaval com tanto sol e acho que só por isso teve logo mais dez pontos extra. Que dia bom!
As miúdas lá foram, Elsa e Panda, fofas, fofas - e uma mãe muito babada! Na escola da C., quando o tempo permite, há desfile na rua com os pais que queiram acompanhar por isso levamos a I., que ainda não anda na escola mas adora toda a festa à volta. Foi bastante difícil no fim fazê-la perceber que tinha de regressar a casa porque já ficava (e eu MUITO curiosa para ver como será a adaptação em Setembro!).
No dia seguinte repetiram a dose - e ainda bem porque as roupas são caras e assim sempre lhes dão uso! - porque tiveram uma festa fantasiada e passaram todo o dia em modo Frozen e Panda. Fotos, fotos, muitas fotos e para o ano há mais - claro que com outras personagens quaisquer para alegria das lojas e desgraça dos pais - mas como diz a C., isso não interessa nada, o que interessa é ter saúde! 
Terça-feira é aquele dia pausa a meio da semana, que devia haver sempre, ou de quinze em quinze dias vá e aproveitamos para olhar para o calendário e marcar os dias em que queremos tirar férias. Contas redondas, faltam 5 meses para as férias grandes mas há mini pausas a meio e no nosso caso uma viagem aos Açores (não avance o corona vírus por aí fora, claro...). Se não dessem chuva para o fim-de-semana, quase que já estávamos na Primavera. E não tarda é Verão!

Ainda estou a pensar nisto

A mãe deixa a filha na escola às 8 da manhã e vai buscá-la às 7 da tarde. Todos os dias, desde que tinha meses.
A filha diz que não quer casar e nem ter filhos porque a mãe não tem tempo para nada, nem para brincar, nem para a levar a festas, nem para a ir buscar à escola e que anda sempre a correr, incluindo fins-de-semana.
Respeito as decisões dos pais - mesmo quando não as compreendo porque uma coisa é ter de ser, outra são as opções que se fazem - mas esta menina tem sete anos. E não quer casar porque a mãe não tem tempo.

Planetário do Porto

Na escola da C. andam a aprender o sistema solar. Chega sempre a casa a falar de planetas, cometas, e outras historietas, num entusiasmo maravilhoso (e ovação em pé para esta escola!).
Como consequência natural, começou a falar do Planetário e por isso no sábado passado lá fomos, para uma coisa chamada Há formas no espaço.


Foi a primeira vez que visitamos e confesso que fiquei algo desiludida com o espaço. Entramos no edifício e tem um átrio grande onde estão pendurados os planetas e onde tem algumas mesas com uma coleção de Playmobil no espaço. Mas nada mais. Estava à espera de um museu, de coisas interativas, de planetas pousados no chão para vermos melhor e aprendermos tudo. Mas nada disso. Achei bastante desaproveitado. Nesta entrada tem também uma porta para um auditório, com cadeiras que reclinam e onde assistimos a uma sessão no tecto redondo, a simular o espaço. A sessão foi gira, totalmente direcionada para os miúdos, com perguntas e respostas e várias curiosidades. Como eles têm já um grande conhecimento do espaço para a idade que têm, conseguiram responder a tudo, fazer perguntas e aproveitar. Crianças a quem o sistema solar não diga nada, não irão aproveitar tanto (e creio que aquilo é direcionado dos 3 aos 7 anos). No fim tiramos uma fotos e no global a C. adorou - mas a mim ficou aquela sensação agridoce (o mesmo do Portugal dos pequeninos, na verdade) de que há muito potencial, mas está totalmente desaproveitado. Se tiverem em casa mini astronautas, fica a sugestão.

água mole em pedra dura...!

Cá em casa andamos sempre sem sapatos (um hábito bom desde o tempo em que a C. começou a andar), com meias ou chinelos. Mas a minha filha I. - que anda sempre de meias - tem esse vício maravilhoso que é estar constantemente, o tempo todo, sem pausas ou intervalos, a tirar as meias e andar descalça. O que faz, num inverso proporcional, que eu esteja constantemente, o tempo todo, sem pausas ou intervalos, a calçar-lhe novamente as meias. Ando atrás dela e digo-lhe que fica com os pés frios, que temos de usar meias, volto a pôr, ela volta a tirar, pés frios outra vez, vira o disco e toca o mesmo.
Ora, outro dia estávamos a ler um livro de uma menina que queria uns sapatos vermelhos, e logo nas primeiras páginas aparece a menina sentada no sofá, descalça, e eu pergunto-lhe, achando que me iria responder que tinha os pés descalços ou que não tinha sapatos nem meias:

- O que tem a menina, I.? - pergunto a apontar para os pés.
Resposta:
- Os pés frios!

💗

Só para dizer

Só para dizer que estou a menos de duas semanas de fazer anos e por isso cada vez mais velha. Há dias mandei para o homem uma foto minha à saída para um evento da empresa - achando que ninguém me daria mais de vinte e cinco - e quando olhei bem, nossa senhora de fátima que rugas são estas?! É verdade, estou cheia de rugas à volta da boca, dos olhos, na testa.. tenho olheiras e pele de galinha! Não tarda a cabeça estará cheia de cabelos brancos. E continuo a achar que sou uma miúda! Até me custa a dizer..

Trinta e três!
"Diga trinta e três"
Essa bela idade de Jesus Cristo, uma capicua fofa (ou não!) ou então, trinta e três - três, três - filha número três! (ahahah!)
(imagino o pânico do meu homem a ler isto! Beijo baby!! Love you!!)

(Ando a falar demasiado de bebés e gravidezes. Para esclarecimento, confirmo que não estou grávida! - Podes respirar!!)

E pronto, é isso. Trinta e três anos e ainda ontem nasci, não foi?
Mas vá, já que tem de ser, venha daí o bolo!

Sítios giros só porque sou amiga: food edition

Como dizia, saí com uma camisola que celebra o amor, na própria semana típica do amor, que tem um dia a que não ligamos particularmente, embora na verdade todos os dias sejam bons para celebrar coisas boas.
Pedimos extensão de babysitting (palminhas à avó!) e fomos para modo jantar tardio a um sítio muito bom,


A variedade da ementa é gigantesca, o que em mim costuma ser um problema pela dificuldade de escolha. Mas fomos em bruscheta para entrada (queijo e ervas e tomate e presunto) e fomos lindamente. E depois as suspeitas do costume: pizza e pizza. Ficou na agenda regressar para o bife wellington e rosbife (mas ao almoço!). De sobremesa, uma escolha perfeita de tarte de gelado com chocolate quente, DI-VI-NAL! Com o café trazem caramelos de fruta que é sempre aquele toque delicioso. 
Passei a grande vergonha de ter comido tudo e o meu homem ter deixado metade, quando ele tem dois metros e eu nem ao metro e setenta chego (mas falta pouquinho, pouquinho!) e admito que os senhores tenham ficado muito admirados com a mulher de tanto sustento que sou. Prefiro no entanto pensar que tenham comentado "olha que sorte, come como um animal faminto e nem engorda!" Bom, a culpa é definitivamente do homem que tem a mania que é fit (não é mania, vá! Gostosão!) e vai daí não come. Se forem como eu e a comida seja coisa para vos alegrar um bocadinho, fica a sugestão de um restaurante em plena foz, com óptimo ambiente e comida deliciosa. Se forem mais como o (gato do) meu marido, vão na mesma porque se sobrar podem trazer para casa!

(E pronto, eu como muito, mas as tabelas dizem que estou no peso normal!)

Não aguento !

A minha filha mais pequena, dentro de dias (escolheu ela - que recordo tem 2 anos!):


Coisa mais boa da sua mãe!!

E a maior, como não poderia deixar de ser, num clássico:



Nunca gostei especialmente do Carnaval mas agora devo confessar que é muito giro! Venham os confetis!

Momento piroso da semana: sair para jantar com esta tshirt. Lado positivo: não foi hoje!

  
C
AN
YOU
SEE HOW
MUCH I
LOVE YOU

Viagens

Foi das coisas mais diferentes e fora da caixa que li nos últimos anos. Na verdade nem parece bem um livro, são fragmentos, pedaços de coisas, bocados disto e daquilo, tal e qual um viajante. Histórias a meio, princípios sem fim, reflexões várias, encontros fortuitos, de quem passa, passa, torna a passar mas não fica. Começa com a ideia das raízes, e eu sou uma árvore como é sabido, para a distanciar dos pais que se fixavam e ela tão nómada. Mas não se sabe o que é verdade, o que aconteceu, se alguma coisa é real, se viajou. Um livro brilhante mesmo. Brilhante sobretudo na sua forma de ser completamente ao lado de tudo o que são histórias, do próprio conceito de história. Mas sem dúvida uma janela aberta de ar fresco e novidade, de algo totalmente novo e desconhecido, de imensa curiosidade. Sei que despertou amores e ódios. Mas por aqui, adoramos!

Prometo a mim própria um texto sobre isto

O meu irmão vai casar este ano, em Dezembro, na Irlanda.
Quando confirmou o mês e o sítio (ainda ponderou Portugal), o meu primeiro pensamento foi:

- A ver se em Dezembro não estou nem no primeiro nem no terceiro trimestre de uma gravidez.

... está prometida a mim própria uma reflexão sobre isto.

Isto não é só uma caneca de água

Estamos homem e eu no Ikea para remodelar o hall de entrada, quando paramos na área das chávenas, pratos, copos e utensílios de cozinha para levar um fazedor de espuma de leite. Separamo-nos durante alguns minutos enquanto ambos procuramos, até que vejo um jarro de água (o nosso tinha-se partido uma semana antes) e chamo-o para lhe mostrar "olha podíamos levar esta caneca" e ele tem - no meio de cinquenta jarros que o Ikea deve ter - exactamente o mesmo na mão para levarmos.
Se isto não é amor...!


Vestidos, vestidos, venham daí os vestidos!

A minha relação com o comércio on-line é bastante saudável, compro de tudo, desde roupa a livros, coisas de supermercado, bilhetes, peças de decoração. Há dias comprei roupa interior e correu bastante mal porque nada me servia (shame on me) mas recuperei logo a seguir comprando nada mais nada menos do que dois vestidos para casamento! Pois que este ano volta a saga e temos não um, não dois mas três! E eu que não compro um vestido há quarenta e sete anos, este ano tive a desforra e comprei dois.
Verdade que um deles foi um amor antigo que tinha namorado o ano passado mas que se apresentava pelo belo preço de 200 euros - e que se mostrou agora a 50, pelo que não resisti (vivam os saldos!). O outro foi um bocadinho mais mas era lindo e - não sei se já disse - este ano casa o meu irmão!
Chegaram em menos de uma semana e correspondem totalmente às expectativas.
Possivelmente serei a única pessoa que ainda não tinha encomendado daqui mas em todo o caso, deixo a sugestão: asos.com
Entretanto precisei também de sapatos, que espero que sirvam os casamentos todos, e viva os saldos outra vez: estavam marcados a 14,99 € mas quando cheguei à caixa paguei 9,99 €. Tão fácil fazer uma mulher feliz!

01 Vinte Vinte

Acabei o Viagens da Olga Tokarczuk e comecei a Amiga Genial da Elena Ferrante. Voltei à Penha para almoçar, seguramente vinte anos depois. Fomos a Serralves ver a Paula Rego e viemos de lá com um quadro nosso. Comecei a ir de bicicleta para o trabalho e fui sempre em todos os dias em que fez sol. Jantei com a S. e almocei com a P. Marcamos a viagem aos Açores. Tivemos um almoço de Reis atrasado. Inscrevi a C. na natação para brincarmos ao pim-pam-pum: foi a uma aula, faltou a seguinte, foi a uma aula, faltou a seguinte. Detestamos as doenças mas passamos várias horas no hospital na última semana do mês, à espera que percebessem o que tinha a I. Falhei o clube do livro. No dia seguinte foi sábado e fiz a primeira refeição dessa semana. Três pessoas disseram-me que estava mais magra mas era só miúdas doentes. A I. fez um ecocardiograma para descobrirmos - graças a Deus - que está tudo bem. Cancelei o (meu) dentista três vezes e o cardiologista duas mas hei-de voltar a marcar. Não há nenhum dia da nossa vida que não dê valor à saúde. E à sorte. E ao quão abençoados somos.

Voltando aos livros

Em Novembro tinha prometido dez posts sem livros e acho que cumpri (não fui contar, no entanto) mas é chegada a altura de dizer que a torre da minha cabeceira está a meio da parede e que vejo com dificuldade que consiga ler tudo o que quero. Recebi uns três ou quatro livros no Natal, comprei mais alguns e tenho uma lista que não se aguenta. Terminei entretanto o Viagens (da nova Nobel) e fui para um italiano que tem feito especial sucesso mas queria lê-los a todos ao mesmo tempo para passar para os próximos! Tinha imensas saudades desta sede de ler. De ter sempre aquele sininho a tocar que me puxa para os livros. Deixei em definitivo a televisão mas precisava de super poderes. Há tanto, tanto, tanto que ler..! Por isso até entendo aquela tese de quem só lê os premiados (deixando de lado absolutos desconhecidos mas quem sabe enormes preciosidades) por simplesmente não se ter tempo de ler tudo. Ainda não adoptei esse critério, e vou escolhendo tudo o que me parece bem - com ou sem prémio associado - mas a lista não pára de crescer (e ainda bem!). Para breve - já avisando - opiniões sobre as últimas aquisições lidas - e sem mais promessas de pausas nos posts!

Afinal a amizade não tem idade

Aqui há uns meses comentava que não sabia que ainda era possível fazer amigos aos trinta e dois anos mas que tinha feito uma amiga e tinha sido uma coisa mesmo, mesmo boa. Mas agora sou surpreendida por novas relações a nascerem que vêm das relações da minha filha - mas no fundo temos muita coisa em comum! Começa pelas festas, em que os pais acabam a conviver. E esta mãe em particular, é daquelas parceiras de festas - mães que não arredam pé, como eu (não por vontade própria mas a pedido dos filhos). E agora até acaba por ser bom porque conseguimos pôr a conversa em dia. E duma destas últimas festas saiu um convite para jantar em casa dela. Os miúdos estão radiantes porque vão estar juntos fora da escola e os pais também acho que estão contentes porque estamos a fazer amigos novos. E temos esta sorte grande de os pais dos colegas de sala serem pessoas de que se gosta. Sim, acho que afinal a amizade não mesmo tem idade.

Este ano tinha decidido - depois de te estado a ler o livro do blog de anos muito passados - que voltaria a fazer um resumo do mês. Exactamente nos mesmos moldes de 2015, que recupero para exemplo:



Mas ainda não consegui para 2020. Está na lista.
Na lista também, um final do mês em caos, mais um casamento e vestidos, vestidos, venham os vestidos! Me aguardem!