Novembros

As tias e primos estiveram finalmente em Lisboa. Cozinhamos bolos solidários quo baptizamos com nomes jurídicos. A M. expôs pela primeira vez um desenho e começou o caminho para expor os outros. Vimos os Azeitonas ao vivo por sorte. Fomos a Setúbal jantar. A A. acabou o curso, voltou para casa e está mais perto. Juntamos os amigos em casa para ver Portugal ganhar. Um amigo partiu para o Porto, com um brunch de despedida no Chiado. Perdi um prémio. Fizemos a casa Natal a um sábado ao princípio da tarde. Voltamos à serra. Revimos amigos dos bons. Jantamos com a D. Quase gelei na Guarda. Conhecemos família de quem gostamos. Bebemos ginja em casa de desconhecidos que nos receberam como família. Voltei a tentar num outro sítio qualquer, sabendo contudo que sem sucesso. O caminho faz-se caminhando. Caminhamos para o fim do ano, mas este tomamos uma decisão que mudará as nossas vidas.

Outubros

Cometi o erro de pôr aparelho nos dentes e sinto-me feia. Evitei sorrir. O meu carro foi assaltado. O P. comprou bilhetes para um concerto em Fevereiro e para um espétaculo em Lisboa. Vimos comedia a la carte. Adoramos comedia a la carte. Fui arrolada como testemunha  num processo que desconheço. Apetecia-me falar do testemunho de ouvi dizer mas não vou fazê-lo. A D. A. emigrou. Os meus pais voltaram à Dinamarca. O meu irmão mudou de casa. O meu afilhado é perfeito. O meu avô não me conheceu. Nem sempre as coisas são como queremos mas não há nada de que não sejamos capazes. Voltei a Barcelona. Faltaram dois meses para o Natal. Ofereceram-nos um peixe a quem demos nome de peixe e que dá sorte e sucesso. Voltamos a Coimbra não pelas melhores razões. Houve uma acção de solidariedade que me fez duvidar do conceito de ser solidário. O mês de Outubro atrasou-se mas estamos definitivamente de volta.

Setembros

Organizei uma festa surpresa e contei verdadeiramente com os amigos para isso. Mudei de nome. Fiz alguém um bocadinho feliz. As dez temporadas de Friends vivem finalmente connosco. Voltei ao Lux. Fui à rua cor-de-rosa. Tive um voto de confiança e um reconhecimento e uma amiga que ficou magoada. Temi perder a M. para outro sítio qualquer. A MJ. veio viver para Lisboa. A nossa casa está mais casa. Fui buscar as botas à garagem e o guarda-chuva amarelo ao armário. Ainda não guardei os óculos de sol. Fiz um bolo de iogurte e aprendi a receita de pizza. Fomos a um restaurante novo que foi um tiro ao lado. Adiei sine dia a minha semana de férias. O P. voltou a S. Francisco e a Chicago e eu desejei um gato. A Alzira tem crescido. A orquídea não. Escrevi um artigo sobre democracia. Falhei a um amigo. Tive um dia mau. Um amigo teve um mês péssimo e quis voltar ao Tribunal de trabalho por isso. Fui ao DIAP.  E à padaria portuguesa. Fizemos uma pijama party. Dei um presente com gosto. Não fui ao ginásio. Preciso urgentemente de voltar ao ginásio. Continuo a trabalhar das oito às sete, sem pausas. Ainda sei o código do trabalho de cor. Fiz uma das melhores formações de sempre. O Tribunal Constitucional declarou inconstitucionais normas que davam jeito. A J. começou a dar aulas e eu tenho um orgulho imenso dela. Não comemos sushi há mais de um mês. Verifiquei que no ano de 2012 tenho o dobro dos posts de 2013 o que não abona em nada a meu favor. Li dois livros. O Verão faz-me falta. Não gosto do Inverno mas na verdade há uns dias atrás, faltavam apenas exactamente três meses para o Natal.

Tenho um artigo para escrever com deadline de hoje e não defini se quer o tema. Só me lembro daquele texto que numa revista do secundário começava assim,

"Pediram-me para escrever sobre o regresso às aulas mas não consigo.."

E era no fundo uma história de amor..

A-gostos

Desejei ficar num sítio de onde já quis sair, fui valorizada, senti-me útil, percebi que a nossa importância nem sempre é bem avaliada. Cresci. Tomei decisões difíceis e aprenderei a viver com elas. Não tive coragem para sair da zona de conforto. Continuarei como velho do Restelo. O meu irmão mudou de casa e desejo lá voltar. Temos vizinhos novos. Ontem jantamos com amigos. No domingo também. A M. cresceu quatro quilos e uma imensidade de centímetros. Celebramos em casa os 30 anos de um amigo muito especial e senti-me bem com isso. Tive um mau dia no trabalho e presentes que nunca sonhei. Continuo sem saber se o P. é sonho ou realidade. Tivemos más notícias das ilhas. Reencontrei amigas com quem pus a conversa em dia na mesa de um café. Tive sete dias de férias e conto o que falta para as próximas. Em cima da mesa está Barcelona, Itália, Londres. Queremos conhecer o mundo. Vamos fazê-lo. O porquinho Martins cresce a olhos vistos e já tem destino traçado. O código do trabalho foi outra vez alterado. Escrevi um artigo de opinião que poderá dar lugar a apedrejamento em praça pública. Voltei a comer francesinha e pão de noz com manteiga e compota. Não há ginásio que faça milagres. Organizei a pasta das fotografias por álbuns. Troco a organização dos e-mails por trabalho. Fomos ver a exposição da Joana Vasconcelos e conheci a Ajuda. Descobri o melhor restaurante de sushi de Lisboa, que não é aquele que pensava que fosse mas outro. Prometemos que não repetiríamos restaurantes nos dez próximos jantares, mas estivemos num repetido entretanto. Gostei de hendricks com pepino. Voltamos a Coimbra para fechar um ciclo. Trouxe comigo roupa antiga das tias. Refiz os vasos de casa. Arrumei os armários do escritório. Voltei ao Dr. LB com quem tive uma conversa de amigo. Marquei finalmente aquela consulta. Adoptei o Instagram. Fomos a dois casamentos. Desmaiei num deles. Fiz um requerimento muito especial. A minha cabeça não pára. A M. voltou a ser feliz. Voltei ao Campus de Justiça. Uma pessoa saiu e uma nova entrou. A vida é feita de mudanças, só eu é que não vejo. Mas vendo bem, as coisas não correm nada mal.

Ora então

A razão por detrás do blog é a escrita. Foi a falta da escrita que o criou, a perda de hábitos antigos. Comprometi-me pelo gosto mas também por obrigação, que se perdia e eu lamentava. Queria falar comigo e depois vi que mais alguém ouvia, que alguns foram respondendo e do gosto fez-se a vontade de resposta.

Somos pequenos, eu sei, mas só em número. Ouvir-vos foi a grande surpresa desta criação e tenho sentido que devo aqui uma explicação. Porque ando para baixo, o sítio parado. A razão é profissional. Como esta história.

Apesar de Julho / Agosto terem já sido povoados por alguma habitação em Lisboa, o verdadeiro início deu-se em Setembro. Foi o fim das férias e das lutas finais. Instalei-me para ficar. Nesse dia começou também uma procura por uma vida diferente. Deixei o meu trabalho querido, os meus colegas amigos, aquela família. Deixei-os apesar do convite para ficar, dos lamentos de parte de parte, do vazio de ambos. Deixei-os, mesmo sabendo ser o trabalho da minha vida. Mas deixei-os também sem que à minha espera estivesse qualquer alternativa. Uma irresponsabilidade? O tempo o poderia dizer.

Durante Setembro perdi duas grandes lutas. Não me mataram mas não me deixaram mais forte; fui abaixo, o blog também. A procura era diária e em regime de trabalho suplementar. Mas não acontecia nada. Os dias enchiam-se de coisa nenhuma e eu já sem saber o que fazer.

Até que aconteceu uma oferta em forma de bolo de canela, com um prazo de validade de dois dias. Comes agora ou jejuas para sempre. Não foi uma escolha fácil mas rejeitei a oferta. Sem plano B, só tentativas e estamos em crise. 

Acabou por aparecer entretanto uma alternativa, algo que pode vir a ser um bolo de chocolate. Termino assim, e por enquanto, esta procura. A partir de hoje o meu horário laboral está sediado no Parque das Nações e dão-se tréguas aos períodos conturbados da difícil tarefa da procura de emprego. 

De tudo isto se podia dizer que a montanha pariu um rato. Mas só quem procura sem encontrar pode compreender o que é estar perdido. Volto à tarefa de fazer rotinas, de encaixar dois dias num só e de retomar velhos hábitos. 
Por outras palavras, espero estar de volta.

E o telefone que não toca?


Se pensar nisto a frio, ainda não é tempo.
Mas já trepo árvores de esperar.
Estou numa fase má. Pronto; já disse.


Sem ser exactamente isto que eu queria, dou por mim a contar os dias, a querer saber quanto tempo falta. Isto significa tão só que contra a minha vontade consciente e racional há esperança. Sei que não faz sentido e é pouco apoiada na razão. Essa mostra-me precisamente que o caminho é outro. Diz-me para esquecer. Mas há um lado da cabeça (ou será do coração?) que ainda pensa "então e se..?" Se acontecer há um novo desafio, que será imensurável. Se acontecer, precisarei que me belisquem três vezes pois não deve ser verdade. Se acontecer, abraçarei então esta coisa que não terá explicação e perseguirei esse sonho que terá por certo vindo do céu.

Um dia...

Um dia vou ter uma barriga tão lisa, tão lisa, que deixo de precisar de tábua de passar a ferro!


(Seguramente que hoje não é o dia, porque acabei de jantar pizza...)

Faltam uns dias para o meu casamento e apetece-me ser lamechas... pode ser?*




Se tivesse desejado um príncipe encantado retirado de todos os romances que li, ou um cavaleiro andante em cavalo branco de todos os filmes que vi ou mesmo um galã perfeito acabado de sair de uma qualquer novela, certamente não teria tido igual sorte. Li vários romances em pequena, daqueles de cinderelas, brancas de neve e princesas da actualidade; vi como começam e terminam essas histórias de felizes para sempre e tenho pensado que por certo os meus padrões são tal e qual, altos e exigentes, como as minhas histórias de amor; com flores, nuvens, borboletas, malmequeres e raios de sol. Mas de certeza que se eu tivesse sonhado com a pessoa perfeita, com o modelo que me servisse melhor ou se pudesse ter moldado o meu exemplar à medida, com um bocadinho desta personagem, e outro aquilo de outra qualquer, mais os pozinhos de perlimpimpim, não teria igual sorte.

Hoje, quero que saibas que és muito mais do que um príncipe encantado, um cavaleiro andante ou um galã de novela; és muito mais do que a minha imaginação permitiu criar ou a minha força pedir. Saíste direitinho de um livro por escrever ou de um filme por estrear e vieste instalar-te na minha vida, como eu sonhei que um dia devia acontecer.

Sei agora que vai ser assim para sempre, porque às vezes os sonhos tornam-se realidade.


* Além disso, hoje estamos em dia de expor sentimentos, que querem..!

Aviso: este é um post de pessoa má!

Pergunto-me de onde virá a fama. Não tenho facebook e não colecciono "amigos" ou "likes" ou quaisquer outras coisas que o Zuckerberg inventou; mesmo no blog, não o grito aos sete ventos, pelo que compreendo perfeitamente a minha ausência de "fama" (popularidade?). Vivo bem com isso e a questão não é essa. Aquilo que me intriga é como é que alguns blogs têm tantos seguidores ou como é que algumas pessoas têm tantos amigos no face. Ninguém pode ser tão popular assim!

Deixando o facebook de parte, cuja forma de coleccionar pessoas desconheço por completo, vamos pensar nos blogs.

Entrei na blogosfera, de forma passiva ainda, há cerca de um ano. Lia um ou outro blog pouco conhecido (de uma ex-professora da faculdade, de uma colega, etc.) mas zero contacto com os mais lidos. Entretanto chegou o Verão, terminaram as séries de Inverno e eu fiquei com falta de entretimento naquela meia horinha entre o fim do trabalho e o jantar, ou mesmo antes de ir dormir. Comecei assim a exploração e fui descobrindo cada vez mais blogs, entre os super famosos, os relativamente conhecidos, aqueles que quase ninguém lê, etc. Alguns sigo, outros passo por lá de vez em quando. Não me questiono tanto quanto àqueles que têm centenas ou milhares de leitores por dia. Essa fama já terá nascido há muito e vem sendo alimentada, a bem ou a mal, e o sucesso explica-se por si só (bem, isto dava outro post). Questiono-me sim quanto aos mini-blogs (menos famosos, vá) que têm já cinquenta ou cem seguidores. Pergunto-me: de onde é que eles vêm? Será que isto é como o facebook? Colecção de pessoas?

Não me interpretem mal. Isto não é inveja. Mas por vezes dou por mim a ir parar a blogs com dois ou três posts (ou mesmo que sejam vários), em que - perdoem-me a sinceridade - não se diz nada de jeito ou nada de novo ou nada que não seja escrito em outro sítio qualquer, e ainda assim esses mesmos blogs, têm uma série de fãs. Qual a razão de seguir um blog onde não se diz nada de interessante? Onde são dados erros ortográficos graves (dos que doem, mesmo)? Onde apenas se repetem ideias já vistas e revistas em outros exemplares do género? Que não são engraçados, não distraem, não ensinam, não acrescentam nada? Até compreendo a questão (e mesmo assim não inteiramente) do ponto de vista de quem escreve. Se calhar é justamente isso que faço, ao reiterar ideias que são faladas noutros sítios (não sei) ou ao não acrescentar nada de novo. Mas da perspectiva do blogador, enfim, faz um certo sentido. Até porque vivemos num país livre e cada um diz o que muito bem entender (dentro de certos limites, claro está). Que as ideias non-sense que as pessoas livres debitem num blog encontrem dezenas ou centenas de seguidores, isso já me ultrapassa (mesmo nesta perspectiva de liberdade). Vai daí eu compreendo a falta de fama deste blog, por exemplo. Passam por aqui meia dúzia de pessoas. Se eu estivesse do outro lado do computador, possivelmente também só aqui passaria esporadicamente. É o que se faz aos blogs nada de especial. Como é que há tantos blogs nada de especial (para não dizer especialmente maus) a ter sucesso (mesmo que não seja um sucessão, mas um sucessinho razoável) é que me ultrapassa. Não estou a pensar em nenhum especial. Tenho cá as minhas "vítimas", muito perdidas no blogger, mas não me refiro a ninguém em particular. São só umas ideias gerais, que me passam cá pela cabeça. Tenho para mim que dão rebuçados. Caso contrário, ninguém de vontade livre e esclarecida os podia aguentar.

Vou-vos contar um segredo

Não sou muito de crenças e fés, de superstições e mezinhas.. mas acabei esta manhã a pôr ovos à Santa Clara.

Uma família feliz!

E-mail para o Mr. P.:

"You are so gonna die when you see my nails!"



Resposta:



Que homem tão querido!

Agarrem-me que eu vou-me a ele!



Não sei se já disse por aqui mas sou viciada em chocolate. Adoro, pronto, que posso fazer? Vai bem a qualquer hora do dia ou da noite, simples, de leite, sem leite, com avelãs, amêndoas, sem nada, com qualquer coisa (menos morangos, ananases e outros frutos do género). Um dia sem comer um bocadinho pequeno que seja (meio quadrado, por exemplo), não é um dia tão bom e acho mesmo que vivia perfeitamente à base de chocolates e café (outra grande paixão). 

No meio deste delírio alimentar, o que me vale é não ser compulsiva a comer. Sou incapaz de abrir um chocolate (seja ele grande ou pequeno, familiar ou individual) e comê-lo todo de uma vez. Não, tem de durar. Vai um bocadinho agora, uma trinquinha daqui a pouco, mais um pedaçinho outro dia qualquer e jamais me passaria pela cabeça devorá-lo toda de uma só vez. Que desperdício!

Hoje no entanto encontrei pela cozinha um chocolate de culinária, bom que só ele, e estou a pôr a minha teoria em causa. Até agora, depois de o abrir, comi dois pequenos quadrados (o que nem tão pouco devia ter acontecido - olhá dieta!) mas estou em ânsias de abusar um bocadinho mais. 
Digam-me por favor, porque não me fui eu encantar com alfaces?