Um espaço perfeito!

Descobri recentemente, embora já tivesse ouvido falar bastantes vezes, um espaço maravilhoso para crianças. Fica no Porto e chama-se Salta Folhinhas

A descrição informa que é uma livraria infantil mas eu acrescento que é um oficina e um lugar feliz. Vende livros, claro. Mas é um espaço confortável e adorável, com várias actividades para miúdos, incluindo oficinas de música, dança, artes plásticas. Há lugares mágicos e este é um deles.

Ao primeiro domingo do mês (para além de outras iniciativas periódicas) organizam o "Tocar tocando", uma oficina de música para crianças que fomos conhecer e de que ficamos fãs mas a qualquer dias que por lá passem, encontrarão de certeza bons motivos para ficar só mais um bocadinho. Por exemplo, para dedicar um tempinho à escolha de presentes de Natal!

Ainda a questão do infectário

A propósito da reflexão sobre os miúdos estarem sempre doentes quando andam na escola, dei comigo incrédula,

Como é que achamos "normal" que os nossos filhos estejam sempre doentes?

Toda a gente que tem filhos (ou primos, sobrinhos, amigos, netos) na escola já disse (ou irá dizer) a dada altura "ah o meu também estava sempre doente, isso é normal."

Parece que o mundo aceita com passividade a circunstância de as crianças estarem doentes, como se fosse normal estar uma semana na escola para adoecer e uma em casa para melhorar e na semana seguinte vira o disco e toca outra vez.

Normal?
Normal é que uma criança seja feliz e saudável. Que não esteja doente, salvo excepções. Que ande bem disposta e alegre na vidinha dela, que é o que é suposto quando se é pequeno. Que não tenha preocupações nem chatices e que não se incomode. Normal não é estar doente. 

Estar doente pode ser frequente, acontecer muitas vezes, ser vulgar. Agora normal?
Anormais estamos todos por lidar com isto com tanta frieza e descontração (mas não aquela boa). De repente, os nossos filhos estão sempre doentes e nós estamos todos bem com isso porque faz parte. 

Recuso-me a aceitar isto, recuso. Bem sei que não tenho experiência em filhos em escolas mas dane-se a experiência! Não acredito que seja socialmente aceitável uma coisa que a mim me parece quase imoral. Eles vão à escola ficar doentes e voltam para casa para se porem bons e quando ficam bons vão de novo para a escola para adoecerem novamente. E andamos nisto.

Pergunta: mas afinal para que serve a escola? 

O lado negro da escola

Reconheço que pelo meu último post sobre a escola a conclusão lógica a tirar é de que não existe nenhum lado que não seja negro e, nessa medida, o título não é o mais apropriado.

Ainda assim, vou manter, na convicção de que a escola terá um lado maravilhoso um dia, mas que há sempre um outro menos maravilhoso (ou para usar uma expressão mais realista, um francamente mau).

Estou a falar, obviamente, da condição de “infectário” que afecta todos os infantários. A propagação de bichos e a velocidade com que os miúdos ficam contaminados com porcarias várias. Ainda não me habituei a isto, duvido que alguma vez habitue e estou aliás bastante surpreendida pela negativa com esta pendência.

Se não, vejamos:

Ao fim de quatro dias na escola, tinha uma filha constipada.
Ao fim de duas semanas, tinha uma filha com gastroenterite, que ficou uma semana em casa a vomitar dia sim, dia não.
Após o regresso, ao fim de uma semana estava constipada outra vez.
Quatro semanas depois, um dia com febre e nova gastroenterite com mais dias em casa.

E ainda só estamos em Novembro por isso eu temo a onde isto vai parar.

Aquando da segunda vaga de gastros na escola, foi enviada uma informação aos pais pedindo, reforçando na verdade, que não deixem os meninos na escola quando estão com febres, diarreias ou afins por que isso determina contágios vários aos demais. 

Olha que caraças!
Assim naturalmente que não vamos a lado nenhum.

Eu estou solidária com os pais que não têm alternativas e, vendo a coisa pelo lado do bem, nem imagino o que deve custar deixar deliberadamente um filho doente na escola.

Mas, por outro lado, e a saúde dos outros?
Não há alguém que tome conta?
Não se falta ao trabalho?
Recordo que a segurança social paga as faltas para assistência a filho e que os pais com filhos pequenos têm direitos.

Posto isto, vamos todos ter mais um bocadinho de cuidado, pode ser?
A saúde agradece.

A escola

Ando a evitar falar do assunto. Bom, na verdade é mais do que isso; evito mesmo pensar. A minha filha tem 2 anos e 11 meses e vai pela primeira vez para a escola. Eu sinto que me vai faltar um braço.

Vou pôr de lado todas as considerações sobre “se ela tivesse cinco meses aí sim vias o que custava” porque isto não é um jogo a ver a quem doí mais. O que é facto é que ela esteve em casa até agora e que por isso este momento é tão difícil como se estivesse a acabar a licença de maternidade, fosse agora trabalhar e ela ficasse. Não vou negar que há vantagens, desde logo ela falar e expressar-se. Mas o facto de falar e se expressar poderá também fazer com que diga que não gosta e não quer ir.

Desmistifique-mos.
A escola não é um bicho de sete cabeças. Será em princípio um local feliz e um espaço de confiança, onde será bem tratada, fará amigos, descobrirá coisas novas e terá uma experiência em muitos aspectos enriquecedora. Se assim não for, não é também nenhuma pena de morte e se tivermos de repensar, pois com certeza que repensaremos. Não tenho dúvida sobre os factos desta equação. Racionalmente, está controlado. Mas depois há o outro lado, que é tão maior.

A minha filha (como possivelmente todos os filhos para todos os pais) é o meu bem mais preciso. Isto vem de imensos factores mas um deles será o facto de ela ser exactamente como é. Gostaria dela da mesma maneira em qualquer cenário (mesmo que tivesse mau feitio)  mas aquela maneira de ser, o feitio, o jeito dela é tudo. É uma miúda querida, meiguinha, porta-se bem, está sempre bem disposta, concorda com tudo, alinha em todas as coisas, é exactamente igual a nós mas mais pequena. Tem um sentido de humor fora de série, é extrovertida, mete-se com toda a gente, tem uma imaginação maior que qualquer um de nós, inventa brincadeiras e jogos e histórias, é super activa, não bate, não se atira para o chão a chorar, percebe tudo o que lhe explicamos, explica-se igualmente bem. É companheira e esperta e está tão grande mas ainda é tão pequenina…

Tenho vários receios com a escola. O maior é que não esteja lá bem, que a magoem, que sofra. Outro, que é inevitável acontecer, é que perceba cedo de mais a maldade das pessoas. Mas tenho também um medo enorme que a estraguem. Que a escola a mude de tal maneira que a personalidade dela e a maneira de ser se convertam numa coisa totalmente diferente do que ela é. Por defesa ou instinto de sobrevivência. 

Bem sei que parece que estou a falar do purgatório e não da escola. Eu por exemplo adorei a escola, incluindo o pré-escolar mas tive anos que sei hoje me mudaram para sempre (e não sei se para melhor). Que me magoaram muitas vezes, que muitas vezes cheguei a casa a chorar. 

O meu elemento racional diz-me que ela não pode ficar numa bolha para sempre, que tem de se aprender a defender, que sofrer faz parte do processo, que ajuda a crescer. Mas honestamente não sei ainda como é que é expectável que os pais aceitem passivamente e estejam em paz com isso, sem algum desconforto. Eu estou desconfortável. Espero que tudo passe (“também isto acabará por passar”) mas para já o que queria era que Agosto durasse mais um ano.

A minha filha fez um desenho e eu...

Ainda não contamos oficialmente à C. que vai ter uma irmã. 
A minha barriga está a crescer e algumas pessoas perguntam, admito que ela já possa ter ouvido alguma coisa aqui e ali mas não sabe de forma oficial e nunca disse nada a esse respeito.

Exactamente por isso, o desenho que ela fez a giz no quadro de ardósia, parou-me ligeiramente o coração.

Desenhou cinco bonecos de diferentes tamanhos (bola na cabeça, linha para o corpo, linhas para braços e pernas) e disse, apontando do maior para o mais pequeno:

- Este é o Papá;
- Esta é a Mamã;
- Esta é a C.
- Esta é a minha irmãzinha;
- Este é o meu irmãozinho.

What?!

Nós ficamos totalmente surpreendidos com esta revelação, não só de uma irmã como de um irmão, sendo que ela ainda acrescentou que a irmã se ia chamar I. e o irmão J. – sendo certo que I. é exactamente o nome que esta bebé vai ter e que J. é nem mais nem menos o primeiro nome que gostava para um rapaz. Ela tem poderes! Ou ouve atrás das portas. Mas em todo o caso, eu congelei.

“Eu não sou pequenina, eu sou linda”

O Hugo Daniel Sousa escreveu por estes dias uma crónica absolutamente maravilhosa no Público. Vale a pena ler. Deixo o link aqui.

Vou guardar para repetir muitas vezes, esta grande expressão (e de que nos esquecemos tantas vezes): 

"os pais são o brinquedo mais valioso que eles têm."

Mudar (esse verbo difícil)

Não tenho especial gosto pelo fim de Agosto (excepção feita às agendas) mas este ano evito especialmente pensar no fim do mês.
Grandes mudanças se aproximam e eu tão aversa à mudança.

A verdade é que nos três (ou quatro) meses que se seguem, a minha filha vai pela primeira vez para a escola e vamos ter um bebé. Bem sei que são acontecimentos separados por algum tempo (o início da escola é em Setembro e o nascimento - em correndo tudo bem - em Janeiro) mas faz tudo parte do último trimestre do ano (a previsão de Janeiro é para o início, que é quase Dezembro).

Claro que estamos a falar de coisas boas; caramba! Sempre quís ter muitos filhos e sei que eles têm de ir para a escola. Mas o aproximar das coisas torna-as totalmente reais e obriga-me a pensar nelas.

Tenho medo que a C. não se adapte à escola. Pior, tenho medo que sofra com as maldades dos outros, ela que não tem um pingo de maldade, que é a menina mais querida e doce que existe, que compreende tudo mas que não faz ideia o que é lutar, bater, apanhar. Tenho medo que a magoem. Não consigo deixar de pensar no meu quinto ano e em que como sofri com a nova escola e os novos colegas (bem sei que tinha dez anos e ela três mas as crianças são más em todas as idades). A ideia da minha filha a sofrer parte-me o coração em mil bocados. Faz parte da vida, de crescer, será necessário, formará carácter. Mas ela é o meu bebé e nenhum ensinamento do mundo justificará o sofrimento dela. O facto de ela falar perfeitamente e se explicar na perfeição, faz-me acreditar que nos contará o dia e como as coisas correram e que isso nos vai ajudar a perceber a adaptação. Mas mesmo assim, faltam três (três?!) semanas e estou de alma apertada. Não quero que chegue o fim do mês. Podemos ir devagar por favor?

E a gravidez?

Com pouco mais de quatro meses, continua tudo a correr bem. Os enjoos que tinha no início chegaram finalmente ao fim, o cabelo já não cai aos molhos, sinto-me bem, não ando ainda cansada e a barriga não pesa (embora já tenha crescido um pouco). Engordei mais do que me orgulho e faço zero exercício. Não tenho mais fome e já não tenho tanto sono. No fundo, segundo trimestre, gostamos muito de ti!

O médico confirmou entretanto que se trata de facto de uma menina e a grande novidade é que já tem nome. Viva !! A C. continua sem saber e acho que estamos à espera de uma barriga maior para lhe contar. 

Continuo a fazer a vida toda normal, incluindo pegar nela ao colo, dar-lhe banho, tratar das coisas. Se abusar nos colos, sinto a barriga a pesar um bocadinho e sei que isso mais cedo ou mais tarde terá de deixar de acontecer. Não queria nada que ela sentisse que a irmã, ainda na barriga, já lhe está a tirar colo mas arranjaremos uma explicação que ela entenderá. 

Grávida outra vez no Verão, vejo que algumas coisas estão na mesma:

- Tenho calor e a água gelada do mar sabe-me a ginjas;
- Lamento todos as sangrias que não posso beber;
- Arranjei uma bebida substituta - desta vez, ginger ale.
- Cada vez que tomo banho de mar ou piscina penso que se me arrebentarem as águas, não vou saber (mais alguém  tem esta paranóia? - da C. era igual!)
- Estou desejosa que a barriga cresça imenso para não parecer gorda mas grávida e poder exibir com orgulho - e só nesta altura - uma barriga grande.

Continuo também a usar o gel fresco das pernas, sendo que ao da Mustela 9 meses, acrescentei um da Boticário, maravilhoso! E todos os dias sem excepção, há momento Velastisa (qualquer dia falamos dos produtos da gravidez com mais detalhe).

Já fui buscar ao armário as calças de grávida porque, pese embora a barriga ainda não encha o espaço, a verdade é que as minhas calças já não apertam. Salvam-se as de elástico, bem como os vestidos; o resto arrumei até Fevereiro pelo menos (para minha própria nota, recordo-me que uma semana depois de a C. nascer, já usava todas as minhas calças de ganga sem qualquer problema - o que espero que se repita).

Ainda não sinto a bebé mexer (mas sinto que está para muito breve) e mais uma vez adoro estar grávida. Espero que para futuro inventem gravidezes sushi friendly (eu sei que há quem coma mas eu não tenho coragem) mas quanto ao resto, está óptimo assim!