SOS Pais


 

Todas as minhas gravidezes passaram por um livro,

- a primeira - "o bebé mais feliz do mundo";

- a segunda - "socorro, o meu bebé não dorme"

- a terceira - "SOS Pais"


O P. diz que já não precisamos de livros mas na verdade gosto sempre de voltar aos conceitos que já conhecemos mas que por vezes ficam esquecidos. O colo, o mimo, o sono. 

Por isso o livro que me acompanhou na semana passada foi, sem grande surpresa, mais um da Clementina Almeida, de quem gosto muito, com quem estou totalmente de acordo e que cujos conselhos beneficio sempre. Mesmo que não seja propriamente nada de muito novo.

Ainda assim, uma pausa nos romances para uma coisa mais técnica e um bom ajudante destas coisas da parentalidade!

O post que precisa de ser escrito!

Trabalho na mesma empresa há 9 anos, pelo caminho já passei em diferentes áreas. Comecei num departamento de que não desgostava de todo, mas que era muito diferente do que fazia antes disso e custou por esse motivo. Aos poucos habituei-me e não era terrível. Mas acabei por ter de sair, por mudanças de cidade pelo meio, e há 5 anos que estava numa área que detestei desde o primeiro dia. Quis sair logo ao fim de um ou dois meses; quis sair no ano seguinte; depois convenci-me que era como era e aceitei mas desejei sempre sair. Em 2021 tomei a decisão, comuniquei a minha data de limite para tolerar mais aquele trabalho - o fim do ano - e em Dezembro 2021 tive a sorte imensa de me terem aceitado noutra área. É onde estou desde Fevereiro, em plena lua de mel, é verdade, mas fascinada por, ao fim de nove anos, poder finalmente recordar que quando escolhemos um trabalho que gostamos, é como se não trabalhássemos.  Muito, muito feliz com este novo desafio, uma coisa totalmente nova, diferente da minha experiência e ultra diferente da minha formação. Uma equipa incrível, uma sorte grande! Foi mesmo como mudar de empresa, sem ter saído, com as vantagens que isso tem de já conhecer a organização e as pessoas, mas é como olhar para tudo pela primeira vez. Yeah, yeah, yeah, dez vezes yeah!




L.,

Dizem que à medida que vamos tendo filhos, vamos fazendo cada vez menos registos. Menos diários do bebé, menos fotografias da barriga, menos álbuns de fotos. Prende-se exclusivamente com o facto de mais filhos ser igual a menos tempos, por isso não é por se gostar menos, nem gostar diferente. É porque o tempo que usávamos para fotografar a barriga da primeira gravidez, foi usado para tomar conta do primeiro filho, aquando da segunda. E quando vem a terceira, consegues imaginar o que acontece, certo?

Estamos cada vez mais próximas do fim da viagem gravidez e início de tudo o que aí vem e conto pelas mãos o número de fotografias da barriga. O diário do bebé que tenho desde os três meses, tem duas ou três páginas com notas. Prometo no entanto que vamos manter a foto do mês, como as manas. Prometo também que esta gravidez é exactamente igual às outras, não deve nada às anteriores mas temos todos menos tempo. Na verdade, isto nem é desculpa. As coisas passam simplesmente depressa de mais. Pelo menos tudo até ao oitavo mês. É efetivamente verdade - confirmo pela terceira vez - que uma gravidez dura oito meses e uma vida. Ainda assim, o que é realmente importante que saibas, é que deves levar o teu tempo e aguentar-te firme até á hora. Cá me aguento com os 427 quilos a mais, inchaços vários, varizes, peso da barriga, até a azia. Faz tudo parte. Podes ter calma. Estamos ansiosos para te conhecer mas sabemos esperar.

Os comentários que ouvimos - e eu vou querer mais uma vez ir morar na floresta só com ursos porque as pessoas tiram-me do sério - são só comentários. As pessoas não têm noção. Já me lembrei cem mil vezes do célebre body de bebé que dizia "my mom doesn't want your advice." E é tão verdade! Toda a gente tem alguma coisa para dizer,

- ai que não estás nada bem,

- ai que hoje estás com um ar,

- ai que esses lábios já não enganam, estás por dias

- ai que a cara está tão inchada

- ai que...

Vamos ignorar.

Verdade que ainda não aprendi a fazê-lo, talvez só ao décimo quinto filho. Fico abalada e incomoda-me imenso e ando dias a pensar naquilo, até me esquecer e chegar outra alminha "ai que", para começar tudo de novo. Curiosa com a minha reação quando estes comentários forem todos já na vertente bebé cá fora. Só ouvia e baixava a cabeça com as manas. Não há-se der muito diferente mas espero que a maturidade de ter mais oito anos em cima e três filhos me dê capacidade de resposta. Sei que todas as mães passam por isto mas as pessoas não aprendem. Isso e visitas e beijos e colos. A tentar não panicar com essa parte toda, sabendo que das duas últimas vezes só queria que fossemos os três, depois os quatro (e agora será os cinco) viver para uma floresta em isolamento. Melhorará aos décimo filho? Se calhar o problema é meu.

Daqui até ao final vou estar em modo calmo. Mais sentada que outra coisa, sem esforços, sem atividade física, sem apanhar brinquedos do chão. E vamos fazer estas últimas semanas em modo zen e tranquilidade, a conviver o menos possível com pessoas comentadoras (mesmo que não o façam por mal!), os cinco por casa. Vem com calma. Cá te esperamos o tempo que for preciso.

Onde cantam os grilos

Gosto muito de ler em português original, sem traduções, e esqueço-me muitas vezes isso. É uma pena. Escreve-se muito bem em português e lê-se ainda melhor. Se não fosse por mais nada, já teria sido bom ler estes grilos.

Quanto ao resto, a história tem imenso potencial mas senti que ao livro faltaram mais 20 ou 30 páginas que desse mais closure ao assunto. Claro que a história acaba (e se acaba!) mas gostava de ter sabido mais, deixa muito à imaginação e eu preferia que tivesse sido a Maria Isaac a contar. Primeiro porque o conta muito bem; depois porque conhece a história como ninguém. Fiquei a sentir falta do que não soube, falta do que ficou por dizer e por isso com um bocadinho de amargo de boca. Não quer dizer que não tenha gostado muito de ler, certamente que sim. Mas ficou aquele "mas..." e tenho imensa pena!

Em todo o caso, curiosa para ler o outro romance desta autora, que vou considerar para a lista do que ainda tenho para este ano (e que é tanto!) porque achei uma boa escrita.




A vida secreta das Viúvas de Panjábi

Não tinha uma expectativas enorme em relação a este livro - e cada vez mais percebo que acabam por ser estes as maiores surpresas (nada como não esperar nada!) - e talvez por isso foi um bom livro. De leitura super agradável e rápida e imagens engraçadas, de avós a escreverem contos eróticos. Não se espera por tanta imaginação! Mas é giro, gostei. Dentro do estilo leve, romântico e fofo de verão. Bom para uma esplanada ou uma viagem de comboio. Curioso é que o li a par com outro, coisa que nunca acontece porque nunca ando com dois ao mesmo tempo (isto não soou lá muito bem mas vocês percebem!) mas era o livro da sala e o outro (já lá vamos), o do quarto. Mesmo assim, foi em poucos dias e junta-se à soma de 2022.