Memórias de infância

Tenho uma memória de infância sobre as viagens escola – casa de carro com o meu pai, em que lhe ia contar todos os pormenores do dia. Quem fez o quê a quem e quando ou porquê. Por causa dessas conversas diárias, o meu pai conhecia os meus colegas todos, sabia os nomes, as histórias. Tudo ao pormenor. Não era nada criança de não contar; antes pelo contrário, “caprichava” nos detalhes e falava, falava, falava.

Ir agora buscar a C. à escola faz-me muitas vezes lembrar essas viagens, com excepção de que o nosso caminho agora é a pé e mais curto.

Começamos sempre por lhe perguntar como foi o dia (geralmente responde “foi muito bem!”), o que fez, o que brincou, o que comeu, o que aprendeu. Ela vai respondendo às perguntas mas com muita frequência introduz informação nova, normalmente começando a frase por “Ah! É verdade!” E depois conta.

Sabemos os nomes dos colegas todos, quem se porta melhor e pior, quem fez o quê, quando e como. Há vários detalhes nas conversas dela, sentimos mesmo que conhecemos toda a dinâmica escolar (ou grande parte).


Espero que este hábito se mantenha sempre na nossa família, os momentos para conversar sem outras distracções. À semelhança aliás do que acontece às refeições, em que não há nunca televisão ligada, nem telefones (a C. é a primeira a dizer “à mesa não há telefones” se algum de nós comete o erro de pegar no telemóvel). São momentos especiais e o que verdadeiramente importa.

Hoje há brunch do Papá!

Temos dito várias vezes que a C. é “one of us”; neste sentido: ela faz a nossa vida, como nós. Adapta-se a tudo, come tudo, vai a todo o lado. Tem uma dinâmica espectacular e encaixa-se em todos os planos. Melhor ainda, aproveita todos os planos que fazemos.

Com a chegada de um bebé, há no entanto vários que têm de ser revistos ou suspensos até crescer um bocadinho mais. Temos evitado sair de casa, dado o frio e muitas vezes a chuva, por isso algumas das coisas que fazíamos ao fim-de-semana estão paradas, à espera de melhor tempo.

Isto não pode no entanto ser sinónimo de não fazer coisas de todo. Há que adaptar (e ainda só passaram duas semanas!)

Uma dessas adaptações aconteceu no último sábado.
Querido pai acordou cedo e preparou-nos um brunch, com a ajuda da C. (cheia de orgulho, bateu os ovos).

O resultado foi uma mesa cheia de coisas boas, com um detalhe maravilhoso: um quadro de ardósia a anunciar o prato do dia.
Foi com um “Hoje há brunch do Papá” escrito a giz e um cheirinho delicioso que entrei na cozinha para um home made brunch – que não ficou nada a dever aos que habitualmente vamos.

(No próximo fim-de-semana pode haver mais!)


Dou-te as estrelas

A C. passou o último mês da gravidez feliz da vida com a ideia de ter uma irmã.
Não só era super carinhosa com a barriga e fazia miminhos e cócegas para ela se rir (e ficar com soluços a seguir) como dizia as coisas mais queridas sobre “a minha irmãzinha”.

Claro que na cabeça de uma criança de três anos, a ideia de uma irmã é possivelmente bastante diferente da realidade por isso mantemos todas as expectativas em aberto em relação a esta nova realidade. Com o sentimento no entanto de que fizemos o que foi possível para a preparar (sendo que nunca se está totalmente preparada, pois não?).

Uma das coisas que decidimos desde cedo que queríamos fazer (discutível ou não) foi que a I. traria uma prendinha à C. quando nascesse, para lhe dar no dia em que nos fosse buscar ao hospital. Apesar de ter sido uma decisão que data do início da gravidez, andamos meses e meses a pensar no que haveria de ser, com muitos avanços e recuos e sobretudo com muitos requisitos: tinha de ser uma coisa especial, que a C. gostasse, que ficasse “para sempre”, que marcasse o momento, não muito grande (para ela não perguntar como é que isso também estava dentro da barriga – acreditem, ela é muito esperta!), etc.

Foi precisamente às trinta e sete semanas que se fez, literalmente, luz.

Há algum tempo que a C. quer adormecer à noite com a luz do candeeiro acesa, o que faz com que seja quase dia no quarto. A mim dá-me a sensação que se distrai e demora mais tempo a adormecer, mas nada a fazer já que o escuro deixou de ser opção (poderá ter a ver com medos nocturnos).

Por causa disso, começamos a falar da luz de presença (que até agora nunca foi necessária) e quando nos decidimos finalmente por uma, foi um pensamento comum ser aquela a prenda da irmã.

A luz consiste numa bola fofinha, com um pequeno peluche, que não só dá luz como projecta estrelas no tecto do quarto e dá música. Se não me servir para a C. adormecer, será certamente bastante útil com a mais pequena, por isso só vantagens! A ideia é criar um ambiente confortável e quentinho, com uma luz suave que convide a adormecer.


O extra que aqui fez a diferença foi mesmo a parte da projecção, que faz desta história aquela em que a I. trouxe as estrelas à C. e que acho mesmo especial. Se resultou? Logo vos conto..!

It's time for... SUSHI !

Quem acompanhou a minha gravidez (as duas, na verdade) sabe que senti falta de duas coisas: tostas mistas (porque não como fiambre, nem congelado) e sushi. Claro que há outras coisas que também gostaria de ter comido e bebido, como a mousse de chocolate da minha mãe ou um copo de sangria gelada numa esplanada no Verão mas… aquilo que mais me apeteceu foi na verdade sushi.

Ora, criança no mundo e esta que vos escreve começa a babar para todo e qualquer menu de sushi que vê, achando porém que na primeira semana talvez possa dar cólicas à miúda e por isso adiando.

Até à segunda semana e meia. Tempo mais que perfeito para um barrigão de sushi. Parte da tarde reservada a escolher o restaurante (onde querido homem do meu coração irá gentilmente buscar o jantar) e a criar expectativa para aquele momento em que, nove meses depois, voltas a ser feliz.




Disclaimer: voltar a ser feliz é naturalmente uma força de expressão! 

O que recomeça hoje?

Verdade que a segunda temporada não chegou ainda aos calcanhares da primeira, mas igualmente verdade que não deixa de ser uma série fantástica.

Assim, duas alminhas contentinhas deste lado com o regresso de


22:20 h.
Fox Life

Só porque é Janeiro... Coisas a melhorar


  • Ler mais livros em vez de tantos blogs blogs
  • Nao sair de casa com mau aspecto
  • Ter sempre o cabelo arranjado
  • Usar sempre uma base / bb cream, blush, lápis, rimel
  • Andar sempre a par das noticias
  • Comer menos doces
  • Tirar mais fotografias
  • Não sofrer por antecipação

A gestão das visitas

A C. nasceu sensivelmente às quatro da tarde, o que permitiu a metade do mundo que a quis visitar que me entrassem pelo quarto do hospital dentro e fossem mais que as mães ao final do dia. No dia seguinte aconteceu precisamente o mesmo, muitas, muitas visitas e lembro-me várias vezes do momento em que tive um colapso e desatei a chorar (a C. chorava muito nesse dia) e o P. expulsou toda a gente para a rua. O meu herói. 

Nesse dia decidimos que de um segundo filho só avisaríamos quando já estivéssemos em casa, para evitar igual fado. Sei que as pessoas fazem por bem, querem ser simpáticas, mas não é de todo a melhor altura para ir ver uma mãe e um bebé. Deixo a informação!

Rapidamente percebi no entanto - e isto não é bonito de se dizer - que nenhuma altura dos dias a seguir é boa para visitar uma mãe e um bebé recém nascido. Todas as visitas que recebemos quando já estávamos em casa depois de a C. nascer me punham os servos em franja. 

Mais uma vez, sei que as pessoas não fazem por mal, mas convenhamos; o bebé acabou de nascer, não tem defesas nenhumas, há mesmo necessidade de ter vinte pessoas a olhar / respirar para cima dele? Isto é altamente paranóico da minha parte mas eu só via micróbios por todo o lado. Quando ficávamos finalmente sozinhos respirava de alívio. Várias foram as vezes em que disse ao P. que devíamos hibernar como os ursos no meio da floresta. Só os três.

Do segundo filho as visitas no hospital foram mais controladas (graças a Deus!). Tivemos umas cinco ou seis pessoas mas espaçadas e no máximo umas três em simultâneo. 

Ainda asim:
Continua a fazer-me espécie as pessoas que colam a sua cara à cara do bebé e ficam ali a respirar para cima dele. Continua a por-me os cabelos em pé pessoas que não lavam as mãos quando chegam da rua para mexer no bebé. Continua a tirar-me totalmente do sério pessoas que dão beijos nas mãos dos bebés (porquê? alguém explica?). Portanto, segundo filho, segunda volta, tudo igual!

Os primeiros dois dias em casa foram um caos e disse a algumas pessoas que não queria mesmo que aparecessem. Alguma coisa aprendi de uma para a outra.

Ao terceiro dias começamos a receber algumas pessoas mas com uma gestão mais cuidadosa e sem ser tudo ao mesmo tempo. Continuo ainda assim a ter vontade de hibernar a quatro. Ou de embalar a miúda em papel bolha. Ou de dizer às pessoas em geral:

- Não visitem mães e bebés no primeiro mês de vida;
- Não peçam para pegar no bebé quando ele está a dormir sossegado da vidinha dele;
- Lavem as mãos!
- Desinfectem as mãos!
- Não respirem em cima do nariz do bebé;
- Não tussam / espirrem em cima do bebé;
- Esqueçam os beijos nas mãos;
- Na dúvida, estejam quietos!

Pode parecer que tenho mau feitio mas juro que sou boa pessoa. E fiquei a sentir-me bem melhor depois de ter espiado todo o meu veneno! Desculpem lá qualquer coisinha; tenho hormonas a mais, vocês percebem!

Ainda do Natal

Temos várias tradições de Natal mas uma delas é na manhã de dia 25: acordar e vermos a prendinha que o Pai Natal deixou no nosso sapatinho (este ano, meia) debaixo da árvore enquanto dormíamos. Aquele momento de chegar a sala todos de pijama e ter ali um momento mágico é uma memória maravilhosa que temos e esperemos que as nossas filhas também.


Este ano, no meu sapatinho (cortesia do pai Natal desta casa), encontrei:



Este livro / diário é a prova provada de que:
i) o meu marido está sempre atento;
ii) conhece-me de cor e salteado;
iii) é o mais fofo do mundo!

Não só eu adoro fotografia, como cadernos e diários e ele arranjou forma de juntar tudo num só e dar-me esta prenda PERFEITA que me acompanhará na licença. Vou actualizando a informação deste projecto, que espero começar muito em breve.

Este presente foi caso para dizer "foi mesmo isto que eu pedi" - uma vela de cheiro tão, tão boa! Tenho tentado controlar-me para não a acender todos os dias para que dure e dure e dure mas não está fácil resistir! É simplesmente maravilhosa! E uma prenda que adorei.


Por onde se começa depois de se ter tido um filho?

O meu homem, que é das pessoas que mais me acalma quando o tico e o teco começam a fritar do pirolito e entro em stress por antecipação, usou uma expressão maravilhosa para resumir o nosso estado nos primeiros dias chegados do hospital:

A família é um caos organizado

Sermos agora quatro é uma coisa totalmente nova. Estamos a criar rotinas outra vez com esta enorme vantagem (Deus queira que se mantenha): a mais pequena é uma come e dorme, nem se dá por ela em casa. Isto facilita IMENSO na gestão do dia-a-dia e sobretudo com a C., que continua a ter toda a atenção do mundo, pais que brinquem com ela e tempo de qualidade.

De resto, há só mais roupa para lavar e uma mãe que dorme menos mas os dias são calmos e tranquilos. Cheira à paz que um recém nascido traz, aquela calma e quentinho.

Havemos de falar do parto, que foi antes do que estávamos à espera, eventualmente do fim da gravidez. Para já vamos aproveitar esta fase de namoro bom com o novo membro da família e voltaremos aos poucos.

Somos um pack de quatro!
E adoro.  


Pequena actualização do ponto de situação

Querido blog deixado ao abandono - espero que tenham percebido! - mas pela melhor razão:

Baby I. já nasceu!

Voltamos em breve.

A festa de Natal da escola da minha filha

Houve um momento este ano em que eu achei mesmo que a escola não ia acontecer. O processo de adaptação foi bastante difícil - como falei aqui - e só melhorou quando fizemos algumas alterações
Desde essa altura até ao momento, as coisas têm corrido bem e atrevo-me a dizer que a C. gosta mesmo da escola. Ainda bem que não desistimos.

Da nossa parte, nós estamos igualmente fãs. O ambiente, as pessoas, o sítio. Estamos muito felizes com a nossa escolha e oxalá corra sempre tudo bem.

A primeira demonstração pública de que esta escola é maravilhosa foi precisamente na festa de Natal.

A festa de Natal da escola da C. foi assim como um abraço apertado. Cheia de sentimentos e quentinho no coração. Escusado será dizer que esta mãe chorou o tempo todo, não só nas intervenções da filha, como de todos os outros miúdos. Uma vergonha (só explicada pelas hormonas extra).

O primeiro momento foi precisamente com a turma de ballet da C. Uma recreação dos ratinhos a costurar o vestido para o baile da Cinderela, toda ela em meninas pequeninas de rosa bebé. Um amor!

Seguiram-se várias apresentações (incluindo os bebés sentados nos colos das educadoras, coisas mais fofas!) e a ternura e o carinho com que toda a gente trata as crianças é mesmo comovente. Adoro o ambiente familiar!

A turma da C. subiu ao palco mais duas vezes, uma para recriar a aula de música, outra com um teatrinho - que (sendo eu suspeita) foi a coisa mais gira da festa, em que ela fez de duende. Tão, tão giro (e pais com gravações manhosas na máquina de filmar, que revimos em casa e que dizem mesmo que somos uma família!). 

Houve espaço para todas as salas, todas as actividades, música, inglês, actividades extra curriculares (tenham muitos ou poucos alunos) e a festa acabou com todos no palco a cantar o hino da escola.

A C., apesar de ter choramingado no início pelo desconforto do desconhecido, pediu em casa para ver os vídeos vezes sem conta e brinca várias vezes "à festa de Natal" em que simula palcos e actuações. Acho que gostou. Eu achei perfeita!     

Actualização do tema licença

Admito: falhei redondamente!

A parte boa é que ninguém se lembra já da promessa do ano passado:

500 posts para 2017
(aqui)

Devo dizer que falhei miseravelmente.

Se não vejamos:

▼  2017 (250)


Não obstante, o que aprendi?
Não faças promessas que não possas cumprir!
Lado positivo em todas as coisas!


Além disso, breve explicação para os factos:

- Março: mês dos meus anos, andei certamente ocupada.
- Julho: férias!
- Setembro: adaptação à escola e período difícil.


Para o ano há mais. Haja saúde!

As frases do nosso quarto (no Natal e todos os dias)

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Tempo de agradecer #5 – Saúde

Podia ter começado por aqui mas na verdade vem mesmo a tempo de desejar, no dia de hoje e em todos os dias, o nosso bem maior. Não há sorte, felicidade ou bênção comparável com a saúde e que nos perdoem todos os desabafos parvos de “estar gorda, estar magra, ter espinhas, estar feia” porque no fundo não sabemos o que dizemos.

Que hoje e sempre haja saúde na nossa vida.

E um santo e feliz Natal.