Vamos falar de peso (outra vez)

Desleixei-me na publicação da evolução do peso, acho que por vergonha. Não estava a gostar dos números e confesso que achei que rapidamente seriam melhores. Não foram naquela altura.
A esta distância agora já posso dizer de forma mais segura que saí finalmente dos 58’s para me instalar nos 7’s onde não gosto muito de estar, mas que são mais a minha casa. Um dia poderei vir a ter cinquenta e cinco quilos e um corpo de tombar. Para já ainda não tenho. E nem se quer culpo a maternidade.

A minha filha há umas semanas abraçou-se a mim e no tom mais querido disse-me “mãe, estás gorda!” Ela tem três anos e não sabe nada do peso de se ser gordo, magro ou desconfortável num corpo de que não se gosta e por isso nem tenho a certeza que entenda bem o alcance da frase dela. Ri-me e nesse mesmo tom de riso disse que a culpa era dela e da irmã (informação que ela não ouviu, claro!). Mas sendo honesta comigo, não foram as duas gravidezes e dois partos que me puseram como estou. Sempre fui mais para o cheio do que para o vazio e nem admira porque como e gosto de comer por isso duas folhas de alface e meio tomate cherry não são elementos que me alimentem. Além de que há chocolate na minha vida. 

Bom, isto tudo para dizer que posso continuar a ter filhos porque a gordura não vem seguramente daí (perdi até com relativa rapidez os onze quilos de cada gravidez. A primeira mais depressa que a segunda, é certo). E que o meu estado se resolve na verdade com corrida. Tenho perfeita noção disso. Assim como também tenho perfeita noção que a corrida é um vício que se adquire. Ainda não o adquiri (pela simples razão de que não corro) mas vou manter esse objectivo no meu horizonte e quando estiver mais focada em mim e menos nas minhas filhas e casa, quem sabe. 

Isto posto, entro na época balnear com 57,5 kg., que é o meu peso normal, o que geralmente peso. E prometo tentar não acabar a época com mais dois ou três quilos em cima. Manter, é isso. Vamos manter.

Será?

A questão da tatuagem a que volto de forma recorrente (a mais recente foi aqui) continua na minha cabeça. Não sei se será de facto em Março de 2019 mas vai acontecer. Para isso convidei o meu homem para um dia fora algures em Agosto, para um saltinho à cidade onde a coisa será feita e mais concretamente uma visita ao estúdio para discutir ideias. Sou uma página em branco!

Ideias totalmente random (e nenhuma que goste particularmente, confesso):







Assim pela fresquinha

Esta coisa das novas (faz sentido ainda dizer novas?) tecnologias é muito bonita e já nem nos lembramos da última vez que fomos a um restaurante sem ver primeiro na net ou quando fomos surpreendidos por um hotel de que nunca vimos fotos (sim, hello Zomato e Booking) mas por outro lado aproxima de mais as pessoas.
Foi graças a essas mesmas tecnologias que o meu querido chefe me notificou que dois dias depois de retomar o trabalho - do qual estarei ausente um total de nove meses - estou de malas para Lisboa. Sim, fofo.
Gosto muito do whatsapp mas não gostei disto.
Naturalmente que a ida em si será um problema para a Cisca do futuro. Logo penso como coordenarei a ida com uma filha que ainda mama de manhã, de tarde e à noite (nessa altura já só vai ser de manhã e noite, claro) mas mais uma vez quero dizer que me frustra não fazer planos de um dia inteiro out com o meu homem, para depois ter de ir a trabalho. Pronto, era só isto. Obrigada por me deixarem desabafar.

A segunda semana de férias

Na primeira semana de férias da C. portei-me bem e fui apontando o que andávamos a fazer. Esta semana, balda total. Significa portanto que já nem sei que fizemos. À excepção de segunda-feira, em que fomos as duas à praia e foi mesmo bom. Tipo duas amigas. No fim até fomos ao bar da praia comer um gelado. 
Sei também que voltamos ao parque, onde fizemos um lanchinho.
Fizemos receitas e agora a C. tem uma “especialidade”.
Brincámos no pátio com a mangueira.
E sim, também estivemos em casa, vimos bonecos, vimos um filme com pipocas e brincamos. 

De facto o que eles mais precisam é de tempo. 

Isto é ridículo em Julho mas é o que temos

Cá em casa somos consumidores Nespresso há vários, vários anos e somos daqueles grandes. Bebemos uma média de 5 ou 6 cafés por dia (sim, não há orçamento que aguente) e isso deu-nos um "estatuto" xpto enquanto clientes, que nos tem dado alguns benefícios. Um deles, temos uma máquina gratuitamente todos os anos (benefício do qual não temos beneficiado - passo a expressão - porque a nossa máquina está operacional).

Outro, foi um mimo recente. Na compra de já não sei quantas cápsulas, a Nespresso enviou-nos para casa uma Aeroccino.

O que vem a ser uma Aeroccino? (Confesso que nunca tinha ouvido falar)
Basicamente é uma máquina responsável por fazer leite com espuma que, combinada com o café, nos proporciona belos capuccinos, entre outras bebidas várias (quentes ou frias) que ainda não estudei.




Desde então que o meu pequeno-almoço tem sido capuccino, polvilhado com canela. Delícia!

A parte estranha?
Estamos em Julho e devia apetecer leite gelado ou iogurtes fresquinhos. Bebidas quentes num mês de Verão é no mínimo invulgar.

isto posto, a questão é, quando chega o Verão afinal?

Pagam-me para escrever

Um dos meus sonhos começa assim: escrever para uma revista, jornal, site ou qualquer outra publicação. Escrever regularmente. Ser paga por isso nem precisava de significar receber dinheiro. Acho que o orgulho de ver algo meu publicado seria pagamento suficiente.
Bom, na verdade acho que o que queria mesmo era ter a qualidade necessária para colaborar com publicações, escrevendo. Mas isso são outros quinhentos. Quem sabe um dia.

Ainda assim, o título continua a ser verdadeiro. Deram-me até hoje precisamente meia dúzia de euros para escrever comentários a livros. Yeah!

Há já algum tempo que compro todos os livros online. E o site tem um mecanismo de "toma-lá-dá-cá" em que pedem comentários aos livros comprados e, caso sejam aprovados, recebemos um valor simbólico de um euro ou coisa que o valha. Por isso, estou muito feliz por dizer que os comentários que escrevi foram até hoje todos aprovados pelo que é justo dizer que me pagam para escrever (ahahah!)

Ainda assim, não desistir dos sonhos. Não desistir!

Ar puro precisa-se

Havia uma coisa maravilhosa no Parque das Nações; várias aliás, é o sítio mais fantástico para viver, sendo o único problema o ser em Lisboa. Dizia eu, uma coisa maravilhosa, que é o Parque Tejo e o rio mesmo ali (para nós, que morávamos na Expo Norte). A cinco minutos a pé de casa tínhamos toda uma relva e sombras, espaços verdes, até parque infantil. Tínhamos sobretudo ar puro. 

A C. cresceu ali até ao ano e meio e todos os dias lá ia ela brincar para a relva. Isto porque nunca chovia, claro.

Quando viemos para o Porto o primeiro sítio para onde fomos não era o Parque das Nações mas era espetacular. Imensa relva e ar puro. Ali cheirava a eucalipto. Não se ia à rua todos os dias porque chove bem mais mas era mesmo muito bom. Quase nem sentia falta do Parque das Nações.

Entretanto mudamos de casa (há um ano e meio já) e viemos parar mais perto do centro. Não há verde como os Pinhais, muito menos como a Expo. Há demasiados carros e muita poluição. Nos primeiros dias conseguia sentir o cheiro quando saía à rua; agora nem isso porque nos habituamos a tudo. O que é chocante, na verdade, estar habituado ao cheiro a poluição. Basta ter a VCI a meia dúzia de metros e não há milagres, claro.

Penso nisto muitas vezes porque gostava de proporcionar à minha filha mais nova a mesma sorte que a mais velha teve: ar puro, relva, natureza. E por isso tenho andado em busca de espaços verdes perto de casa. Perto que possa ir a pé e não perto cinco minutos de carro, como o Parque da Cidade, por exemplo.

Até agora temos ido algumas vezes a um, que fica no meio de um grande conjunto de prédios e mais afastado da estrada. Tem um parque juvenil (não infantil porque as actividades são todas para maiores de sete anos - não obstante a C. adorar) e bastante relva. Esta semana fizemos o lanchinho da manhã à sombra de uma árvore. Foi bom.

Ainda assim sinto mesmo que faltam espaços verdes do Porto. E parques infantis.
Adoramos - mesmo! - o Palácio de Cristal e a Quinta do Covelo mas são dois oásis no deserto. Ou então nós é que andamos a dormir. Alguém tem sugestões?


Também vos acontece?

Escrevo muitas vezes posts na cabeça. Estou a fazer qualquer coisa e a escrever com o cérebro, frase por frase, tudo ao detalhe. Depois quando chego ao computador ou papel, foi-se tudo, não ficou nadinha.
Ainda há bocado estava a deitar a mais nova e escrevi mentalmente qualquer coisa e agora chego aqui e... cri, cri, cri! Tenho de arranjar um gravador para falar em vez de só pensar.

Isto posto, coisas absolutamente nada relevantes a esta hora do dia:

- Estou à espera de três encomendas no correio que devem chegar amanhã! Três! É quase como a carta de amor do marido que está na guerra (cruzes credo!) mas em bom. Uma delas na verdade é a prenda de anos do meu pai e não propriamente uma coisa para mim mas ainda assim, conta! As outras duas são o patim para a mais velha para usar no carrinho da mais nova (depois conto) e um miminho da nossa agência de viagens, por ocasião da ida de férias que está para breve!

- O período de férias continua e tudo a andar. Para quem tem segundos filhos ainda muito bebés, dizer-vos que melhora muito com o tempo. Actualmente temos três anos (e nove meses) e 6 meses (e meio) e está tudo imensamente mais fácil do que quando a pequenina ainda só tinha um ou dois. O tempo faz milagres.

- Não obstante o ponto anterior, o tempo anda demasiado depressa e não só a minha filha mais nova já tem seis meses e meio, como eu estou "quase" de regresso ao trabalho. Agora que estou a pensar nisso, vou ali gravar um post sobre o assunto.

Actualização do projecto Bimby

Calhou hoje de a "minha vendedora Bimby" (não sei porquê adoro isto, "minha vendedora"!) me ter enviado uma mensagem a dizer que estavam com uma campanha sem juros, se eu não queria falar a uma amiga que tem andado na dúvida sobre comprar ou não o bicho. Li a mensagem e estava a reencaminhá-la à minha amiga e apeteceu-me dizer-lhe para nem pensar duas vezes. 

Tenho a minha desde Abril, portanto há sensivelmente três meses, e só para dar um exemplo na sexta-feira passada ainda não eram três da tarde, já ela tinha feito a nossa sopa, a sopa da pequenina, a fruta cozida da pequenina e o jantar. Ontem veio cá jantar a minha sogra e a comida fez-se enquanto lanchávamos e a sobremesa enquanto comíamos a sopa (que a Bimby tinha feito na véspera). O meu homem anda a gaspacho, powered by Bimby. Papas de aveia da I. dia sim, dia não? Bimby. As sopas dela todos os dias idem. A sobremesa para levar a um jantar de amigos? Já sabem. Utilizo-a todos os dias e se podia viver sem ela? Claro que podia! Mas facilita imenso! A maça cozida que a C. comia quando tinha cinco meses era cozida num tacho e eu não ia para muito longe da cozinha. Ia vendo pelo relógio o tempo. Quando já estava passava-a para um recipiente para triturar e usava uma varinha mágica para o efeito. Agora? Programo os quinze minutos e vou à minha vida e quando apita giro o botão para triturar quarenta a cinco segundos. Mas se não for lá no segundo em que apita também não há drama porque não queima, não sai por fora, fica ali sossegadinha à espera. Tão fácil, tão fácil! É mesmo uma ENORME ajuda no dia-a-dia. Além disso, aventuro-me agora em pratos que dantes raramente fazia. Peixe a vapor, por exemplo. Fica sempre perfeito! Por isso, se dúvidas restassem, OBRIGADA ao meu homem que me convenceu e ainda bem!


A primeira semana de férias

Como partilhei há dias, a minha mais velha está em casa de férias. Uma pausa do ritmo da escola, que já acontece dez meses por ano e uma oportunidade para fazermos coisas diferentes.

Se tenho conseguido?
Ora bem...!
Nem sempre estou cem por cento disponível porque continua a ser necessário fazer almoço, jantar e tratar de um bebé, que já faz duas "refeições" por dia que não leite, mas que ainda mama várias vezes. Estou a fazer o melhor que consigo!

Assim sendo, que temos andado a fazer?

Esta primeira semana o tempo só ajudou mais para o final porque os primeiros dias foram nublados e feiosos.

Dia 1, segunda-feira
Fomos comprar a prenda para o aniversário de um amigo, o que permitiu também brincar no parque infantil.
Ao final da tarde fomos as duas lanchar fora.

Dia 2, terça-feira
Fomos a pé até ao parque infantil onde estivemos umas boas duas horas. A pequenina dormiu no carrinho e a C. saltou e brincou, super feliz. Também fez amizade com um menino com quem conversou como gente grande (tão queridos!)

Dia 3, quarta-feira
Ao terceiro dia quis ir ao ballet por isso esteve duas horas na escola.
De tarde fizemos a mala e seguimos dois dias para casa dos avós

Dia 4 e 5, quinta e sexta-feira
Brincar em casa dos avós deve ser das coisas preferidas. Primeiro porque a minha mãe é seguramente a maior companheira de brincadeiras, depois porque é diferente. Passeámos, brincamos no parque, fomos ao mercado. Deu para tudo e foi muito bom.

Dia 6, sábado
Praia!! Yeah!
Umas das nossas actividades preferidas. Nunca cansa, nunca é de mais. Venha praia todos os dias - e desejos de que o tempo se mantenha para podermos aproveitar os próximos dias.

Dia 7, domingo
Muito pai e muito pátio de manhã e de tarde festa de anos de um amiguinho, num sítio cheio de sol, relva e brincadeiras.

Uma semana boa! E - confirma-se - adoramos as férias!

Derreti!

O homem esteve fora dois dias na semana passada, dias esses em que fomos as três para casa dos meus pais. Uma espécie de fim-de-semana a meio da semana.
Na sexta-feira o P. foi ter connosco mas não avisou a hora a que chegava, pelo que estávamos a voltar da rua quando o encontramos sentado à porta de casa. Uma surpresa e uma C. delirante!

Depois dos gritos de alegria "pai!, pai!, pai!", cantou a coisa mais fofa:

- "Estamos todos! Estamos todos!"

Somos um pack de quatro e só assim é que está bem!


My girl

A minha filha mais velha entrou de férias.
Entrar não é bem o termo porque na verdade saiu da escola, que até está aberta e nós até pagamos o mês de Julho que é obrigatório (só folga em Agosto). Mas decidimos com ela que ficaria este mês em casa. Estamos de férias (grito da música do Panda)!

A razão principal é que onze meses inteiros na escola nos parece um exagero. Depois eu ainda estou de licença por isso posso ficar com ela. Assumi isto como um desafio até, de lhe proporcionar todos os dias, dias bons, sem ser só o mesmo de sempre, chegar da escola, brincar, banho, etc. Vou tentar fazer por aqui um diário de férias.

Para já, dizer só que a sorte que temos com esta miúda é gigantesca. Ela é genuinamente a criança mais espetacular de sempre. Ontem estava super divertida no parque e disse-lhe que tinhamos de ir embora. Imediatamente disse ao menino com quem estava a brincar

- A minha mãe disse que tenho de ir embora por isso adeus.

A minha vontade foi ficar lá mais um bocado só por ela ser tão querida, tão concordante com tudo, tão boa aceitadora. Estou a inventar palavras, eu sei.

Pronto, dá-me quentinho no coração, é isso.

Went Shopping without actually shopping!



Encontrei uma actividade tão fantástica quanto fazer compras, mas sem gastar um único cêntimo: descer as escadas e ir ao andar de baixo abrir as caixas da roupa da C. para usar na I.
É tal e qual como ir a uma loja, com o adicional da nostalgia!
Tenho já quase uma dezena de caixas de plástico gigantes com a roupa que vai deixando de servir, organizada por idade e estação do ano. Ajuda elas serem de alturas não muito diferentes (Uma Outubro, outra Dezembro) por isso os 6-9 meses de Verão da C., estão agora a servir na perfeição à I.
Sempre que começa a chegar aquela altura em que ela não tem nada que vestir, é só descer as escadas. Uma maravilha!
Ainda hoje de manhã dizia que precisava de lhe ir comprar umas coisinhas de praia quando me lembrei que na última investida às caixas tinha ficado muito por trazer, e eis que tenho ali já todo um estendal ao sol de roupa LINDA para a praia! Coisas que já nem me lembrava mas que me dão tantas saudades. Ainda bem que são duas meninas, consigo aproveitar tudo! E nisto estamos servidas para a Primavera-Verão! Só falta mesmo que o bom tempo se instale de vez.

Orgulho mãe!

A minha filha mais nova nasceu com 2.670 Kg. e 48 cm.
Fez seis meses na segunda-feira, com 7.000 Kg e 63 cm.

Cresceu por isso 15 centímetros e engordou 4.330 Kg.

Não sei bem explicar porquê mas tenho imenso orgulho de ter feito a minha filha crescer estes seis meses.
Creio que por ela ter nascido no público não foi proposto leite adaptado nos primeiros dias (com a C. não foi assim e até aos dois meses ocasionalmente tomava suplemento) e por isso a amamentação foi mesmo em exclusivo. Venham as sopas e frutas (e continue a amamentação) mas estou orgulhosa do que conseguimos.

Não sendo fundamentalista da amamentação acho que todas as mães se devem orgulhar de criar bebés, amamentem ou não, mas confesso que sou fã incondicional desta forma de alimentação, que é tão imensamente prática. Com o plus desta vez de me sentir mais à vontade para o fazer em quase todo o lado (desde que com uma fralda a tapar, ainda não cheguei ao ponto de pôr a mama de fora sem qualquer pudor). Da C. fui muitas, muitas vezes para casas de banho desconfortáveis e sítios apertados, para não o fazer em público. Mas desta vez, nem sempre sendo possível recolher-me por ter a C. comigo por exemplo, dei sim de mamar em restaurantes, em cafés, na praia, em salas de espera, na festa da escola, onde foi preciso. Sei que neste momento estão a imaginar uma mulher semi nua de mamas ao léu, mas garanto que foi sempre com bastante discrição, que não me sinto à vontade de outra forma.

Passamos agora à segunda fase, de caixas de comida para todo o lado, sopas esquisitas, fruta cozida. Mas também a todo um mundo de oportunidade para educar gostos e testar novas receitas. Vamos embora!

O que é mais importante, o trabalho ou o resto?

Pelo título parece que vem aí uma dissertação sobre a importância do trabalho versus a família.
A circunstância de estar a fazer uma licença de maternidade de 9 meses é, julgo eu, demonstrativa da não questão que essa reflexão seria. Para mim, não há qualquer dúvida sobre a minha prioridade.
Quer isto dizer que na verdade o título tinha outro intuito, a saber, perceber dentro do contexto do trabalho o que é mais importante: o trabalho propriamente dito ou as outras coisas.

Se me cingir ao estritamente profissional, o meu trabalho não é lá essas coisas. Não prevejo evoluções de carreira a médio / longo prazo. Não é estimulante nem muito desafiante. Na verdade tem um potencial de responsabilidade e interesse bastante grande mas está mal aproveitado. Podia ser muita coisa, mas é só um trabalho, na maioria das vezes chato. Não me desafia, nem entusiasma. Não me motiva. Faço-o porque é o meu trabalho e tem de ser feito. 

Por outro lado no entanto, o meu trabalho lato senso tem inúmeras vantagens. 
O meu horário é maravilhoso. As minhas férias em número de dias também. Tenho flexibilidade para gerir o meu tempo. Consigo fazer teletrabalho. Tenho um seguro de saúde óptimo que inclui a família toda, seja um, dois ou vinte filhos (e um marido). O ordenado não sendo milionário, também não é mil eurista. Todos os anos recebemos prémio de desempenho. As pessoas são bem tratadas. Há imenso respeito. Dou-me bem com a minha equipa. O meu chefe é genuinamente uma excelente pessoa.

Daí que me questione: devo permanecer no meu trabalho pelas outras coisas que não o trabalho? Ou o que devemos mesmo almejar é o desafio profissional? O que é mais importante?

Aqui há dias o P. perguntava-me o que gostava mesmo de fazer. 
Se não tivesse filhos e outras prioridades, se fosse só eu e o P. no mundo, eu gostava de trabalhar em organização de eventos, ligado ou não a turismo. Podiam ser festas de crianças. Ou feiras em hotéis. Ou pacotes de viagens. Qualquer coisa ligado à organização e montagem de coisas bonitas. Mesmo que trabalhasse até tarde e aos sábados. 
Com crianças no entanto não era bem o meu sonho.

A minha resposta na altura, que tem de ser entendida em sentido figurado, foi: gostava de colar envelopes em casa.
Gostava de ter um trabalho que pudesse fazer de casa, que pudesse ser feito às sete da manhã ou às onze da noite e que dependesse só de mim. Em que ganhasse conforme a minha produtividade. Se colasse cinquenta envelopes, ganhava x; se fossem cem, o dobro de x. Se não colasse nenhum, seria zero mas sempre alguma coisa em função do que fizesse. Controlava os horários e o vencimento e nunca haveria de haver um mês em que fizesse zero porque havia sempre de conseguir dobrar meia dúzia, nem que fosse quando elas estivessem a dormir. Dá para perceber a ideia?
No fundo o meu receio é entregar-me a um trabalho em que esteja muito afastada delas, sem horários, e sujeita a risco (eu aversa a risco). Gostava de poder controlar o meu desempenho. Dobrar envelopes seria perfeito.

Traduzir a dobragem de envelopes para um trabalho a sério, não sei bem como se faz. Que trabalho é esse, se é que existe?