Voltando aos livros

Em Novembro tinha prometido dez posts sem livros e acho que cumpri (não fui contar, no entanto) mas é chegada a altura de dizer que a torre da minha cabeceira está a meio da parede e que vejo com dificuldade que consiga ler tudo o que quero. Recebi uns três ou quatro livros no Natal, comprei mais alguns e tenho uma lista que não se aguenta. Terminei entretanto o Viagens (da nova Nobel) e fui para um italiano que tem feito especial sucesso mas queria lê-los a todos ao mesmo tempo para passar para os próximos! Tinha imensas saudades desta sede de ler. De ter sempre aquele sininho a tocar que me puxa para os livros. Deixei em definitivo a televisão mas precisava de super poderes. Há tanto, tanto, tanto que ler..! Por isso até entendo aquela tese de quem só lê os premiados (deixando de lado absolutos desconhecidos mas quem sabe enormes preciosidades) por simplesmente não se ter tempo de ler tudo. Ainda não adoptei esse critério, e vou escolhendo tudo o que me parece bem - com ou sem prémio associado - mas a lista não pára de crescer (e ainda bem!). Para breve - já avisando - opiniões sobre as últimas aquisições lidas - e sem mais promessas de pausas nos posts!

É a minha vez? Obrigada

No último resumo destes encontros percebi pela descrição que a participação que tive foi totalmente vazia de conteúdo. Como se isso já não fosse mau, o que disse nem se quer transmitiu a minha verdadeira opinião sobre o tema. Sim, claro que há ali uma pancada. Mas isso não significa nada. Olhando para ali gostava de ter dito mais alguma coisa. Também por isso, hoje antes da minha intervenção vou contar uma pequena história. 
Quando eu era pequena falava de mais. Não no sentido de dizer o que não devia, mas no excesso. Não conseguia estar calada. O facto era tão evidente que nas viagens de sete ou oito horas que às vezes fazíamos nas férias com vários amigos, os meus pais negociavam a minha passagem para outros carros a ver se havia sossego só um bocadinho enquanto eu ia à boleia com outros.
Era um traço da minha personalidade que a vida fez questão de resolver quando, no início do quinto ano, me deu um murro na auto-estima. Nessa altura percebi que talvez eu não fosse tão maravilhosa quando aquilo que achei até aos dez anos e se calhar devia passar mais despercebida. Nessa altura comecei a falar menos, mas muito, muito depressa, com a consciência de que assim reduziria o tempo que os outros estavam expostos a mim e os aborrecia menos. Ainda hoje acontece, se estiver a falar para públicos maiores por exemplo. Comecei também a achar que a minha opinião por princípio, não sendo especialmente importante, podia ser facilmente dispensada. E por isso ainda hoje acontece estar em círculos de conversa onde não falo, porque não acho que tenha alguma coisa importante para dizer, nem acho que os outros tenham grande interesse em ouvir. No fundo sei que isto tem um efeito secundário um pouco negativo, mas foi um traço que ficou (e a psicologia de certeza que explica) e uma forma de me proteger da crítica (ou do gozo). Mas neste contexto o efeito foi bastante visível e traduziu-se num resumo com rosto e forma, com uma opinião desinteressante, sem conteúdo - o tal efeito secundário. Por isso para futuro não digo que sou uma pessoa cheia de interesse ou fascínio, mas certamente melhor que "ela tinha uma pancada" e vou fazer um esforço para contrariar a tendência natural do silêncio e dar opiniões mais robustas. No entretanto, espero que aguentem!

outra vez arroz?

Nota prévia: adoro esta expressão! Neste caso não se refere a bens alimentares mas a livros e sim, este é mesmo o terceiro post seguido sobre livros (mas prometo os dez seguintes sem este tópico).  Este é no entanto um risotto, no sentido de que é arroz (são livros) mas é ligeiramente diferente do habitual - são dicas de prendas de Natal para crianças. 

E porquê?
A minha filha C. lê religiosamente uma história antes de ir dormir, lendo-se aqui “ler” como nós lemos porque ela tem cinco anos e é fortíssima ao nível das letras mas ainda não sabe ler. 
Neste ritual pré cama temos os nossos preferidos, que estão sempre na mesinha de cabeceira e que vão alternando. Por isso lembrei-me de partilhar alguns que têm um lugar mais especial no nosso coração, aproveitando a época festiva que aívem e quem sabe inspirando prendinhas de Natal.



 Tristana Múu
Encontramos este livro na feira do livro, li-o ali em pé junto ao stand e comprei três exemplares, dois para dar e um para nós. Foi das coisas mais maravilhosas e doces que vieram parar cá a casa nos últimos tempos. É lindo, lindo, lindo e ainda por cima tem piada. Uma história sobre a importância gigante da amizade e dos amigos na nossa vida. Se não comprarem mais nenhum, comprem este!




O dia em que o Senhor Bonifácio ficou em casa doente
Não é a primeira vez que falo deste livro aqui mas justifica-se. É um abraço apertado em forma de letras, frases e ilustrações perfeitas que fala também da amizade. É sem dúvida um dos meus preferidos desde há algum tempo e que, dois ou três anos depois de a C. o ter recebido ainda continua na mesa de cabceira para ser lido muitas vezes.




Histórias viradas do avesso
Comprei-o há um mês e sensivelmente dentro desses trinta dias, vinte e cinco foram para este livro. São cerca de cinquenta histórias muito pequeninas (que se podem ler num minuto, principio que serviu de base à rubrica do instagram que deu depois origem ao livro) e temos adorado. Quase todos os dias é o livro pedido e lemos entre três a quatro histórias. As ilustrações estão também muito giras e de certeza encantarão filhos e pais. Vai altamente recomendado.








Mog e...
Na verdade não é só um livro mas uma coleção. São histórias amorosas sobre uma família e a sua gata Mog que fazem também muito sucesso e que temos há imenso tempo e continuam a ser pedidas




Bicas e Azul
Deixei para último (à semelhança do primeiro) um que tem um lugar um bocadinho mais especial no coração. Uma história sobre ser diferente, que é afinal igual, de luta contra o preconceito. Especial pela mensagem, pela simplicidade e pela pessoa que nos ofereceu, que é uma daquelas pessoas da nossa vida. Não deixem de ler.