As cinquenta sombras livre
Que me perdoem Christian e Anastacia mas sobre isto só me ocorre dizer que devia ter acabado no volume dois.
A cidade e as serras
Acontece-me com a literatura portuguesa o que não acontece com nenhuma outra: a nossa língua encaixa na perfeição nos meus ouvidos. Ler em português é ver as palavras na sua expressão máxima e como mais as aprecio. E nem é por este ser um clássico. É por ser absolutamente perfeito. A actualidade do texto é impressionante (embora se fossemos por aí tínhamos um tratado de civilização moderna em vez de um comentário ao livro e ninguém merece). Vai altamente recomendado. Sou suspeita, porque sou fã mas é mesmo de se ler.
Cafuné
Com alguma pena tenho de dizer que de todos os livros que li deste autor, este foi possivelmente o que menos me apaixonou. Lê-se perfeitamente bem, é agradável aos olhos e ao espírito, tem, como não podia deixar de ser, passagens e imagens absolutamente deliciosas mas não é o melhor. Sentimento estranho, este. De todos os livros que fui lendo dele, tenho ficado com aquela sensação de "o melhor de sempre" mas desta vez menos. Mistura o romance com a história e prendem-nos as histórias do Rodrigo e do Frei Urbino, que não é Frei. É bom, como é Mário Zambujal. Mas honestamente aqui não o é no seu melhor.
As velas ardem até ao fim
Arrastei-o mais meses do que merecia e nem sei explicar porquê. Aconteceram tantos outros pelo caminho e este só nos intervalos. Mas é bom, é um livro muito bom.
Fixei isto,
"Uma pessoa tem sempre medo duma felicidade tão ordenada. Gostava de oferecer algum sacrifício ao destino (...). Sabes, uma pessoa gosta de devolver aos deuses algo da sua felicidade. Porque os deuses são invejosos, como se sabe, e quando oferecem um ano de felicidade a um mortal comum, anotam logo essa dívida e no fim da vida reclamam-na com juros de usura."
As cinquenta sombras mais negras
São 670 páginas e li-as em três dias.
Julgo que isto diz tudo.
Se não disser, adianto que já fiz a pré-compra do volume três.
As cinquenta sombras de Grey
Pois é, "o livro de que toda a gente fala", esse imenso sucesso literário veio parar cá a casa, por recomendação de uma amiga. Dizia-me que havia ali toda uma questão emocional, para além do óbvio e que isso tornava o livro um vício daqueles. E assim foi, de facto. Li em dias e fiquei em pulgas pelos próximos, para saber como termina (ou continua felizes para sempre) a "relação" Grey - Ana. Ouvi rumores de que o segundo volume estará à venda algures em Outubro, por isso é muito provável que venha a ser ainda mais um livro de 2012. Não foi um dos melhores mas a história é engraçada e, sendo eu uma romântica, vejo bastantes corações (onde talvez haja poucos, mas que se há-de fazer..) e uma personagem que, embora lunática, tem o seu quê de fofinho. Não foi uma má opção, não senhor. Obrigada, J.!
Primeiro as senhoras
Vai de uma assentada, literalmente. O homem abre a boca e não mais se cala até ao fim. Cento e poucas páginas de conversa da boa e parece mesmo que está aqui sentado ao lado e o interlocutor somos nós. Tão bom! Este senhor é um génio, pronto. A sensação que dá é que se senta a escrever, caneta ou computador, tanto dá, escreve, escreve, escreve, ponto final e eis que temos livro, de uma inspiração só. Tolinha, pensarão. Pois, claro está que não é assim. Mas parece. Quase que nem se respira, vai de uma vez e é um prazer imenso ler este autor. Cada vez gosto mais e não se admirem se de futuro tivermos mais. Zmbujar-se-á muito por estes lados e recomendo que façam os mesmo.
Dama de espadas
Passava pouco das cinco da tarde quando me fui sentar na praia para começar este livro. Eram duas e meia da manhã quando, já em casa, o terminei. Pelo meio pausas apenas para banho, jantar, café na rua, fazer um bolo e ver um filme. Não se dá na verdade pelo tempo passar.
Sou fã de Mário Zambujal e acontece-me sempre isto com os seus livros. Não consigo parar. A escrita dele é um vício que se lê de uma assentada e este foi em coisa de horas (como os anteriores, aliás). A história do romance por que já passou o tempo. Sem surpresa alguma, muito bom.
Os Maias
Calculei mal as minhas necessidades literárias e ao fim de duas semanas e cinco livros dei comigo sem nada que ler. Isto depois de os últimos dois terem sido já um extra que por cá apareceu, cortesia de um outro viciado nas leituras.
O problema maior foi que a casa onde estou não tem biblioteca, talvez por ser de praia e cada um trazer os seus livros quando vem. Em cima de um móvel encontrei no entanto, entre publicações oferta e exemplares infantis de tempos passados, os Maias. E pronto, ficou decidido: acabar o Verão com o Carlos da Maia, João da Ega, Maria Eduarda e demais amigos, relendo este grande livro talvez pela terceira vez.
Entrar no espírito é o mais imediato. Acontece logo com a primeira frase, que me desliga do mundo e me transporta para "A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, [que] era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula e em todo o bairro das janelas verdes pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete."
Alice no País das Maravilhas
Há alguma coisa de muito bom nos livros pensados para crianças que são lidos por adultos. Primeiro, porque enquanto crianças há toda uma série de pormenores que nos escapam (aqueles pensamentos, ideais, mensagens subliminares) a que só estamos atentos mais tarde e depois porque, como adultos, sabe muito bem recordar tempos passados e acreditar por momentos que animais falam, meninas encolhem e esticam ao sabor da comida, baralhos de cartas são no fundo soldados e os sonhos podem ser realidade. Assim se explica que tenha lido o livro quase numa tarde. Fica no entanto a faltar o "Alice do outro lado do espelho."
Depois do livro acabei também por rever o filme da Disney, mas foi uma má escolha. Não há nada que chegue aos livros, na verdade. De futuro darei, como a Alice, melhores conselhos a mim própria, tentando prestar atenção.
Depois do livro acabei também por rever o filme da Disney, mas foi uma má escolha. Não há nada que chegue aos livros, na verdade. De futuro darei, como a Alice, melhores conselhos a mim própria, tentando prestar atenção.
A insustentável leveza do ser
Começar por dizer que não é um livro fácil. Pode mudar de contexto como quem muda de frase e portanto requer atenção em dobro. Talvez não tenha sido a melhor escolha para o verão mas ainda assim não foi também uma má escolha.
Para além de tudo o resto, vai girando em torno de dois romances muito pouco tradicionais que não são senão desculpas para o resto. Quase tudo me fez recordar a filosofia do décimo segundo ano. Mas no fim de contas, o que mais ficou foi a intenção de o ler outra vez.
Amor nos tempos de cólera
Há livros, que não sei dizer porquê, aparecem na minha vida anos mais tarde do que aquilo que seria suposto. Há livros que já devia ter lido há anos atrás, em vez de outros, mas que se adiam. Não sei explicar isto mas "O amor nos tempos de cólera" é um exemplo perfeito desta coisa estranha de não ler os clássicos no tempo devido.
Tivemos um início um bocadinho atribulado, no entanto. Quando leio em ambientes barulhentos (como foi o começo deste - numa viagem de comboio) e não estou ainda totalmente dentro do espírito do livro e desligada do resto do mundo, há distracções, desatenções e às tantas já não sei quem é a Fermina Daza e como distinguir o Florentino Ariza do Juvenal Urbino. Em todo o caso, a desconfiança das primeiras linhas durou só algumas páginas e quando voltei a pegar no livro (na viagem da volta) já éramos todos amigos de longa data. Daí até ao fim foram cinco minutos, o que só mostra o grande exemplar da literatura que este livro é e quão estranha me sinto por nunca lhe ter dado a devida atenção.
Um dia
Como diria o C. do escritório: "tudo de bom."
Já me tinha sido sugerido há bastante tempo, mas nessa altura andava completamente entregue ao Quarto de Jack, de tal forma que todos os restantes livros eram paisagem. Mas fiquei com a nota. Aqui há dias encontrei-o por mero acaso e a questão é: como é que ainda não o tinha lido até hoje? Muito, muito bom. Um livro à "falta-me o ar se não continuo a ler já imediatamente", que para mim são os melhores. Vai altamente recomendado.
Comecei a ler ontem um livro (e que saudades tinha eu das leituras) que é uma perdição! Devorei duzentas páginas e pensei seriamente ficar a ler pela noite fora, só para saber como acaba esta coisa de Em e Dex, Dex e Em! Assim que acabar, já o mostro. Para já, vou ali namorá-lo mais um bocainho, acompanhada de um bom café.
Bíblia
Desejo antigo, já.
Não foi um livro de 2012, mas será, vai sendo. Além disso, prenda da D., numa ocasião especial. Disse-nos, entre outras coisas:
"Sei que o vosso coração saberá acolhê-la com simplicidade e alegria.
Com carinho,
D."
Assim o esperamos.
O sonho do celta
Já li este livro há alguns meses atrás, embora ainda em 2012, mas fui deixando o comentário sempre para mais tarde, por não ser fácil. Não foi um amor daqueles, mas também não posso dizer que não gostei. É um livro duro, pesado, sobre a história de Robert Casement, cônsul britânico, e as suas viagens ao Congo e Peru, onde viveu (e relatou) as graves violações aos direitos humanos que por aí se praticaram, nos primeiros anos de 1900.
A história é contada na primeira pessoa, a partir de uma prisão de Londres, onde passou os últimos meses de vida, enquanto aguardava a execução por traição à Pátria. Durante esse período, foi recebendo visitas de amigos, cujas histórias fazem parte da sua e que ajudam a personagem a compreender os últimos desenvolvimentos de uma luta que planeou mas não viu acontecer.
Para além da dureza dos relatos que Casement vai fazendo dos horrores que vive, o livro conta ainda com episódios dos seus "black diaries", onde (alegadamente) foi reduzindo a escrito situações reais ou imaginadas ligadas à sua vida sexual, pouco convencional, tais como encontros sexuais vários com homens mais novos, a troco de dinheiro.
A escrita e a própria estrutura do livro são interessantes, mas o conteúdo, para quem prefere livros mais leves e agradáveis (porque para pesada já chega a vida) como eu, não é a melhor escolha. Em todo o caso, e uma vez que sai um bocadinho do meu registo habitual, não foi uma má opção e não deixa de ser um bom livro e uma boa aposta para quem gosta de histórias reais.
O filho de mil homens
História concisa de Portugal / Youcat
Nos intermédios da leitura "à séria", vou passando os olhos noutras coisas, igualmente sérias, mas mais de consulta. Livros para se ir lendo. Estes são dois exemplos de 2012.
A História concisa de Portugal foi um presente do P., em face das minhas dúvidas sobre questões portuguesas. Réis, principalmente. Onde é que já vão os réis na minha cabeça? Não é nada bonito, eu sei. Mas depois de saber as dinastias na escola primária, não voltei a falar mais do assunto e agora penso nisso com mais frequência. Além desse, outros temas me preocupam. E este livro vem dar resposta a alguns deles. Está dividido em dez partes (Origens, 1128-1223: A independência e organização do Estado, 1223-1385: Processos e conflitos sociais, 1386-1498: A solução atlântica, 1498-1580: O monopólio oriental, 1580-1668: O domínio Filipino e a Restauração, 1668-1777: Monarquia Absoluta, 1777-1820: O fim do antigo regime, 1820-1910: A Monarquia constitucional e 1910-1974: A Revolução), tendo sido feita ainda uma adenda em 1992 com o pós-revolução. Nas palavras do autor, é um livro que não demora muito a ler, com uma imagem global da evolução histórica do povo português e que não contém mais do que o essencial. Por isso lhe escapam vários pormenores e uma visão cirúrgica de cada episódio, já que representa apenas uma espécie de resumo. Conciso, portanto, para os curiosos não historiadores.
O Youcat foi igualmente um presente, do P.M., numa fase pré-casamento, também para que encontrasse algumas respostas a várias dúvidas. Tem sido uma das minhas companhias nas grandes viagens e apesar de me ter trazido outras tantas perguntas, vai resolvendo uma ou outra, ainda que as matérias da religião sejam imensamente complexas e cheias de interrogações. A sugestão da contracapa é que seja estudado, no silêncio do quarto, como casal, em grupos de estudo, nas redes sociais ou de uma outra forma qualquer, pois ajudará a enfrentar os desafios deste tempo com força e determinação. A mim ainda não me ajudou nesse sentido, mas talvez noutros, e por isso tem sido uma presença por estes lados.
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