Estou em negação. Ou não estarei?

Uma amiga, mãe de uma menina de três anos, disse-me um dia, teria a filha algures dois, que chegou à escola para a inscrever e pediu à educadora: "eduquem-na que eu não consigo."

Era uma miúda que não comia, dormia mal, dava imensas dores de cabeça aos pais. Tinha gatos e um dia bufou a um vizinho. Alguma falta de regras, muita personalidade. A escolinha fez maravilhas por ela.

A minha filha fez dois anos em Outubro e tem estado desde o dia em que nasceu, em casa. Foi por nossa opção, e obviamente por disponibilidade infinita da avó. Começamos no entanto recentemente a equacionar a ida para a escola.

Há uma parte de mim que não quer que ela vá para a escola porque em casa tenho-a mais protegida. É o lado mãe galinha, não vale a pena negar.

Mas depois há aquele lado que me parece mais racional, em que me pergunto: será que a escola será efectivamente a melhor opção neste momento (isto é, aos três anos?)

Declaração de princípio: fui aos cinco anos para a escola e não me acho mais burra que os outros. Cresci com as mesmas oportunidades, não fui diferente por isso. Aos cinco anos adorei imediatamente a escola. Nunca chorei, ia com gosto. Gostava da professora, dos colegas, queria passar lá mais tempo. 

Dizia eu, escola para a minha filha, aos três anos?


Sem querer transformar isto numa ode à minha filha (não que ela não mereça),
A C. tem dois anos e três meses.
Fala perfeitamente deste o ano e meio.
Diz o nome completo
E que tem dois anos mas vai fazer três
Usa o pote desde os 9 meses
Conta até 10 e conhece os algarismos todos quando os vê
Sabe grande das letras do alfabeto e associa-as a palavras: B de barco, S de soninho, M de mamã, P de papá
Conhece as formas.
Desenha círculos perfeitos
Sabe as cores todas, mesmo as esquisitas
Conhece toda a família e amigos e estabelece relações (esta é mãe daquele).
Sabe quem são as pessoas quando as vê em fotografias.
Sabe onde moramos e onde moram os avós
Conheces os animais todos e os sons
Tem uma noção do tempo
Tem horas de comer e dormir, que cumpre.
Dorme a noite toda desde os 3 meses
No quarto dela sozinha desde os 5
É imensamente sociável, mesmo com quem não conhece.
Não estranha ninguém.
Diz obrigada, por favor e desculpa.
Anda nas aulas de música e expressão plástica
Convive com outras crianças, quer nestas aulas, quer com amigos.
Adora animais.
Come sozinha e lindamente.
Só usa chupeta para dormir, a qual nunca sai do quarto
Pergunta o porquê de tudo
Quer saber o que diz em todo o lado
Quer saber como se chamam as letras que não conhece.
Canta de cor uma quantidade inacreditável de músicas
Soletra!
Tem uma imaginação que ninguém acredita
Inventa histórias e nomes
Tem um racíocinio que nos surpreende todos os dias
E uma memória bem melhor do que a minha
Brinca sozinha e faz diferentes vozes para os diferentes bonecos
Prefere obviamente brincar acompanhada
Joga às escondidas
Sabe o significado de "meu" mas aprendeu a partilhar
Empresta e dá

O que é que falta?
Aprender a defender-se? A bater? Ficar mais vezes doente?
O que lhe vai trazer a escola de adicional?
Horários? Já tem
Regras? Já tem

Precisava mesmo de ajuda nesta parte porque estou, estamos, honestamente com dúvidas. Não sei o que é melhor mas acho que é disto que se trata, do que for melhor para ela.
Alguém ajuda?

1 Coisas dos outros

  1. Escrevi um post sobre o pré-escolar ainda a semana passada no meu blogue. Cá em casa decidimos que aos 3 anos seria a fase ideal para a nossa filha ir para a pré-escola. Ela está com a avó e não notamos que esteja mais atrasada do que as crianças que estão numa creche atualmente.
    Estamos neste momento numa fase de procura do local ideal para ela entrar em Setembro próximo. E já vimos alguns locais e há de tudo. E para todas as bolsas. Os locais que gostamos mais rondam os 300€, 350€, fora os 200€ de inscrição anual, o equipamento, o mês de agosto pago independentemente dela ir ou não. É um encargo financeiro adicional que teremos, mas achamos que ela precisa de estar com os da idade dela. Já sabe contar até 10, já sabe as cores e fala bem. Mas há coisas que achamos que são importantes para o crescimento dela.

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