Foi preciso ter um bebé e começar a circular de carrinho por aí para perceber que o mundo não é baby friendly. Dou comigo a reparar em detalhes que jamais me chamaram a atenção (shame on me) como o facto de muitos passeios não terem rampa nas passadeiras, muitos prédios não terem acessos para carrinhos / cadeiras de rodas, alguns caminhos não permitirem a passagem dos carrinhos, os elevadores de acesso serem no cú de Judas and so on. Lamento imenso. Lamento sobretudo por quem não tem forma de contornar estes obstáculos e se vê a ombros com verdadeiros desafios quotidianos. Até ir às compras pode ser desafiante. Não está certo.
 
No prédio dos meus pais, para sair com o carrinho tenho de ir pela garagem. E a questão é - como é que eu vivi lá dezoito anos e nunca me tinha "apercebido" que o acesso aos apartamentos só se faz por escada?
 
Outro exemplo parvo.
Lojas (especialmente de bebé) com dois pisos em que ao segundo só se vai de escadas.
Ora bem, se eu tenho a minha filha e preciso de um artigo do piso dois, faço o quê? Abandono-a no primeiro andar? Não compro o que preciso? Levo o bebé e deixo o carrinho para arriscar ficar sem ele? (a este respeito só um parêntesis para dar o exemplo da Dinamarca, em que os carrinhos - e os bebés, pasme-se! - ficam à porta de tudo quanto é sítio).
 
Com estes pequenos detalhes, começo a dar por mim a optar por sítios mais amigos das rodas. Passeios mais largos e sem calçada portuguesa (outro grande drama!), acessos com rampas, locais com parque de estacionamento perto, etc. Mas há muito a melhorar. Pavimentos lisos e rampas era só o começo na melhoria das condições de circulação. Depois disso, absolutamente proibidos os locais públicos a que não se acedesse de rodas. 
 
 

1 Coisas dos outros

  1. Também a mim estas coisas sempre me passaram ao lado. Agora... agora tudo é diferente!

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