A gestão das visitas

A C. nasceu sensivelmente às quatro da tarde, o que permitiu a metade do mundo que a quis visitar que me entrassem pelo quarto do hospital dentro e fossem mais que as mães ao final do dia. No dia seguinte aconteceu precisamente o mesmo, muitas, muitas visitas e lembro-me várias vezes do momento em que tive um colapso e desatei a chorar (a C. chorava muito nesse dia) e o P. expulsou toda a gente para a rua. O meu herói. 

Nesse dia decidimos que de um segundo filho só avisaríamos quando já estivéssemos em casa, para evitar igual fado. Sei que as pessoas fazem por bem, querem ser simpáticas, mas não é de todo a melhor altura para ir ver uma mãe e um bebé. Deixo a informação!

Rapidamente percebi no entanto - e isto não é bonito de se dizer - que nenhuma altura dos dias a seguir é boa para visitar uma mãe e um bebé recém nascido. Todas as visitas que recebemos quando já estávamos em casa depois de a C. nascer me punham os servos em franja. 

Mais uma vez, sei que as pessoas não fazem por mal, mas convenhamos; o bebé acabou de nascer, não tem defesas nenhumas, há mesmo necessidade de ter vinte pessoas a olhar / respirar para cima dele? Isto é altamente paranóico da minha parte mas eu só via micróbios por todo o lado. Quando ficávamos finalmente sozinhos respirava de alívio. Várias foram as vezes em que disse ao P. que devíamos hibernar como os ursos no meio da floresta. Só os três.

Do segundo filho as visitas no hospital foram mais controladas (graças a Deus!). Tivemos umas cinco ou seis pessoas mas espaçadas e no máximo umas três em simultâneo. 

Ainda asim:
Continua a fazer-me espécie as pessoas que colam a sua cara à cara do bebé e ficam ali a respirar para cima dele. Continua a por-me os cabelos em pé pessoas que não lavam as mãos quando chegam da rua para mexer no bebé. Continua a tirar-me totalmente do sério pessoas que dão beijos nas mãos dos bebés (porquê? alguém explica?). Portanto, segundo filho, segunda volta, tudo igual!

Os primeiros dois dias em casa foram um caos e disse a algumas pessoas que não queria mesmo que aparecessem. Alguma coisa aprendi de uma para a outra.

Ao terceiro dias começamos a receber algumas pessoas mas com uma gestão mais cuidadosa e sem ser tudo ao mesmo tempo. Continuo ainda assim a ter vontade de hibernar a quatro. Ou de embalar a miúda em papel bolha. Ou de dizer às pessoas em geral:

- Não visitem mães e bebés no primeiro mês de vida;
- Não peçam para pegar no bebé quando ele está a dormir sossegado da vidinha dele;
- Lavem as mãos!
- Desinfectem as mãos!
- Não respirem em cima do nariz do bebé;
- Não tussam / espirrem em cima do bebé;
- Esqueçam os beijos nas mãos;
- Na dúvida, estejam quietos!

Pode parecer que tenho mau feitio mas juro que sou boa pessoa. E fiquei a sentir-me bem melhor depois de ter espiado todo o meu veneno! Desculpem lá qualquer coisinha; tenho hormonas a mais, vocês percebem!

2 Coisas dos outros

  1. Não consigo entender a pressa das pessoas em visitar os recém nascidos. Se é família muito chegada - avós, tios - ainda posso perceber, o resto... enfim, há tempo!
    No meu caso, tive alguma sorte. Primeiro, porque vivo relativamente afastada da família, o que os obrigaria a fazer alguma distância (e sem avisar previamente, ninguém lá apareceu, já por causa disso). E por a S. ter nascido prematura, toda a gente fez alguma cerimónia nas visitas (e nós tínhamos o desinfectante das mãos logo à entrada, só por causa das coisas). Assim, nunca tive de me chatear! :D

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  2. "Isto é altamente paranóico da minha parte mas eu só via micróbios por todo o lado. Quando ficávamos finalmente sozinhos respirava de alívio."
    Todo este post podia ter sido escrito por mim! E pior é que me senti extremamente incompreendida no pós-parto da primeira gravidez e uma das causas do meu estado foi ter constantes visitas cá em casa.
    Esta coisa dos micróbios mexe muito comigo! Mas mesmo os familiares mais próximos não percebem e acham que são manias minhas! No caso da S. ela nasceu no dia de São João às 00:36, ou seja no decurso desse dia, tive imensas visitas no hospital porque era feriado, ninguém trabalhava e nós (inocentes!) comunicamos às pessoas o nascimento dela nessa mesma manhã. Lembro-me bem da sensação que tinha: a minha cabeça parece que ia estourar a qualquer momento! E o quarto repleto de pessoas, até que entrou uma enfermeira e salvou-me! Depois, quando viemos para casa, foi uma autêntica romaria. Lembro-me que tive cá gente TODOS OS DIAS durante o primeiro mês e tal de vida dela: não havia um único dia que não aparecesse ou os meus pais, ou sogros, ou tios, ou a minha cunhada, ou amigas, ou vizinhos dos meus pais... Um terror!
    Aprendi com essa experiência mas também me conheço e não sei se consigo dizer que "não apareçam cá" porque há certas pessoas que não vão entender. Vamos ver como será quando chegar a altura!

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