O que é difícil não é ter filhos; é fazer as outras coisas todas

Em geral, as pessoas queixam-se todas da falta de tempo. Para ler, passear, escrever, dormir. A nossa vida anda a mil, sempre, e em especial nas horas de ponta em que há banhos, pequenos-almoços, saídas para trabalho, escola, creche e jantares, dentes, cama. Quando é que brincamos se temos uma máquina para estender e outra para lavar?; se há um cesto para passar, casas de banho para limpar, a casa para varrer? Quando é que falamos? Quando é que convivemos? 

A falta de tempo preocupa-me. Mas quando estou sentada, acabo por me preocupar também com a roupa, jantar, limpeza. Os filhos requerem a nossa atenção, mas a cozinha e a casa também. As coisas não se fazem sozinhas e, confesso, nem sempre consigo desligar de tudo o que tenho para fazer.

Com estas preocupações em mente, desenvolvi uma teoria absolutamente brilhante.
O que é difícil não é ter filhos; é fazer as outras coisas todas.

Vejamos.
Se eu só tivesse filhos mas não tivesse preocupações com as coisas de casa (porque tinha alguém para isso ou porque simplesmente não queria saber se tinha um prato ou vinte para lavar ou um par de calças ou todo um armário para passar), dedicava todo o meu tempo aos filhos e era tudo melhor. Intercalar as brincadeiras com a C., com a tábua e o ferro, ou os passeios com ela com os tachos e esfregonas é que me complica a vida. Complicar não é bem o termo; era só melhor se não o tivesse de fazer.

Todos os livros da especialidade me vão dizer que devo ignorar lides de casa e dedicar-me ao que é mais importante mas isso é um desafio. Juro que ouço a casa a gritar pela minha atenção. É preciso alguma criatividade e elasticidade para enfiar tudo em 24 horas, sendo que uma boa parte estou a dormir e a trabalhar, sendo a outra para o resto.

No fundo isto está tudo mal e devia ser ao contrário. Uma grande parte para o que é importante e outra mais pequena para o resto, sendo certo que se eu só tivesse filhos e não quisesse saber da casa, era tudo muito mais giro.

2 Coisas dos outros

  1. Sim, essa teoria de deixar a casa para trás é muito engraçada e eu até sou uma pessoa muito pouco preocupada com a casa. Tenho uma senhora que me vem ajudar de 15 em 15 dias e nos outros dias nem pego numa vassoura. E a casa bem precisa.
    Mas, por outro lado, quem é que consegue viver no meio de uma casa cheia de louça para lavar e roupa para arrumar e outras coisas por fazer? É preciso viver num sítio minimamente organizado senão fico completamente stressada e isso também não é bom para as minhas filhas. O que faço, agora, é deixar a minha filha de 2 anos e meio participar na arrumação da casa. Isso quando a mais pequenina está a dormir ou o pai está com ela.
    É tudo muito bonito mas é evidente que é preciso arrumar a casa, fazer comida e tratar da roupa. E sim, essa é a parte mais complicada. Mas, com uns truques a coisa vai-se fazendo.
    Nós por aqui adbicámos de uma casa grande e com zona exterior (como faz falta uma zona exterior...) para ter um apartamento pequeno de manutenção mais fácil. Mas, mesmo assim, é complexo. :)

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  2. Essas terorias são bonitas. São sim, senhora. Mas pessoalmente se descurasse a casa, então não sei se me organizaria no meio de roupa suja por lavar, roupa por passar a ferro, louça amontoada na cozinha. A verdade é que os filhos são do mais importante que há. Sim, isso já o sabemos há muito. Mas falando por mim, uma boa parte da minha organização mental passa por saber que a minha casa está no seu melhor possível. Casa arrumada passou a ser algo difícil desde que fui mãe. Mas há um limite para tudo. Não vou viver no meio do chiqueiro sabendo que isso não me faria bem, a mim. E à minha filha também.

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