Há outro elefante no meio da sala

Não é segredo o meu "respeito" (pânico, drama, horror) pelos aviões. Adoro viajar mas Deus sabe que me custa imenso entrar em aviões.
Como muitos medos, este também tem o seu quê de irracional. Embora não tudo, honestamente. Acredito nas estatísticas que dizem que é o meio de transporte mais seguro (e agora nem sei..) mas, por outro lado, em calhando de acontecer uma dessas excepções que confirmam a regra, a certeza de quinar é absoluta. É que eu não tenho asas e nem sei voar e isto assusta-me um bocadinho.
Apesar de tudo, nunca me recusei a viajar por medo de andar de avião.
Verdade que me comporto miseravelmente, como um pequeno rato, que tenho vómitos, tremo, às vezes choro, que me drunfo com frequência (valdispert e dormidrina) nos voos mais longos e que no geral o panorama não é bonito de se ver, mas ainda assim vou. Além de que, quando marco as viagens, como a data não está próxima, parece-me sempre um bom plano - que só se vem a revelar um "o que é que eu fui fazer" nos dias antes.
Foi exactamente com esta premissa - ao marcar parece tudo fácil - que embarquei num esquema de idas aos Estados Unidos durante este ano. Pergunta para cinquenta mil euros: onde é que eu estava com a cabeça?! Na lua certamente. Em cima dos ombros é que não era.
Pois que tenho marcada a primeira viagem em Maio - eu e a piolha - e oscilo entre:
"Yeah! Vamos ver o papá!" e "Oito horas de voo?? Como assim oito horas de voo??"
"Sou crescidinha, consigo ir" e "Como é que vamos viajar as duas sozinhas??"
"Viajar com a C.? Que experiência espectacular!" e "Viajar com a C.? Mas sem mais ninguém??"
"Não vou panicar e porto-me bem o voo todo" e "Vou entrar em pânico no primeiro minuto!"
"Claro que vou e vamos adorar" e "Ora bem, se calhar ficamos em terra!"
Mixed feelings em grande força.
Quero muito, muito ir ver o P., estarmos lá os três, passear, ver a C. em Times Square!
Mas por outro lado, experiências de voo passadas dizem-me que nunca consegui manter a calma e ser uma pessoa normal quando em curso. Sendo que há uma bebé de, na altura, sete meses que precisa de mim. Tudo isto combinado dá uma grande confusão e sobretudo um "não vamos falar do assunto, por favor - elefante no meio da sala, estão a ver? Isto anda tudo ligado.
Racionalmente, tudo se resume a: se já tive um parto, viagem de avião é dar papinha a bebés! E é nisto que me estou a concentrar. Só não sei à data de hoje se é suficiente!

2 Coisas dos outros

  1. Desde já os meus parabéns pelo momento de coragem quando reservaste a viagem. Pessoalmente não seria capaz de me meter num avião sozinha com a minha filha, ainda por cima com tantas horas de viagem. Mas há um lado positivo: a tua filha nem um ano tem e já vai ter muitas milhas no seu historial! :) Não é toda a gente que se pode gabar disso :)

    r: quanto ao pote, a pediatra já nos tinha falado disso desde a consulta dos 6 meses, mas ela não se equilibrava muito bem e optamos, como pais, por esperar mais um pouco, até agora, aos quase 10 meses, ela já ser capaz de se sentar sozinha durante algum tempo. Assim sendo, aventuramo-nos no pote e temos sido muito bem sucedidos, para grande surpresa nossa. Não custa tentar.

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  2. Força, quando chegares ao destinos e aos braços dum abraço, vai tudo valer a pena.!

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