Amanhã

A minha filha mais nova nasceu no dia 25 de Dezembro de 2017 e eu estive com ela vinte e quatro horas por dia de todos os dias da vida dela. A minha licença acaba hoje.

Amanhã volto ao trabalho, sem saber bem como. Como passou tão depressa, como é que vou sobreviver aos primeiros dias (e aos outros), como lidar com a falta que me vai fazer.  Não me apetece ir. Será que se ficarmos todos muito quietinhos, o dia não passa?

Ai..

(E sim, eu sei a sorte que tive em poder fazer quase nove meses de licença de maternidade. Mas custa).

Por outro lado, ainda no tema do karma

Estivemos na praia dois dias, casa que fica a uns 20 minutos do Porto, e chegamos domingo à tarde. O telemóvel do meu homem começou a tocar várias vezes, chamada de um número privado. Ao fim de algum tempo, ligaram de um número identificado e a conversa foi:

- Senhor P?
- Sim, sou eu.
- Sabe da tua carteira?
P. em off:
- Cisca, viste a minha carteira? Cisca não viu.
- Por acaso neste momento não a estou a ver. Mas porquê, quem fala?
- Daqui é da esquadra de polícia da sua terra de praia. A sua carteira foi encontrada na rua e deixada aqui. Pode vir buscar.

E o mais surpreendente nisto, é que é a SEGUNDA vez que acontece receber uma chamada da polícia porque encontraram a carteira que ele nem se sequer sabia que tinha perdido! O meu homem é assim..!

Karma is a bitch

A minha filha anda totalmente apaixonada pela Frozen, em especial pela Elsa. Toda e qualquer coisa do filme, desde um brinquedo à etiqueta da roupa, é coisa para lhe arrancar um suspiro. Tudo - absolutamente tudo - é Frozen: mochila da escola, lancheira, escova do cabelo, dos dentes, cuecas, meias, pijama, ganchos, elásticos, lápis... a loucura total!

No meio disto, a dada altura do campeonato, o pai comprou-lhe a boneca (tipo Barbie) da Anna (a irmã da Elsa, personagem também muito apreciada). Andava com ela para todo o lado e brincava imenso. 

Até que um belo dia, eu ia na rua e vi no chão a boneca da Elsa. Olhei para todo o lado, não vi ninguém a quem pudesse pertencer, não era um sítio com comércio ou serviços onde pudesse eventualmente entregar caso alguém fosse perguntar; era literalmente meio da rua. E decidi apanhá-la.

Lavei-a quando cheguei a casa e estive com ela dois dias na carteira antes de a dar à C. Não estava bem, bem certa mas acabei por a dar. Com um sentimento algo estranho de "estou a dar-lhe uma coisa que encontrei no chão" mas... mixed feelings mas ok.

Claro que ela adorou. Contei-lhe a história de como a tinha encontrado, ela até achou graça e pronto. Grandes amigas.

No fim-de-semana fomos para a praia e ela quis levar a Anna para o mar.

Que vem a suceder?
Deixou-a lá, claro, e o mar fez o que faz e levou-a.

Tenho a certeza que isto só aconteceu porque eu apanhei uma Elsa do chão (embora também possa ser porque ela tem um pai distraído que foi com ela e com a Anna para o mar e só voltou com ela - em todo o caso, antes assim que ao contrário).

Consola-me no entanto pensar que vai dar a volta e parar à terra onde a menina que perdeu a Elsa que eu encontrei faz praia e a vai fazer muito feliz!


Agenda de notas

Este ano apetecia-me uma coisa diferente. Uma coisa que, imaginei cá comigo, fosse agenda e bloco de notas, tudo no mesmo espaço, mais concretamente na mesma folha: a página da esquerda para agenda semanal e a da direita para notas. Sentia - mesmo - a falta disto porque na verdade ando sempre com dois cadernos atrás. 

Comecei por achar que tal objectivo ia ser cumprido com os - antigos, antigos - filofaxes. Mesmo do tempo da outra senhora. Mas pus-me a procurar para descobrir que já não se vendem (ou é mesmo muito difícil arranjar). Então, numa dessas lojas da especialidade, encontrei exactamente o que queria, sem tirar nem por.



Certo que é carote (cerca de dezoito euros, creio) mas é fresco e fofo e com espaço para tudo. Um novo amigo, para a vida toda.

"Aí eu chego, boto o relógio no preguinho, como quando tenho fome e durmo quando tenho sono"

A avó de uma prima minha - uma senhora cheia de energia que aos oitenta anos ainda fazia pinos na piscina com a canalha - foi durante dezenas de anos passar férias sozinha para um parque de campismo do Algarve. Encontrava lá amigos de sempre, que faziam como ela, e adorava aquilo.

Dizia, com alguma graça, que quando lá chegava pendurava o relógio num prego que tinha na roulote (ela dizia que "botava o relógio no preguinho" - o que é delicioso, como os brasileiros são) e não queria saber das horas. Comia se tinha fome e dormia quando tinha sono. Férias na sua máxima extensão e significado.

No extremo oposto desta filosofia estão as férias com um bebé!
Para começar as minhas filhas são as maiores fofas e só acordam por volta das nove. E entre preguiçar, vestir, pequenos-almoços, preparar lanche e muda de roupa, mais toalhas, protectores, etc. saímos efectivamente de casa às onze. Aproveitamos por isso a praia cerca de uma hora - salvo se, lá está, o dito do bebé (coisa boa da mãe) adormecer na praia (proeza que a irmã não fazia) e aí só saímos quando acorda - aconteceu às vezes ser mais pela uma. Calma às almas inquietas, que temos protector, chapéu e sombra na criança mais velha.

Isto para dizer que há hora marcada para sair da praia. Hora para dar o almoço. Hora para a sesta. E hora para o lanche. Qual preguinho. Passei aliás a dormir de relógio.

Claro que há coisas boas, como não apanhar escaldões. E dar alguma estabilidade à mais pequena (que de resto já percebi que é pro-rotinas - como a mãezinha dela - e anda a dormir bem melhor desde que voltamos à nossa de casa). Eu também gosto de saber com o que contar por isso nem reclamo. Preguinhos não são para mim!

Olá Setembro

Estivemos fora de casa um mês e meio. Um mês e meio, benza'Deus! Voltar a casa faz-nos bem, estava tudo com saudades.
Decidimos voltar dois dias antes das novas rotinas, regresso à escola, nova realidade, numa tentativa de nos habituarmos todos mas não foi suficiente. Ainda estamos em adaptação. A C. voltou à escola e não tem sido maravilhoso (na verdade tem sido até bastante mau) e a I. está a criar novos hábitos, de horas de sestas, refeições, etc. A juntar a isto, o pai foi para fora em trabalho toda a semana, pelo que por cá andamos, as três marias. A boa notícia, está quase a chegar o fim-de-semana.

Por outro lado, quase a chegar também o meu regresso ao trabalho e eu a ganhar coragem para nas últimas pedir uma coisa totalmente nova. A ver vamos (na próxima semana).

Coisas boas, já estou a preparar a festa dos quatro anos da C.! Este ano o tema é Frozen e já comecei com uns esboços de mesas. Já escolhemos o bolo e selecionei algumas coisas que quero fazer. Detalhes ficarão mais para a frente (falta um mês sensivelmente).

E pronto, é isto em versão resumo.
Prometo assiduidade e participação activa para os próximos tempos!

Adenda à metáfora

Aqui há dias escrevi sobre a metáfora perfeita (foi aqui) e recebi algumas vozes discordantes. Ainda bem, estamos num país livre!

Não obstante, e como não quero obviamente ofender ninguém, queria esclarecer que o post veio na sequência de uma conversa que tinha tido sobre um "casal" que se assemelha na verdade a duas pessoas que partilham casa (roomates) e que, como na verdade não têm nada de casal, estão mais para má imitação de uma coisa boa do que para outra coisa qualquer.

Por causa disso, e para diferenciar dos casais-casais, passou-me esta ideia pela cabeça. Uma espécie de "hierarquia" que não tem nada de hierárquico, mas é só para demonstrar três realidades diferentes. 

De resto, casem-se ou não se casem! Eu sou team casamento e para mim é o que faz mais sentido, por isso dizia que é uma mala verdadeira.

Continuamos todos amigos, certo?
Boa!

Queria ler-vos este artigo do Código do Trabalho

Artigo 55.º
Trabalho a tempo parcial de trabalhador com responsabilidades familiares
1 - O trabalhador com filho menor de 12 anos ou, independentemente da idade, filho com deficiência ou doença crónica que com ele viva em comunhão de mesa e habitação tem direito a trabalhar a tempo parcial. 
2 - O direito pode ser exercido por qualquer dos progenitores ou por ambos em períodos sucessivos, depois da licença parental complementar, em qualquer das suas modalidades. 
3 - Salvo acordo em contrário, o período normal de trabalho a tempo parcial corresponde a metade do praticado a tempo completo numa situação comparável e, conforme o pedido do trabalhador, é prestado diariamente, de manhã ou de tarde, ou em três dias por semana. 
4 - A prestação de trabalho a tempo parcial pode ser prorrogada até dois anos ou, no caso de terceiro filho ou mais, três anos, ou ainda, no caso de filho com deficiência ou doença crónica, quatro anos. 
5 - Durante o período de trabalho em regime de tempo parcial, o trabalhador não pode exercer outra actividade incompatível com a respectiva finalidade, nomeadamente trabalho subordinado ou prestação continuada de serviços fora da sua residência habitual. 
6 - A prestação de trabalho a tempo parcial cessa no termo do período para que foi concedida ou no da sua prorrogação, retomando o trabalhador a prestação de trabalho a tempo completo. 
7 - O trabalhador que opte pelo trabalho em regime de tempo parcial nos termos do presente artigo não pode ser penalizado em matéria de avaliação e de progressão na carreira. 
8 - Constitui contra-ordenação grave a violação do disposto neste artigo.


(Negritos nossos)

A metáfora perfeita

A propósito de uma conversa sobre casais de namorados que se "casam" sem casar, coisa mais vulgar nos dias de hoje, percebi que um casamento é uma carteira Louis Vuitton comprada na loja da 5th Avenue em Nova Iorque; uma união de facto é uma Louis Vuitton comprada em China Town e os namorados colegas de casa são Louis Vuitton da feira (ou Louis Vittor).

Eu continuo feliz por não ser uma falsificação.

Acho que desisto

A minha filha mais nova dorme a noite toda desde sempre. No primeiro mês era eu que a acordava para não passar mais do que três ou quatro horas sem comer, mas depois disso fazia seis ou sete. Não chegamos a afinar (como com a C.) aquela bela coisa de mamar à meia noite e depois só às seis ou sete da manhã, o que significa na verdade que todas as noites, pelas três ou quatro eu tinha de acordar, mas ainda assim eram bastantes horas seguidas.

De há duas semanas para cá ela decidiu que bem, bem é ser outra vez um bebé de um mês e acordar por mote próprio de duas horas e meia em duas horas e meia (às vezes três). Assim em bom. Por isso há duas semanas que as minhas noites são um terror (não esquecer que podia ser pior).

Assim sendo, a minha rica filha vai dormir às nove da noite e acorda à meia noite, às duas e meia, às cinco, às sete e meia.. e não se contenta com a chupeta nem mesmo com o ser pegada e embalada ao colo. Não, não. Ela quer mesmo é mamar, embora nem se quer tenha fome porque cinco segundos depois está a dormir na forma. A sério, socorro! (Again, eu sei que podia ser pior).

Uma desta últimas noites, entre decidir se a devia vender no Olx ou pôr num cestinho à porta da igreja, pensei que mais me vale não ir para a cama. Que a minha frustração vem toda de eu estar a dormir e ela me acordar mas se estivesse acordada, então tudo bem, mama lá as vezes que quiseres. Acho que estou o mais perto que alguma vez estive de desistir de dormir. Poupo em pijamas e lençóis que é uma maravilha. E provavelmente dá-me a travadinha passado algum tempo, mas isso já é o que está prestes a acontecer.

Ainda assim, podia s r bem pior.

Casamos a N. e o S.

Sábado passado fomos casar a N. e o S. e saímos de coração cheio. Que coisa tão, tão boa é um casamento de Amigos! E este com o bónus de ter trazido um convite para o próximo, desta vez em 2019 e nos Açores. Top!

Foi um dia mesmo especial, com imensos detalhes e esta vossa amiga a chorar meia dúzia de vezes. Adoro casar amigos! 

Para 2018 fechamos em super beleza a época dos casamentos e agora vemo-nos para o ano.

E coragem?

No final do ano passado organizei um evento no qual participarem vinte pessoas de vários países do mundo. Além das estadias, agendei e tratei das salas de reuniões, equipamento, almoços, coffee breaks, jantares, teambuildings e outros detalhes como aspectos turísticos, lembranças aos participantes, material necessário, etc. Foi possivelmente a coisa mais interessante de todo o trabalho dos últimos tempos.

Neste processo, tratei de vários aspectos com a responsável de grupos do hotel onde marcamos a estadia. Reunimos várias vezes, falamos ao telefone, trocamos centenas de e-mails. Gostei dela.

A organização de coisas bonitas é um dos trabalhos que gostava de fazer. O trabalho desta pessoa é - na teoria - uma coisa que gostava de fazer. Digo "na teoria" porque as coisas parecem muitas vezes mais bonitas de fora do que de dentro e só passando por lá se sabe, A questão é que eu gostava mesmo de passar por lá.

Há muito, muito tempo que quero fazer uma coisa diferente com a minha vida profissional e com o aproximar do regresso, ainda mais forte é esta vontade. No entanto.. Como é que eu dou esta volta gigante para uma área que não tem nada a ver com a minha formação ou experiência? Como é que digo a esta pessoa que gostava de ir trabalhar com ela? Que não sei nada de organização de eventos mas que aprendo tudo? Que sou boa? Como é que eu tenho esta conversa e introduzo o tema?

Sinto que pode haver aqui uma oportunidade (não que me tenha alguma vez dito alguma coisa, note-se) mas que o tempo está a passar. Para dizer a verdade, falta um mês..! Coragem precisa-se!

A psicologia explica

Se olhar para mim verifico que:


- O meu tornozelo esquerdo tem uma pulseira e o direito nada;

- O meu pulso esquerdo tem três pulseiras e um relógio e o direito nada;

- A minha mão esquerda tem a aliança e a direita nada;

- A minha orelha esquerda tem dois furos e a direita nada.


Será que a psicologia explica?



Está a chegar aquela altura do ano!

Agendas, agendas, agendas!
Todos os anos é a mesma coisa: o meu coração já bate pelo regresso às aulas e por todas as agendas que ele traz. Adoro! Nunca me canso da papelaria, nunca!

Este ano, além da agenda, o organizador semanal, que foi honestamente a peça mais útil que passou lá por casa (depois da Bimby, claro!) O que temos desde Setembro do ano passado está nas últimas páginas (são 52) e terá de ser substituído muito em breve. De modo que este ano, filha mais velha e mãe irão alegremente às compras de material escolar.  Can't wait !



Uma pessoa não dorme à noite e depois...

Quando justifico os meus disparates com “não durmo à noite” as pessoas fazem pouco de mim. Para essas pessoas sugiro o seguinte exercício, que podem começar já amanhã: durante os próximos sete meses, deitem-se todos os dias entre a meia noite e a uma da manhã, acordem entre as três e as quatro e permaneçam acordados cerca de tinta a quarenta e cinco minutos, voltem a dormir, acordem novamente por volta das seis e repitam a pausa anterior e adormeçam outra vez até às oito. Juntem a isto, entre duas a três noites por semana, acordar também às duas e às cinco. E pronto, depois julguem.
Claro que do que tenho visto, não me queixo minmamente. Ainda assim, não durmo em condições há sete meses. É um facto.

Foi justamente por esse motivo que há dias informei que na terca feira vinham mais três pessoas para almoçar, que fizemos almoço para os dez que seríamos, que pusemos a mesa e que esperamos pelos convidados. Meio dia, meio dia e meia, uma, uma e meia e nada. Ligo então para descobrir que, no meio de tudo, me tinha esqucido de os convidar. 

Gostava de dormir mais, era isso.